14/12/2015

O misterioso caso de Kaspar Hauser


Kaspar Hauser foi uma criança abandonada, cuja vida e morte esteve envolta em mistério, encontrada na praça Unschlittplatz em Nuremberg, Alemanha do século XIX, com alegadas ligações com a família real de Baden. Não se sabe muito a respeito da sua origem. Acredita-se que ele tenha nascido em abril de 1812. Kaspar veio a falecer em 17 de dezembro de 1833 em Ansbach, Mittelfranken, e até hoje a sua história não foi devidamente explicada.

A misteriosa vida de Kaspar Hauser

Kaspar Hauser tornou-se conhecido na Alemanha ao afirmar que havia passado toda a sua vida em uma masmorra, sem contato com humanos, sendo alimentado apenas com pão e água. O jovem, supostamente com quinze anos de idade, apareceu em uma praça pública de Nuremberg, em 26 de maio de 1828, com apenas uma carta endereçada a um capitão da cidade, explicando parte de sua história, um pequeno livro de orações, entre outros itens que indicavam que ele provavelmente pertencia a uma família da nobreza. Hauser tornou-se o centro das atenções de Nuremberg e, em pouco tempo, surgiram rumores de que deveria ser o príncipe herdeiro da família real de Baden, no sudoeste da Alemanha, que havia sido roubado do berço em 1812.

Como supostamente passou quase toda a sua vida aprisionado numa cela, não tendo contato verbal com nenhuma outra pessoa, não conseguia se expressar em um idioma. Porém, logo lhe foram ensinadas as primeiras palavras e, com o seu posterior contato com a sociedade, ele pôde pausadamente aprender a falar, da mesma maneira que uma criança pequena. Afinal, ele havia sido destituído somente de uma língua, que é um produto social da faculdade de linguagem, não da própria faculdade em si. A exclusão social de que foi vítima não o privou apenas da fala, mas de uma série de conceitos e raciocínios, o que fazia, por exemplo, que Hauser não conseguisse diferenciar sonhos de realidade durante o período em que passou aprisionado.


Hauser odiava comer carne e beber álcool, já que aparentemente havia sido alimentado basicamente por pão e água. Aprendeu a falar, a ler e a se comportar, e a sua fama correu a Europa, tendo ficado conhecido, à época, como o "filho da Europa". Por causa da sua história triste, toda a cidade de Nuremberga adoptou Kaspar, tratando-o como um filho. Ele foi colocado sob os cuidados pessoais de um certo professor Daumer e atraiu a atenção das sociedades alemã e europeia.

Kaspar Hauser viveu com alguns tutores até ser assassinado com uma facada no peito, em dezembro de 1833, nos jardins do palácio de Ansbach. As circunstâncias e motivações ou a autoria do crime jamais foram esclarecidas, apesar da recompensa de 10.000 Gulden (c. 180.000,00 Euros) oferecida pelo rei Luís I da Baviera para quem pegasse o assassino.

Memorial no local do atentado contra Kaspar Hauser nos jardins do Castelo de Ansbach.

Os estranhos atentados

No dia 17 de Outubro de 1829, Kaspar foi encontrado na casa de Daumer com a testa sangrando, resultado de um ferimento com uma faca, efetuado por um homem mascarado que apareceu de repente e o atacou.

Em 1831, ele foi ferido na testa outra vez, quando um revólver disparou acidentalmente.

No dia 14 de Dezembro de 1833, Kaspar foi mortalmente ferido por outro golpe de punhal. A polícia investigou o parque, mas não encontrou a arma. O mistério aumentou ainda mais, porque os polícias encontraram apenas as pegadas de Kaspar na neve. Ele morreu três dias depois.

Kaspar Hauser na cultura popular

A sua história foi representada no filme de Werner Herzog, "Jeder für sich und Gott gegen alle" (em língua portuguesa, "Cada um por si e Deus contra todos"), de 1974, lançado em português com o título "O Enigma de Kaspar Hauser".


A bibliografia destinada a desvendar a real identidade de Kaspar Hauser é composta por mais de 400 livros e 2 mil artigos. Alguns biógrafos são a favor da teoria do príncipe e outros, de que Hauser era um garoto que foi abandonado na cidade e inventou a história da masmorra para despertar a generosidade alheia.

Para esses historiadores, a história da masmorra não faz sentido, uma vez que o jovem teve um bom desenvolvimento físico e mental, algo que não poderia acontecer vivendo em uma prisão pequena e escura, sendo alimentado todos esses anos apenas com pão e água.

Kaspar Hauser não era o Baden desaparecido

Em relação à sua procedência real, em 1996, a revista alemã "Der Spiegel' patrocinou um exame de DNA para comprovar a história. Uma mancha de sangue na roupa de Kaspar Hauser, guardada em um museu alemão, foi comparada ao DNA da realeza de Baden, e o resultado foi que eles não têm relação.

De acordo com historiadores mais recentes, é provável que Kaspar Hauser tenha sido o filho ilegítimo de alguma família respeitável, criado em alguma fazenda isolada e abandonado na cidade quando os parentes não quiseram mais o manter. Contar uma história fantástica sobre como foi maltratado teria sido uma estratégia para comover as pessoas e conseguir dinheiro, amigos e fama. O escritor Jan Bondeson afirma em seu livro "Os Grandes Impostores"que “a história de Kaspar Hauser tem alguns temas característicos dos contos de fadas tradicionais: o príncipe aprisionado, o ingênuo com poderes extraordinários, o órfão à procura de suas verdadeiras origens. Na literatura e nas artes, Kaspar Hauser adquiriu vida própria”.

Fontes: Paradigma da Matrix e Wikipédia

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