08/08/2017

Chloe Ayling: a modelo raptada que seria vendida como escrava sexual


Chloe Ayling foi raptada, drogada e quase vendida como escrava sexual em um leilão na Deep Web para um comprador do Oriente Médio.


Não se trata de um roteiro de Hollywood, mas supostamente de acontecimentos recentes na vida da britânica Chloe Ayling, de 20 anos. A história, ainda cercada de mistérios, vem ocupando as principais páginas da imprensa europeia.

Segundo as autoridades que cuidam do caso, tudo começou em 11 de julho deste ano, em Milão, no norte da Itália, para onde a modelo viajou após receber um convite para uma sessão de fotos.

Ao chegar ao estúdio, no centro da cidade, Ayling foi atacada por um homem que a segurou pelo pescoço e tapou sua boca, enquanto outro, vestindo uma máscara, injetou nela uma substância no braço.


"Acho que desmaiei. Quando acordei...me dei conta que estava no porta-malas de um carro, com minhas mãos e meus pés amarrados e minha boca tapada", contou a modelo, segundo declarações dadas à polícia publicadas pelo jornal italiano Corriere della Serra.
As autoridades disseram que a modelo foi drogada com o sedativo quetamina, e, em seguida, levada a Borgial, no noroeste de Turim, a duas horas de carro de Milão.

A foto acima é de uma reconstituição
"Estava dentro de uma mala e só podia respirar por meio de um pequeno buraco", explicou a modelo.

Leilão pela Deep Web

A jovem permaneceu em um quarto durante seis dias, segundo as investigações.

Os sequestradores teriam tentado leiloá-la pelo equivalente a R$ 940 mil na chamada deep web (internet obscura), que engloba servidores de rede difíceis de serem rastreados facilitando o comércio de armas e drogas.

O advogado de Ayling, Francesco Peschi, afirmou que a intenção era vendê-la como escrava sexual no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, os sequestradores exigiram do agente de Ayling o pagamento de um resgate.

Segundo as investigações da polícia italiana, eles trabalhavam para uma organização chamada "Black Death", que no passado havia sido vinculado ao tráfico ilegal de pessoas na rede.

No entanto, a venda de Ayling nunca foi concluída e ela acabou sendo libertada pelos próprios raptores, disse ela à polícia italiana.

De acordo com a polícia de Milão, a modelo foi levada por um dos sequestradores ao consulado britânico local.

Polícia da Itália divulgou documentos supostamente relacionados à organização criminosa responsável pelo sequestro da modelo

No domingo, Ayling disse que temeu por sua vida ao longo da experiência que descreveu como "terrível".

"Estou incrivelmente agradecida às autoridades britânicas e italianas por terem garantido minha libertação de forma segura", afirmou ela.

Suspeito

Autoridades informaram que o polonês Lukasz Herba, que mora no Reino Unido, foi preso pelo suposto sequestro da modelo.

Lukasz Herba foi detido por autoridades depois de libertar Ayling em consulado britânico de Milão
Herba seria "um assassino de aluguel", que trabalhava para uma organização ilegal que opera na deep web, mas as próprias declarações do acusado levam a crer que ele esteja inventando uma história fantasiosa para distrair a polícia.

"Ele diz operar para uma organização da deep web, que oferece serviços como ataques a bomba, sequestros e venda de crianças", disse o policial Lorenzo Bucossi.

"Os pedidos de resgate foram enviados do computador dele - mas ainda não sabemos se ele estava operando como parte de um grupo ou inventou tudo isso", acrescentou.

Contudo, outras fontes da polícia ouvidas pela imprensa italiana afirmaram que a versão de Herba é "fantasiosa" e o descreveram como uma pessoa "perigosa com traços de mitomania".

Apesar do relato de que participava da organização criminosa, o polonês também teria dito à polícia que tinha leucemia e, desesperado por dinheiro, entrou em contato com um grupo de romenos na cidade de Birmingham, no Reino Unido, ao que teria sido pressionado a participar do sequestro.

A Europol, a polícia europeia, informou dia 07-08-17 que havia apenas uma única menção a Black Death em seu banco de dados, e não há certeza de que a gangue realmente exista.

A polícia da Itália disse, por sua vez, que está procurando pelo menos um cúmplice, que seria o irmão de Herba, Michael, embora ainda não tenha confirmado sua identidade pois a investigação está em andamento.

Autoridades da Itália, Polônia e Reino Unido estão colaborando na investigação do caso.

Dúvidas

Por seu caráter incomum, a veracidade da história foi colocada em dúvida. O próprio advogado de Ayling admitiu que alguns aspectos do caso podem parecer bizarros. Ele afirmou que, inicialmente, os investigadores tinham "mais do que dúvidas justificadas" sobre a história.

"Parece incrível", afirmou Pesce. "Um homem sequestra, junto com outros, uma menina, e depois de uma semana, por razões particulares, a acompanha dentro de um consulado e praticamente a entrega à polícia", acrescentou.

"Isso gerou dúvidas nos investigadores, mas a história acabou se comprovando verdadeira."


Modelo passa a ser alvo de suspeitas também

No sábado (05-08-17) a polícia italiana disse ter prendido o suposto sequestrador, que confessou estar envolvido em uma trama para leiloar a modelo pela internet a menos que um resgate de 300 mil dólares fosse pago.

Mas pessoas do vilarejo italiano onde Chloe Ayling disse ter sido mantida cativa disseram à mídia local que ela e o homem saíram juntos.

Alguns moradores disseram à emissora estatal Rai que a dupla foi a um bar e que ela também saiu para comprar sapatos com Lukasz Pawel Herba, de 30 anos, morador do Reino Unido nascido na Polônia, antes de ele entregá-la para o consulado britânico em Milão.

Desde o domingo os agente da polícia italiana já sabiam desses relatos, tendo inclusive interrogado uma vendedora que teria vendido sapatos a Chloe quando esta estava acompanhada do seu raptor. Quando os investigadores questionaram a vítima a respeito do mesmo ela teria afirmado que o próprio sequestrador teria proposto a ida às compras para deixá-la melhor apresentável quando fosse entregue ao seu comprador, ela afirmou que aceitou ir as compras pois acreditava que seria sua melhor chance de fugir.

"A insinuação de que ela estava envolvida (na trama) - como li com desgosto em alguns jornais hoje de manhã - é simplesmente inimaginável", disse Francesco Pesce, advogado sediado em Milão, à Reuters.

Considerações

Aqui no blog Noite Sinistra já dedicamos várias matérias a falar do tráfico de seres humanos, conforme os amigos e amigas podem conferir clicando AQUI, AQUI e AQUI. Ou seja, o tráfico de seres humanos é algo que, infelizmente, faz parte da nossa realidade.

Outro assunto bastante discutido aqui no blog é a Deep Web, onde de fato muitos grupos criminosos agem, conforme pode ser visto na matéria "Como age o cibercrime na Deep Web", e onde pode ocorrer a venda de drogas, órgãos humanos e até mesmo de pessoas. Isso me leva a acreditar que se de fato Chloe Ayling fosse leiloada o processo poderia ser conduzido pela Deep Web, mas duvido muito que Lukasz Herba de fato seja quem ele afirma ser. Os próximos capítulos da investigação podem até provar que estou enganado, mas uma pessoa que está envolvida em tantos eventos como Herba afirma estar, não entregaria tais informações assim tão de boa. Na minha opinião ele está apenas ganhando tempo, quem sabe para que seus comparsas concluam algum negócio, ele poderia também "se fazendo de louco", para tentar barganhar uma pena diferenciada ou mesmo querendo aparecer.

Um pessoal do fórum do 4chan já estavam cogitando a hipótese que a própria modelo pode ter armado todo esse "teatro" para aparecer na mídia, isso ainda na segunda feira dia 07-08. Essa é uma acusação um tanto séria e um tanto digna de um verdadeiro enredo de cinema, mas essa versão parece se fortalecer agora que pessoas do vilarejo apareceram com tais declarações.

E vocês meus caros amigos e minhas caras amigas, o que acham do assunto?

Fonte: BBC

Quando amanhecer, você já será um de nós...


CONFIRA OUTRAS POSTAGENS DO BLOG NOITE SINISTRA



0 Comentários
Comentários
Nenhum comentário :

Página do Facebook

Publicidade 1

Noite Sinistra no YouTube

Postagem em destaque

O misterioso perfil do Facebook de Karin Catherine Waldegrave