15/03/2016

ONU denuncia que Sudão do Sul permite que combatentes estuprem mulheres como forma de pagamento


O Sudão do Sul permite que os combatentes estuprem mulheres como forma de pagamento, denunciou a ONU nesta sexta-feira, descrevendo a situação dos direitos humanos naquele país em guerra como "uma das mais horríveis" do mundo.

O país mais jovem do mundo enfrenta "uma das situações de direitos humanos mais horríveis do mundo, com o uso em massa dos estupros como instrumento de terror e arma de guerra", declarou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, em um relatório que cobre o período de outubro de 2015 a janeiro de 2016.

"A escala e o tipo de violências sexuais - que geralmente são cometidas pelas forças governamentais do Exército Popular de Libertação do Sudão e por suas milícias afiliadas - são descritos com detalhes terríveis, assim como a atitude - quase casual, mas calculada - daqueles que massacraram civis e destruíram bens e meios de subsistência", acrescentou o Alto Comissário.

Para a ONU, "os atores estatais têm a maior responsabilidade pela violência cometida em 2015, diante do enfraquecimento das forças da oposição".

O relatório afirma que o governo realiza uma "política de terra queimada" e explica que, "segundo fontes confiáveis, as autoridades permitem que grupos aliados estuprem mulheres como forma de pagamento", seguindo o princípio de "façam o que puderem e tomem o que quiserem".

O Sudão do Sul, que se tornou independente do Sudão em julho de 2011 após décadas de conflito com Cartum, encontra-se afundado em uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice-presidente, Riek Machar, de querer derrubá-lo.

Mais de 2,3 milhões de pessoas precisaram abandonar seus lares e dezenas de milhares morreram devido ao conflito e às atrocidades cometidas por ambos os grupos.

"Ataques deliberados contra civis"
Os combates entre o exército regular e diferentes grupos rebeldes prosseguem, embora em agosto de 2015 tenha sido assinado um acordo de paz. Os grupos rebeldes, que frequentemente têm interesses locais, não se sentem sujeitos a acordos escritos.

O relatório da ONU contém relatos sobre civis, incluindo crianças e deficientes físicos, que foram assassinados, queimados vivos, asfixiados em contêineres, executados, pendurados em árvores ou cortados em pedaços.

"Diante da amplitude, da profundidade e da gravidade das acusações, da repetição e das similaridades observadas no modo de operação, o informe conclui que existem motivos razoáveis para crer que estas violações podem ser consideradas crimes e guerra e/ou crimes contra a humanidade", disse o Alto Comissário da ONU.

Segundo as Nações Unidas, "a grande maioria das vítimas civis não parecem ser resultado dos combates, mas de ataques deliberados contra civis".

"Cada vez que o controle de uma zona passa de uma autoridade para outra, as novas autoridades deslocam a maior quantidade possível de civis, com base em seu pertencimento étnico", indica o texto.

O Alto Comissário pede a criação - como prevê o acordo de paz assinado em agosto de 2015 - da "Corte Híbrida", encarregada de investigar e julgar os responsáveis por crimes desde o início da guerra civil. Caso contrário, recomenda que o caso seja apresentado ante o Tribunal Penal Internacional (TPI).

Em outro relatório publicado nesta sexta-feira, a Anistia Internacional denunciou a morte em outubro de 2015 no Sudão do Sul de 60 adultos e crianças, pelas mãos de soldados pró-governamentais, que os deixaram morrer asfixiados em um contêiner.

Fonte: Yahoo

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1 Comentários
Comentários
Um comentário:
  1. É revoltante esta barbaridade que vem ocorrendo no continente africano. Só que não podemos deixar de ver que é o sujo falando do mal lavado. Esta ONU em toda sua história nunca fez nada de concreto para pelo menos diminuir estes casos bárbaros que na maioria acontecem no continente africano. Os próprios soldados da ONU foram acusados a pouco tempo de cometerem estupros. Há genocídios que ocorreram e que estão ocorrendo e a ONU deu e da as costas. Se vamos apontar culpados, a própria ONU tem que ser uma das apontadas.

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