19/01/2016

O atentado a bomba no Teatro Liceu


No dia 7 de novembro de 1893 ocorreu em Barcelona um ataque a bomba que colocou a capital da Catalunha em estado de choque, e resultou em uma onda de terror, na qual muitas pessoas foram presas e torturadas, afim de revelarem os autores do atentado. Esse é um dos eventos mais trágicos acontecidos na cidade catalã.

Segundo algumas fontes (sites espanhóis) o atentado matou 22 pessoas naquela noite, tendo mandado mais 17 pessoas ao hospital em estado grave. Eu encontrei na internet brasileira fontes que afirmam que morreram 72 pessoas no atentado. Esse atentado fez parte de uma série de ataques a bomba acontecidos em Barcelona entre os anos de 1893 e 1894. Essa onda de ataques foi uma resposta dos anarquistas catalães a morte de Paulino Pallás.

O atentado ao Teatro Liceu

O Gran Teatre Liceu é uma renomada casa das artes sênicas, reconhecida mundialmente. Na época dos ataques, o teatro era considerado a casa da ópera em Barcelona, e no dia do atentado, 07 de novembro de 1893, iniciava-se a nova temporada de apresentações. Embora a cidade estivesse agitada por conta de alguns atentados, mas mesmo assim a casa de espetáculo estava completamente lotada no dia. A burguesia da cidade toda se reuniu para assistir ao espetáculo.


A opera apresentada naquela trágica noite era Guilherme Tell, de Rossini, dirigida por Leopoldo Mugnone. A opera falava da rebeldia do protagonista que lutava contra a tirania em sua cidade (sugestivo um ataque como esse em uma ópera com esse tema não?). Durante o segundo ato, duas bombas foram lancadas contra a platéia a partir do quinto andar. A primeira bomba causou as grandes danos, porém a segunda bomba de Orsini não explodiu. Ela teve sua queda amortecida no corpo de uma mulher morta na primeira explosão. Após o encerramento do caso o artefato explosivo é encaminhado para o Museu de História da cidade da Barcelona se tornando parte permanente do acervo deste museu.


Bomba Orsini

Eventos Gerados pelo ataque

A Rainha Regente, Christina, declarou estado de emergência e suspendeu as liberdades constitucionais da cidade. Centenas de suspeitos e pessoas consideradas anarquistas foram jogadas em masmorras do Castelo Montjuich, onde essas pessoas, muitas delas inocentes, foram torturadas sem piedade. A tortura produziu um nome “Santiago Salvador”. Ele foi apontado como o autor do atentado no Teatro Liceu.

A autoria da ação foi inicialmente creditada à José Codina, depois à Mariano Cerezuela ambos eram anarquistas e acabaram sendo executados em 21 de Maio de 1894 pelo estado espanhol.

Em 2 de Janeiro de 1894, Santiago Salvador Franch foi capturado enquanto tentava sair a pé da Catalunha para Zaragoza. Para evitar a captura ainda tentou desesperadamente cometer suicídio duas vezes sem conseguir êxito. Foi imediatamente levado a prisão do castelo de Monjuïc.


Ele foi julgado em 11 de Julho de 1894. Durante seu julgamento declarou que seus atos se deram em vingança à execução de Paulino Pallàs a quem conhecia e admirava. Salvador teria dito: “Eu concebi um plano no qual era possível aterrorizar aqueles que tinham gostado de matá-lo e que acreditavam que não tinham nada a temer.”

No dia 21 de Novembro de 1894 Santiago Salvador Franch foi executado pelo garrote vil (clique AQUI para conhecer esse método de execução) na prisão de Montjuïc, em Barcelona. Ele tinha 32 anos e era pai de duas filhas. Ele era artesão.

Era impossível de acreditar que Salvador tinha agido sozinho e as autoridades continuaram as torturas de inquisição semelhantes e forçaram mais seis prisioneiros a confessar. Todos foram executados em abril e Salvador foi enviado para a sua morte em novembro.

Motivações para o atentado

O atentado se deu em represália à execução de Paulino Pallás e à perseguição sistemática a diversos grupos anarquistas aragoneses em Outubro de 1893. Em fins de Setembro Pallás, um jovem anarquista, havia tentado sem sucesso assassinar o Capitão Geral (equivalente ao cargo de governador) da Catalunha, o general Arsenio Martínez Campos durante uma parada militar. Por sua vez, o atentado de Pallás se deu também como forma de revanche à execução de quatro anarquistas ocorrida em 16 de Fevereiro de 1892. Envolvidos em uma rebelião na cidade de Jerez um mês antes, os quatro haviam sido aprisionados e torturados pelo estado espanhol assim como centenas de outras pessoas supostamente envolvidas.


Escolhida como alvo da ação direta violenta por Salvador Santiago Franch, a casa de ópera do Liceu de Barcelona era na época majoritariamente frequentada pela elite aragonesa que, indiferente a miséria das regiões rurais e dos trabalhadores urbanos, apoiava quaisquer medidas de violência estatal na repressão à manifestações de descontentamento e rebelião por parte das classes desfavorecidas.

Era uma época em que o povo não tinha voz ativa, e qualquer manifestação era considerada um ato de anarquia, e seus líderes eram colocados no posto de inimigos do estado.


Bomba do Teatro Liceo também está presente na Catedral da Sagrada Família, em Barcelona. Dois anos após o ataque, Antoni Gaudí incluiu na fachada uma escultura de um anarquista que recebe a bomba de Orsini das mãos de um demônio.





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