01/12/2013

Morrigan, a deusa celta da batalha


Morrigan é a deusa celta da batalha, conflito e fertilidade. Seu nome pode ser traduzido tanto como “A Grande Rainha” ou “A Rainha Fantasma”, títulos ambos apropriados para ela. Ela aparece tanto quanto uma deusa única quanto como um trio de deusas. As outras deusas que formam o trio são Badb (Corvo) e/ou Macha (também uma palavra para corvo) ou Nemain (Fúria). A deusa é frequentemente representada como esta ave que lhe dá nome e é uma dos Tuatha Dé Danann (A tribo dos deuses Danu) que ajudou a derrotar os gigantes Firbolg e os Fomorian, nas duas guerras de Mag Tuireadh.

Morrigan, assim como todas as deidades celtas, está associada às forças da Natureza, ao poder sagrado da terra, o Grande Útero de onde toda a vida nasce e depois deve morrer para que a fecundidade e a criação da terra possam renovar-se.

Características 

Morrigan é alta, possui cabelos longos até a cintura, que serviam como uma espécie de "capa" sobre os ombros, olhos penetrantes tão negros quanto a noite, pele branca quase translúcida e corpo de músculos bem delineados que não deixavam de revelar os seus encantos femininos sem par e fazer qualquer um pensar nos prazeres carnais que ela poderia oferecer.

Por trás da sua bela aparência há uma guerreira implacável, caçadora das mais hábeis, mestra no manuseio de qualquer arma e invencível no combate por sua força descomunal e invulnerabilidade.

Morrigan é também a Deusa da Morte, do Amor e da Guerra, que pode assumir a forma de um corvo. Nas lendas irlandesas, Morrigan é a deidade invocada antes das batalhas, como a Deusa do Destino humano. Dizia-se que quando os soldados celtas a escutavam ou a viam sobrevoando o campo de batalha sabiam que havia chegado o momento de transcender. Então, davam o melhor de si, realizando todo o tipo de ato heroico, pois depreciavam a própria morte. Para os celtas, a morte não era um fim, mas um recomeço em outro Mundo, o início de um novo ciclo.


Aliás, em qualquer batalha, seja entre deuses ou mortais, lá estava ela liderando tropas com um grito de guerra tão alto quanto o de dez mil homens e plenamente armada até os dentes onde se destacava em sua indumentária de combate as duas lanças da mais pura prata que carregava nas mãos (quando lançadas capazes de partir ao meio o avanço de um exército inimigo e destroçar em pedaços quem estivesse mais próximo).

Compreender a morte no ponto de vista celta nos faz recusar o fato de muitos autores associarem Morrigan ao aspecto Ancião. A morte é um inicio de um novo ciclo, a entrada num novo mundo, e não somente o fim. Os Celtas não tinham esta nossa moderna visão negativa da morte.

Morrigan também tinha poderes mágicos como o de cegar os inimigos jogando sobre o campo de batalha uma névoa penetrante bem como também dotada do dom de mudar sua forma humana para de um corvo carniceiro, lobo ou mesmo de uma anciã de aparência bem inocente. Conhecendo bem tanto o poder curativo das ervas e raízes quanto à maneira de usa-las como um veneno mortal.


Morrigan e Cúchulain

Morrigan, a Grande Rainha, sempre vitoriosa no combate, acabou pelo amor não correspondido de Cúchulainn (uma espécie de semideus e herói celta ao estilo do Hércules dos gregos) sendo atingida de uma forma mais dolorosa do que em qualquer ferimento obtido em batalha. Assim, ironicamente, o Amor foi à arma que finalmente derrotou a invencível Morrigan.

Conta-se que Morrigan foi atraída pelas façanhas do herói celta Cúchulain. Certa vez, Cúchulain foi acordado por um forte grito vindo do Norte (que na lenda celta, é o Reino da Justiça e Morte). Ordenou, então, ao seu cocheiro que ele preparasse a carruagem para que fossem atrás da origem do estranho grito.

Durante a viagem pelo Norte, encontraram uma mulher vinda em direção a eles: ela usava um longo vestido e manto vermelho, tinha cabelos ruivos e carregava uma lança longa e cinza. Saudando-a, Cúchulainn perguntou quem era ela. A mulher respondeu-lhe que era filha de um rei chamado Buan (o Eterno), e que tinha caído de amor por ele depois de ouvir sobre seus feitos.

Cúchulainn não reconheceu que a mulher era uma encarnação da deusa Morrigan, e bruscamente respondeu-lhe que tinha coisas melhores a fazer, do que preocupar-se com o amor de uma mulher. Morrigan disse-lhe que ela havia ajudado em seus combates, e que iria continuar a ajudá-lo em troca de seu amor. Arrogantemente, Cúchulainn recusou, dizendo que não precisava da ajuda de nenhuma mulher em uma batalha.

Morrigan enfureceu: "Se você não quer o meu amor e ajuda então você terá meu ódio e inimizade. Quando você estiver em combate com um inimigo tão bom como a ti mesmo, irei contra você em várias formas e impedi-lo-ei, até que seu oponente tenha a vantagem.”.

O herói desembainhou a espada para atacar a mulher, mas assim que iria ameaçá-la, viu um corvo sentado no galho de uma árvore. O corvo era o pássaro totem da deusa e Cúchulainn finalmente percebeu que ele havia rejeitado a ajuda da Morrigan, a temível.

No dia seguinte, Cúchulainn desafiou um grande guerreiro chamado Loch. Este zombou de Cúchulainn e se recusou a lutar. Mas, o herói o provocou e o combate iniciou-se e a deusa iria interferir. Morrigan veio contra ele três vezes. A primeira foi na forma de uma novilha vermelha que tentou bater-lhe; a segunda foi na forma de uma enguia, que se envolveu em suas pernas enquanto ele estava na água, e; pela terceira vez, ela veio de encontro a ele como um lobo cinzento que agarrou o braço da espada.

Apesar das vantagens ganhas pelo seu adversário, Cúchulainn conseguiu acertar a deusa: quebrou a perna da novilha, pisoteou a enguia e espetou um olho do lobo. Apesar das desvantagens em relação à Loch, Cúchulainn conseguiu, finalmente, matá-lo como sua lança mágica.

Depois que o confronto terminou, Morrigan apareceu-lhe novamente, mas desta vez, sob a forma de uma velha que ordenhava uma vaca de três tetas. Cúchulainn pediu-lhe um copo de leite, então, ela deu-lhe a bebida da primeira teta, mas não foi o suficiente para saciar sua sede; deu-lhe então mais leite, só que da segunda teta, e o efeito ainda fora o mesmo; finalmente, a partir da terceira teta da vaca, a bebida pôde saciar a sede do herói. Grato, ele perguntou como poderia recompensá-la, e ela pediu para que a curasse dos ferimentos que ele a tinha causado enquanto estava sob os disfarces - apenas Cúchulainn podia curar as feridas, e gentilmente o fez.

Morrigan apareceu para ele mais outras vezes, e por último em sua morte na Batalha de Muirthemn, como um corvo que pousou em seu ombro.

Quando Lugo (Lugh) pergunta para Morrigan qual seria a sua contribuição para derrotar os exércitos dos Fomore (dentro da segunda grande batalha de Mag-Tured) ela responde: "Não te preocupes: tudo o que eu quiser alcançarei, graças ao poder dos meus feitiços. A minha arte aterrorizará de tal modo os Fomore que a planta dos seus pés ficará branca, e os seus maiores campeões terão uns a seguir aos outros devido à retenção da urina. Quanto aos outros guerreiros, fá-los-ei ter tanta sede que ficarão enfraquecidos, e farei com que todas as fontes fujam deles de modo a não poderem matar a sede. E enfeitiçarei as árvores, as pedras e as elevações de terra de tal modo que, confundindo-as com contingentes de homens armados, os inimigos nelas se perderão cheios de terror e de pânico".

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1 Comentários
Comentários
Um comentário:
  1. Pq uma deusa dessas não aparece pra mim... seria servo dela sem nem pensar, rs.

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