29/08/2014

O campo de trabalhos forçados de Masanjia - China


O texto que os amigos e amigas poderão acompanhar mais abaixo é destinado a falar de um campo de trabalhos forçados e reeducação social Masanjia, localizado no distrito de Yuhong, próximo a Shenyang, na província de Liaoning, China. A instalação é muitas vezes chamada de Centro de Educação Escolar e Ideologia da província de Liaoning. Esse centro foi criado em 1656 para a reeducação através do trabalho, sendo ampliado em 1999, afim de “reeducar” seguidores do Falun Gong, ou Falun Dafa como também é conhecido (clique AQUI para acessar). De acordo com ex detentos os membros dessa pacífica doutrina representam entre 50 à 80% dos reclusos nesse local. Os demais prisioneiros seriam ladrões, prostitutas, viciados em drogas e membros de outras minorias religiosas não aprovadas na China.

O local tem sido alvo de muitas denuncias de atos que derem os direitos humanos. Esses atos incluem: trabalhos forçados, tortura através de choques elétricos ou alimentação forçada, longos confinamentos solitários e constantes abusos sexuais são cometidos contra mulheres presas no local.

Muitas denúncias de maus tratos fazem o local ser reconhecido como um campo de concentração moderno. Em função da censura que existe na China, poucas são as denúncias que acabam chegando ao ocidente e ainda menos são os casos que acabam sendo de fato investigados pelos órgãos de defesa dos direitos humanos.

Criação do campo de Masanjia

O campo de trabalhos de Masanjia foi fundado em 9 de março de 1956. Suas práticas visam a reeducação por meio de trabalho. As pessoas poderiam ser aprisionadas no local sem julgamento, e ficariam detidas até que fossem consideradas aptas a retornar ao convívio social.

Muitas das pessoas que acabaram presas no local são pequenos criminosos e pessoas que cometeram o que o governo chinês chama de “delitos políticos”. As pessoas são ditas “aptas a reintegração na sociedade” quando conseguem convencer os oficiais que administram o campo de que elas desistiram das antigas práticas que causaram a sua reclusão.

Em 1999 o líder chinês Jiang Zemin iniciou uma campanha para eliminar a prática do Falun Gong. Nesse processo milhões de chineses foram obrigados a renunciar a essa prática, sendo que aqueles que se recusaram a desistir de seus ideais, que nada tem haver com religião ou política, acabaram sendo confinados em Masanjia. Por esse motivo o campo acabou sendo ampliado, e em outubro de 1999 passou a receber uma divisão feminina, especialmente criada para receber mulheres praticantes do Falun Gong, porém atualmente a 2ª divisão feminina acaba recebendo também mulheres acusadas de prostituição.


Política de reeducação por meio de trabalho forçado

A criação de campos para a reeducação da população chinesa foi uma medida imposta pelo governo socialista de Mao Tsé-Tung durante a década de 50. Essa metodologia tinha por finalidade usar trabalho forçado como forma de punição para pessoas que se recusavam a aceitar os ideais do novo governo. Funcionários do alto escalão do governo podiam enviar pessoas para os campos de reeducação sem julgamento, assim essas pessoas poderiam sair de tal local e se reintegrar à sociedade sem serem consideradas criminosas, porém isso dava ao governo liberdade de enviar para os campos qualquer pessoa contrária ao governo, muitas vezes deixando tais pessoas nesses campos até o final de seus dias, até porque ninguém tinha informações do paradeiro dessas pessoas, afinal elas não haviam passado por um processo judicial.

Com o passar dos anos o sistema de reeducação passou a atuar para “corrigir” qualquer pessoa que represente uma vergonha para o governo.

A censura chinesa

O governo chinês só permite que a imprensa, tanto do país como ocidental, faça reportagens sobre assuntos que são do seu interesse. Para algum grupo ocidental, especialmente equipes de reportagem, conseguir viajar pelo interior do país é necessária a aprovação de funcionários do governo. Em alguns casos membros do governo acabam participando das comitivas para assegurar que nada que embarace o governo chinês estivesse sendo registrado.

Isso acaba dificultando investigações dentro da China a respeito das denuncias de maus a que pessoas estariam sendo submetidas em várias prisões chinesas e em Masanjia.

Denuncias de Torturas

Muitas foram as denuncias de tortura e violação dos direitos humanos cometidos em Masanjia. De acordo com ex detentos do campo de trabalhos forçados chinês entrevistados pelo The New York Times, o tratamento mais severo tem sido dado a membros do Falun Dafa.

Yuan Ling, um repórter chinês que passou cinco anos entrevistando ex prisioneiros de Masanjia, disse que o castigo físico no campo é comum, o que levou umas mulheres a ficarem aleijadas depois de suas passagens por Masanjia. Segundo Yuan, muitas pessoas alegaram terem sido torturadas por meio de choques elétricos, através de eletrodos que eram presos no rosto das vítimas. Outros relatos afirmam que os internos eram suspensos pelos braços por longos períodos, o que acabava gerando terríveis dores. Algumas pessoas disseram a Yuan que espancamentos também são muito comuns em Masanjia.


Outro método descrito no artigo de Yuan é o "banco do tigre", em que um preso é posto sentado em um banco, amarrado na cintura e curvado para a frente com as mãos e pés imobilizados e com tijolos colocados sob os pés.

Os torturadores utilizariam ainda um método chamado “cama da pessoa morta”, onde a vitima é deitada em uma cama com seus quatro membros amarrados e afastados por meio de cordas. Nesse caso a vitima acabaria ficando presa dessa forma por longos períodos de tempo, o que gera dores insuportáveis, segundo afirmações de ex detentos publicadas no jornal International Herald Tribune.

Ainda segundo essa publicação, os internos seriam submetidos a confinamentos solitários por meses em celas com cerca de 2 m² de espaço. Nas celas femininas não haveriam instalações sanitárias, sendo que elas teriam que se aliviar no chão mesmo, o que tornaria o local altamente insalubre.


Wang Chunying, que foi detido em Masanjia em 2007, disse ao Japan Times que ela foi algemada e esticada entre dois beliches por cerca de 16 horas, incapaz de comer, beber ou dormir. Outro ex-detento disse que certa vez foi algemado em pé a uma porta passando duas semanas consecutivas nessa posição.

Zhang Lianying, de 49 anos, originária de Pequim alega ter sido torturada com mais de 50 maneiras diferentes durante os sete anos que passou em diversos campos de trabalho pela China, incluindo um período de Masanjia em 2008. Os métodos de tortura a que ela foi submetida incluíam estrangulamento, isolamento na escuridão, alimentação forçada, privação do sono, proibição de usar o vaso sanitário, exposição a temperaturas extremamente baixas no inverno e ao Sol no verão, arranchamento de cabelos, mantê-la amarrada por dias, etc. O pior, escreveu ela, era a asfixia com uma toalha de papel molhado, “que ainda me provoca tremores ao lembrar”. Ela quase sufocou até a morte nove vezes. Cada vez que perdia a consciência, ela ficava incontinente e mole e seus algozes, em seguida, tiravam a toalha de seu nariz e boca e começavam novamente. “A dor era tão forte que eu sentia como se fosse explodir.”


Jia Yahui, de 38 anos, originária de Shenyang, na província de Liaoning, nordeste da China, foi enviada para Masanjia em 2008. “Um exemplo da tortura brutal, especialmente contra as mulheres, é o uso de bastões elétricos para eletrocutar as regiões sensíveis, como o baixo ventre e outras áreas”, disse Jia Yahui por meio de um tradutor, enquanto continha as lágrimas das lembranças que a atormentam. Em Masanjia. “Eu vi janelas e portas cobertas com papel branco. Quando perguntei para que aqueles quartos eram usados, responderam-me que eram para pacientes com doenças de pele ou problemas mentais. Mas essa mentira foi revelada quando estive detida lá. Os praticantes do Falun Gong que não eram “transformados” eram trancados ali para que os métodos de tortura utilizados pelos guardas não fossem conhecidos ou vistos do exterior.”

Jia Yahui

Alegações de abusos sexuais

Num relatório de 2001, o relator especial da ONU sobre a violência contra as mulheres disse: “Em outubro de 2000, guardas prisionais no Campo de Trabalho Masanjia teriam despido 18 mulheres praticantes do Falun e as jogado em celas com criminosos condenados do sexo masculino.”


De acordo com fontes do Falun Gong, essas 18 mulheres foram brutalmente violentadas. Após o estupro, os oficiais de Masanjia recusaram-se a permitir visitas às vítimas e oficiais do campo tentaram encobrir o crime.

O abuso sexual tem sido uma constante no repertório de torturas desenvolvido em Masanjia para forçar praticantes do Falun Gong a desistirem de suas crenças espirituais.

Em Masanjia e outros campos de trabalho, os bastões elétricos, são inseridos na vagina, no interior do ânus, na boca e sobre os seios, bem como em outras partes do corpo, segundo fontes do Falun Gong.

Num destes incidentes brutais no início de 2003, Wang Yunjie foi eletrocutada por horas em ambos os seios. Fotos mostram seus seios com feridas abertas devido à tortura.

Julgando que ela morreria, o Campo liberou Wang Yunjie. Em 2006, ela faleceu como resultado da tortura que sofreu.

Wang Yunjie
Li Huiying era uma juíza em Dalian, uma cidade costeira da China, quando foi condenada a um campo de trabalho por sua crença no Falun Gong e chegou a Masanjia em algum momento de 2005.

Ela relata praticantes femininas sendo violadas sexualmente com uma haste quebrada e denteada e com uma garrafa de cerveja quebrada.

Mulheres em Masanjia foram obrigadas a ficarem nuas no frio e eram frequentemente despidas para serem torturadas, mas também eram humilhadas quando forçadas a ficarem nuas diante de câmeras de vídeo.


“O abuso sexual não gera somente dor física, mas também vergonha e horror que pode durar indefinidamente”, disse o Dr. Jingduan Yang, um psiquiatra na Filadélfia, EUA. “É o trauma mais prejudicial para a saúde mental e a autoestima de uma pessoa.”


Ele diz que o objetivo do abuso sexual nos campos de trabalho é quebrar o sistema de crenças do indivíduo.

Em sua prática médica, ele tem visto o estrago que essa prática hedionda faz.

“Uma paciente tinha medo de pessoas que permanecessem de pé atrás dela, porque ela foi surpreendida por trás e sequestrada”, disse Jingduan Yang. “Toda vez que ela ouve um som agudo, lhe vem à mente os gritos de dor de colegas praticantes do Falun Gong.”


Essas vítimas podem sofrer de “dor neurológica e musculoesquelética severas, cólicas agudas, ansiedade grave, depressão, insônia, evasão, pesadelos, ataques de pânico e flashbacks”, disse Jingduan Yang.

Em 2005, o advogado de direitos humanos Gao Zhisheng realizou sua própria investigação sobre a perseguição ao Falun Gong e descobriu que praticantes eram rotineiramente submetidos à tortura sexual.



Numa carta aberta aos líderes do Partido Comunista Chinês, ele escreveu, “Quase todos os órgãos genitais e seios das mulheres e cada órgão genital de homens foi agredido sexualmente durante a perseguição da forma mais vulgar. [...] Nenhuma linguagem ou palavras poderiam descrever ou recriar a vulgaridade e a imoralidade do nosso governo a esse respeito. Quem com um mínimo de consciência poderia se dar ao luxo de ficar em silêncio quando confrontado com tais verdades?”

Durante seções de torturas foram injetadas substâncias em Song Huilan que tinham a finalidade de lhe provocar dor. Tal mistura de substâncias acabou por causar a amputação da perna de Song.
Fontes: Wikipédia, EpochTimes, G1 e Conjetura Internacional

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4 Comentários
Comentários
4 comentários:
  1. O governo queria destruir um estilo de vida só porque não era conciderado adequado, mas é óbivio que tinha outro interesses por traz disso..... não é novidade para a humanidade! Vai entender......

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  2. Elson Antonio Gomes29 de agosto de 2014 16:53

    Ridículo, simplesmente ridículo!

    Pelo entendimento de uma pessoa como eu, totalmente leiga, esta doutrina “Falun Dafa” é como se fosse uma mistura do “Thai-Chi-Chuan” com uma “Yoga”. Só uma coisa para ajudar a equilibrar seu corpo e mente. Então para que esta perseguição? É uma coisa ridícula!

    O caso das torturas nem tem muito mais o que falar. Onde neste mundo que não há tortura?
    Só em “Guantánamo”! E só de acordo com os estadunidenses.

    Isso me faz lembrar o dialogo que tive com o “Leon Leonidas” na postagem “Blanche Monnier: O caso do sequestro de Poitiers.” (clica AQUI que vc não vai ver) sobre a falta da evolução humana. Tortura é algo que só pode ser praticado por quem é psicótico, que é sadomasoquista, pois eles não querem a confissão ou neste caso da China, a mudança de ideia. Eles querem é ver o sofrimento, querem ver a dor.
    Acredito que são pouquíssimas as pessoas torturadas que aguentam até o fim e saem vivas, pois ninguém quer ficar sofrendo, assim sendo o torturado vai dizer qualquer coisa para acabar com a dor.

    E volta a bater nesta tecla: foi, é e será sempre assim, pois o ser humano não evolui!
    Mas deixando claro que é minha opinião e também como sempre digo: não sou dono da razão!

    Senão vou desrespeitar o que me ensinaram na postagem “Colônias espirituais no Brasil” (clique AQUI que vc não vai ver). Infelizmente não sei se foi uma ou duas pessoas (por isso que sou contra assinar “Anônimo”, poderia escolher um apelido legal e usar como nome) que foram muito gentis e deixaram explicações para mim dizendo que no espiritismo há a evolução, mas é demorada.

    Respeito à crença de todos, mas ainda que me provem com fatos concretos, continuo com a minha opinião (que pode ser mudada, pois opinião se muda) de que o ser humano não evoluiu. O que evoluiu foram os objetos que criamos a nossa volta que gera a falsa impressão de que fomos nós que evoluímos.

    Não a “estória”, mas sim a “história” está aí para provar.

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  3. Esse é o país emergente que os EUA fingem não existir

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  4. O regime político da China Continental é SATANISTA TEÍSTA, ou seja, o comunismo é coisa do CAPETA!!!!

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