04/04/2017

Os dedos perdidos de Galileu


Os restos mortais de Galileu Galilei (1564-1642) estão enterrados numa cripta dentro da famosa Basílica Di Santa Croce, a principal igreja franciscana de Florença, na Itália. O cientista do século 16 compartilha deste espaço com vários outros italianos ilustres, como Michelangelo, Maquiavel, o poeta Foscolo, o filósofo Gentile e o compositor Rossini.

Galileu Galilei, físico e astrônomo, nasceu na cidade de Pisa, Itália, no dia 15 de fevereiro de 1564. Em 1574, é enviado ao Monastério de Santa Maria de Vallombrosa, até que, em 1581, seu pai o matriculou como estudante de medicina na Universidade de Pisa, mas, depois de ter-se iniciado em matemática, astronomia e física por conta própria, abandona o curso de medicina.

Galilei é considerado um dos fundadores do método experimental e da ciência moderna. Suas principais contribuições à física dizem respeito ao movimento dos corpos e à teoria da cinemática. Passou a ser um dos pais da mecânica, parte da física que estuda os movimentos e suas causas. Em 1589, escreveu um texto sobre movimento, no qual criticava os pontos de vista de Aristóteles a respeito da queda livre e do movimento dos projéteis. Em 1592, passou a ocupar uma cátedra de matemáticas em Pádua, onde iniciou um período magnífico de sua vida científica. Ocupou-se de topografia, de diversas invenções mecânicas e arquitetura militar.


Em julho de 1609, visitou Veneza e teve notícias da invenção da luneta, construiu sua própria luneta e a aperfeiçoou. Assim, fez as primeiras observações da lua, também observou as fases de Vênus, fenômeno que seria impossível de acontecer se a teoria do geocentrismo fosse correta. Assim, Galileu publicou suas descobertas num pequeno texto chamado “O Mensageiro Sideral”. Estes escritos ficaram famosos e lhe valeram uma cátedra honorária em Pisa.


Em 1611, viajou para Roma, no ano seguinte teve seus estudos referentes às manchas solares publicados. Ali defendeu o heliocentrismo de Copérnico, e lutou, sem êxito, contra o dogmatismo e a superstição que travavam o progresso da ciência há séculos. Isto gerou a Galileu problemas com a igreja, que, no ano de 1.616, decretou que as idéias de Copérnico eram falsas. O Papa obrigou Galileu a renegar suas afirmações. Galileu o fez e retirou-se e foi viver durante anos em Florença.

Em 1632, publicou um livro chamado “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo – o ptolomaico e o copernicano”. Este livro foi incluído no Index (lista de livros proibidos pela igreja). Apesar de ser católico fiel, Galileu é obrigado a novamente negar suas idéias. Galileu morre no dia 8 de janeiro de 1642, em Arcetri, perto de Florença.

Quando Galileu morreu em 1642 com 77 anos, o Grande Duque de Toscana, Ferdinando II quis enterrá-lo na Basílica Di Santa Croce ao lado dos túmulos de seu pai e de outros antepassados e erguer um mausoléu de mármore em sua honra. Porém o Papa Urbano VIII e seu sobrinho, o Cardeal Francesco Barberini protestaram, alegando que Galileu havia sido declarado pela Igreja Católica um herege, um inimigo da igreja, pela sua declaração, colocando o sol e não a Terra como o centro do Universo, indo contra ao que a igreja pregava. E então, Galileu foi enterrado em uma pequena sala ao lado da capela dos noviços, no final do corredor sul da basílica.

Por quarenta e cinco anos, o caso de Galileu foi esquecido, até que um inglês chamado Isaac Newton publicou um livro revolucionário – “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” – onde ele estabeleceu as bases para a mecânica clássica. A Lei Universal da Gravitação de Newton e as Leis do Movimento provaram que a Terra gira em torno do Sol e não vice-versa, e que Galileu estava certo o tempo todo. Em 1718, às autoridades eclesiásticas voltaram atrás e corrigiram o erro praticado sobre os trabalhos de Galileu e em 1737, seu corpo foi exumado e enterrado com honras no pavilhão central da basílica. Duas décadas atrás, o Papa João Paulo II reabilitou o astrônomo, dizendo que a igreja tinha errado.


Antes do tal enterro de Galileu, alguns de seus mórbidos admiradores e coveiros, querendo guardar lembranças deles, desmembraram o ilustre italiano, e surrupiaram três de seus dedos da mão, um dente e uma vértebra de seu esqueleto. A vértebra foi parar na Universidade de Pádua, onde Galileu ensinou por muitos anos, enquanto o dente e os dedos foram passados de geração em geração em uma mesma família de uma pessoa que estava na hora do enterro e pegou as lembranças do esqueleto, mas no início do século 20 todos os vestígios das relíquias desapareceram.


Mais de um século depois, os dedos e o dente apareceram misteriosamente em um leilão realizado em 2009, juntamente com outras relíquias religiosas. Os objetos estavam sendo vendidos como artefatos não identificados, contidos em uma caixa de madeira do século 17. Alberto Bruschi, um renomado colecionador de arte de Florença acabou comprando a coleção sem saber o que tinha em seu interior.


O colecionador e sua filha se surpreenderam com o conteúdo da caixa: Um busto de madeira de Galileu encabeçava o recipiente em que as relíquias tinham sido mantidos por muito tempo. Lendo relatos documentados pelo livro de Galluzi, eles sabiam que partes do esqueleto haviam sido retirados do cientista, ao ser enterrado pela segunda vez. Testes e estudos confirmaram que havia sido encontrados os restos mortais de Galileu. Documentos históricos detalhados e registros da família também ajudaram os especialistas a identificá-los, de acordo com as autoridades do museu.



Atualmente, os visitantes do Museu Galileo, convenientemente localizado a uma curta distância do túmulo do astrônomo, na Basílica Di Santa Croce podem ver o dedo médio enrugado sendo exibido em um pedestal, dentro de uma redoma que parece um ovo de Páscoa. O museu já possuía os outros dois dedos e o dente e também em sua coleção tem muitos outros objetos que pertenceram ao cientista, como telescópios, termômetros, bússola, globos terrestres e celestiais e muitos deles objetos únicos, criados pelo próprio Galileu, incluindo dois telescópios e uma lente que ele usou para descobrir as luas de Júpiter.

Fontes: Magnus Mundi e InfoEscola

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