06/10/2015

Um Grito na Escuridão (Relato do Leitor)


Saudações amigos e amigas. Hoje eu volto a contar com um relato enviado pelo amigo Rogério Santos. No relato de hoje o Rogério nos conta a respeito de uma aparição apavorante que se revelou para ele. convido a todos a conhecer mais esse relato.

UM GRITO NA ESCURIDÃO


Madrugada de 2005. Silêncio. Estava eu conversando com uma amiga de trabalho, Creuza, no Messenger. Conversávamos sobre amenidades enquanto eu baixava um arquivo que ela havia solicitado pessoalmente para eu ler e revisar. Era seu trabalho de mestrado e estava deveras ansiosa para defender, no entanto encontrava-se angustiada por conta de toda a exigência que a banca faz no tocante aos vários quesitos que uma banca de pós graduação efetua. Conversávamos enquanto o pesado arquivo baixava. Eu até hoje curto muito ficar estudando, lendo pela madrugada afora. Não consigo me concentrar durante o dia. Meu apartamento tinha dois quartos e entre eles, ficava o banheiro, que dava para a sala. Cozinha pequena. Esses caixotes que o governo constrói que nem o engenheiro que o idealizou sonharia em morar. Mas era confortável morar lá. Tenho boas lembranças. Eu morava no térreo, de frente para o estacionamento. Poucas pessoas passavam pelo estacionamento à noite, exceto no cair da tarde: muita gente fazia caminhada ao longo dos cinco blocos de apartamentos. Depois das dez horas. Só quem chegasse de carro de algum lugar.

Nessa madrugada aconteceu algo muito estranho, aterrorizante mesmo. Enquanto eu conversava com Creuza, ouvi um grito abafado (difícil encontrar o adjetivo preciso para definir aquele grito) vindo do banheiro. Eu fiquei paralisado na hora. Sabia que não se tratava de um grito “humano”, mas de algo vindo de um mundo paralelo. [Eu acredito que existem várias dimensões que convivem paralelamente a nossa dimensão visível. Acho um equivoco pensarmos – e até arrogante – que só existe a dimensão material da vida. Creio piamente que existem espíritos que vez ou outra dialogam ou buscam se comunicar conosco a depender da “frequência” em que se encontram]. O grito durou uns cinco segundos, mas foi o suficiente para eu entrar em pânico e tentar falar com Creuza. Ela me dissuadiu no sentido de não me deixar impressionar. Me aconselhou a por uma música para tocar no sentido de não captar aquela vibração.

[Curiosamente, a dissertação de mestrado de Creuza versava sobre educação e espiritismo numa famosa casa de ajuda espiritual em João Pessoa. Lembro que bem antes de ouvir o grito, estava eu lendo os agradecimentos da dissertação e fiquei impressionado com a forma como minha amiga tinha entrado no kardecismo: num período curto de seis meses – acho – Creuza tinha perdido três parentes próximos. A mãe dela entrou em depressão e a saída que encontrou foi entrar no espiritismo para resgatar – resgatar mesmo (odeio esse verbo) – o sentido da vida. Cheguei a comentar com ela sobre esse sucedâneo e, então, um grito clamoroso, feminino, abafado, como que sufocado, eclodiu no meu banheiro.

Todas as janelas do meu apartamento são protegidas por grades. Não tinha como alguém entrar ali e alojar-se. Fui dormir já pela manhã e, como tudo, deixei passar. Foi um incidente.

ANOS DEPOIS 

Nessa época eu fazia doutorado e quando estamos numa pós, a base da conversa é falar de tese, livros, trabalhos e o quanto falta para terminar o trabalho. Um grande amigo meu, Felipe, sempre ia em casa no domingo às 19h30 para conversar, discutir ideias, essas coisas. Em meados de 2009, ele foi lá em casa, conversamos e por volta de 22h fui deixar Felipe no estacionamento. No fim de alameda havia uma palmeira imensa, de frente com o carro do meu amigo.

Eis que vejo uma mulher branca, magra, alta, parada perto do meio fio [uns cem metro distante de nós. Meu amigo não viu], usava um vestido florido, cabelo louro amarfanhado, preso. Ela tinha o olhar perdido. Por prudência, não contei ao meu amigo: ele ia dirigir. Entrei rapidamente para o apartamento e, como todo tolo, tranquei a porta do quarto a chave [risos].

Então me senti à vontade de enviar um torpedo ao meu amigo e dizer o que vi. Ele falou que não tinha visto, como eu suspeitara. Conversamos pessoalmente sobre o incidente, ele falou um pouco sobre as experiências que ele teve com o sobrenatural durante a vida. Ele já tinha sido rosacruz. Para ele esses eventos não eram nem novidade nem impossíveis de “acontecer”.

UMA PERGUNTA INCONVENIENTE

Confesso que fiquei muito grilado com o ocorrido e isso me martelou a cabeça durante os meses seguintes. Será que o grito que ouvi na madrugada era daquela mulher que vi no estacionamento? Eles tinham alguma correspondência?

Uma noite decidi conversar com o porteiro, Roberto, antigo morador do bairro do Alto do Mateus. O bairro do Alto do Mateus, em João Pessoa, tem uma longa história de violência na cidade, embora hoje encontra-se bem mais “pacato”. Resolvi perguntar se os moradores reclamavam de barulhos durante a madrugada [são extremamente comuns ouvirem-se gente batendo na porta, abrindo portões, crianças correndo]. Roberto me disse que o local onde o condomínio foi construído outrora era uma chácara com um terreno imenso, repleto de árvores de copa alta. Era natural, segundo ele, que viciados e outras pessoas má intencionadas procurassem o terreno às escuras para transar, roubar, extorquir e, quiçá, assassinar alguém. Então ele me disse que no terreno onde hoje está assentado o condomínio uma mulher foi brutalmente assassinada numa noite e que, por sorte, o corpo dela tinha sido encontrado. Um cara a assassinou por estrangulamento e a enterrou embaixo de uma mangueira. Nos dias seguintes tinha chovido muito e a mão cadavérica ficou visível. Uma pessoa que passava no terreno viu a mão em estado avançado de putrefação e acionou a polícia.

Ela era moradora do bairro e inclusive Roberto chegou a conhecê-la. A descrição física que Roberto me deu conferiu com a mulher que eu vi naquela noite, solitária olhando o vazio noturno. Pensando assim, o grito que ouvi era daquela mulher, talvez repetindo indefinidamente a cena da morte, o modo como foi brutalmente estuprada e assassinada. Todas as vezes que vou a João Pessoa e me hospedo no meu apartamento, lembro desse ocorrido. Até hoje detesto ficar olhando para a janela. Minha impressão é que ela está olhando para mim. Por mais que eu saiba que ela precisa de ajuda, não me quer fazer necessariamente o mal, até hoje ouço aquele grito perturbador.

Agradecimentos ao amigo Rogério Santos pelo relato enviado.
Quando amanhecer, você já será um de nós...


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1 Comentários
Comentários
Um comentário:
  1. Ui, que agonia! Não sei o que eu faria se ouvisse e visse um espírito.

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