29/02/2016

Trilha das Lágrimas: A marcha da morte dos indígenas norte Americanos


O termo Marcha da Morte é geralmente ligada a marchas impostas por japoneses e alemães nazistas aos adversários e a judeus durante a segunda guerra mundial (clique AQUI para conhecer um desses casos), mas alguns historiadores afirmam que a primeira marcha da morte da história teria acontecido no território dos EUA. Esse evento acabou conhecido como Trilha das Lágrimas, e resultou na morte de milhares de indígenas norte americanos, como os amigos e amigas podem conferir na matéria abaixo.

A Trilha das Lágrimas ou Caminho das Lágrimas foi o nome dado pelos nativos às viagens de recolocações e migrações forçadas, impostas pelo governo dos Estados Unidos da América às diversas tribos de índios que seriam reunidas no chamado "Território Indígena" (atual Estado de Oklahoma), consoante a política de remoção indígena. Os índios habitavam as regiões ao sul da União. A referência à "Trilha das Lágrimas" foi retirada de uma descrição de um nativo da Nação Choctaw em 1831.

Os nativos sofreram muito com as remoções e vários morreram durante as viagens e acampamentos forçados: estima-se que, da tribo Cherokee, de uma população de 15.000 vieram a falecer cerca de 4.000 índios.

Centenas de escravos e afro-americanos libertos que viviam com os índios, acompanharam-nos nas remoções pela Trilha.

Em 1830, as nações Cherokee, Chickasaw, Choctaw, Creek e Seminole, chamada por alguns de " As Cinco Tribos Civilizadas", viviam com autonomia política e deveriam ser considerados americanos do sul. O processo de "transformação cultural" proposto por George Washington e Henry Knox, já ocorria com muita força, principalmente entre os Cherokees e os Choctaw.


Tinha-se que a remoção dos índios fora proposta pioneiramente por Thomas Jefferson. Andrew Jackson foi o primeiro presidente americano a de fato implementar uma mudança desse tipo com a aprovação da Lei de 1830, o "Indian Removal Act". Em 1831 a tribo Choctaw inaugurou a remoção e com isso foi criado o modelo aplicado às demais. Depois dos Choctaw foi a vez dos Seminole (1832), dos Creeks (1834), Chickasaw (1837) e finalmente os Cherokee (1838).


Remoção voluntária dos Choctaw

A nação Choctaw ou Chacta vivia no que atualmente são os estados americanos de Alabama, Mississippi e Louisiana. Depois de uma série de tratados iniciados em 1801, os territórios dos índios estavam reduzidos a 45.000 Km². O Tratado de Dancing Rabbit Creek cedeu à União os antigos territórios selvagens. O Tratado foi ratificado em 1831.

O Secretário da Guerra Lewis Cass foi indicado por George Gaines para gerenciar a remoção. Gaines decidiu que a remoção se daria em três fases, de 1831 a 1833: A primeira começou em 1 de novembro de 1831 com os grupos sendo reunidos em Memphis e Vicksburg. Inicialmente os índios Choctaws foram transportados em carroções mas as nevascas do inverno dificultaram esse procedimento. Com a diminuição da comida, os moradores de Vicksburg e Memphis ajudaram e conseguiram cinco barcos a vapor (o Walter Scott, o Brandywine, o Reindeer, o Talma e o Cleopatra). O grupo de Memphis viajou pelo Arkansas por 95 km. Com a temperatura abaixando e os rios congelando, a viagem parou por semanas. A comida foi racionada. Quarenta carroções do governo foram enviados à Arkansas Post e levaram os nativos para Little Rock. Foi ao chegar a esse local que o chefe (Thomas Harkins ou Nitikechi) disse ao jornal Arkansas Gazette que a remoção fora uma "trail of tears and death" (uma trilha de lágrimas e morte). O grupo de Vicksburg teve um guia incompetente e se perdeu nos pântanos do Lake Providence.


O filósofo francês Alexis de Tocqueville testemunhou a remoção Choctaw em Memphis (1831)(tradução aproximada):

Pairava no ar um sentimento de ruína e destruição, o fim dos atraiçoados e um inexorável adieu; ninguém poderia assistir aquilo sem sentir um aperto no coração. Os índios estavam quietos, sombrios e taciturnos. A um deles que falava inglês eu perguntei porque os Chactas estavam deixando suas terras. "Para ser livre," o nativo me respondeu. Nós... assistíamos era a expusão... de um dos mais famosos e antigos povos americanos.
— Alexis de Tocqueville, Democracy in America

Cerca de 15.000 Choctaws foram para o "Território Indígena" (atual Oklahoma).

Entre 2.500 e 6.000 índios morreram durante a remoção. De 5.000 a 6.000 Choctaws permaneceram no Mississippi em 1831.

Os Choctaws que escolheram ficar foram objeto de intimidação legal e perseguição. Os índios tiveram suas casas derrubadas e queimadas e o gado debandado".

Resistência Seminole

A Flórida foi adquirida pelo governo americano após o Tratado de Adams-Onís firmado com os espanhóis e se tornou uma possessão em 1821. Em 1832 os Seminoles foram chamados para um encontro em Payne's Landing no Rio Oklawaha. Ali foi negociado o tratado da remoção dos índios para o Oeste. Eles deveriam ficar nas reservas Creek. Os Seminoles pertenceram à tribo Creek originalmente, mas depois se separaram, sendo então considerados desertores. Devido à isso eles não queriam se mudar para o Oeste pois certamente entrariam em conflito com sua antiga tribo. A delegação de sete caciques que deveria inspecionar a nova reserva não deixaria a Flórida até outubro de 1832. Depois de percorrer a área e contatar os Creeks, os chefes assinaram o documento em 28 de março de 1833, aceitando as novas terras. Mas ao voltar para a Flórida, muitos deles negaram o documento, dizendo que não o haviam assinado ou foram forçados a fazê-lo. Diziam não ter o poder de decidir por todas as tribos e bandos que moravam na reserva. Mas os nativos da área do Rio Apalachicola acabaram sendo persuadidos e se foram para o Oeste em 1834.

Em 28 de dezembro de 1835 um grupo de Seminoles e escravos fugidos emboscaram uma companhia do exército americano que tentava forçar a remoção dos Seminoles resistentes. De 110 militares apenas três sobreviveram, o que deu início a Segunda Guerra Seminole.

A Flórida começou a se preparar para a guerra. A milícia de St. Augustine pediu ao Departamento da Guerra 500 mosquetes emprestados. Quinhentos voluntários foram reunidos pelo Brigadeiro General Richard K. Call. Os guerreiros índios percorreram fazendas e povoados, obrigando as famílias a fugirem para as cercanias dos fortes, cidades maiores ou saírem do território. O líder guerreiro Osceola atacou um trem de suprimentos, matando oito dos guardas da milícia e ferindo seis outros. A maior parte dos suprimentos foi recuperado pela milícia após uma luta, dias depois. Plantações de cana na costa sul do Atlântico, em St. Augustine, foram destruídas e os escravos se juntaram aos Seminoles.

Os líderes guerreiros Halleck Tustenuggee, Jumper e os Seminoles negros Abraham e John Horse prolongaram a resistência nativa e enfrentaram o exército. A guerra terminou dez anos depois de iniciada, em 1842. O governo americano estimou ter gastado 20.000.000 de dólares com o conflito, uma soma astronômica para a época. Muitos índios foram forçados ao exílio para as terras Creek, ao Oeste do Mississippi; outros ficaram isolados nos Everglades. No fim, o governo desistiu de perseguir os Seminoles que ficaram nos Everglades (cerca de 100) e deixou-os em paz.

Seminole

Divisão Creek

Depois da Guerra de 1812, alguns líderes Muscogee como William McIntosh assinaram tratados que cediam terras na Geórgia. Em 1814, com o Tratado do Forte Jackson, a Nação Creek seria dividida em facções, bem como todas as tribos do Sul.

Líderes Creeks amigáveis aos colonos americanos tais como Selocta e Grande Guerreiro, apelaram pela manutenção da paz ao presidente Andrew Jackson. Jackson endureceu as negociações com os resistentes e ignorou partes do Tratado de Ghent que beneficiavam as nações indígenas.

Em 12 de fevereiro de 1825, contrariando muitos nativos, McIntosh e outros chefes assinaram o Tratado de Indian Springs, que cedeu a maioria das terras Creek remanescentes na Georgia. Após o Senado americano ratificar o tratado, McIntosh foi assassinado em 13 de maio de 1825, por Menawa, um líder Creek.

O conselho Creek, liderado por Opothle Yohola, protestou junto ao governo americano, chamando o tratado de fraudulento. O presidente John Quincy Adams concordou em tornar nulo o tratado e um novo acordo foi assinado, o Tratado de Washington (1826).


Entretanto, o governador Troup da Georgia ignorou o novo documento e começou a pressionar os índios para que deixassem as terras. De início, o presidente Adams interveio com tropas federais, mas o governador chamou a milícia. Adams, temendo uma guerra civil, cedeu.

Forçados a sair da Georgia, os Creeks foram para o Território Indígena. Cerca de 20.000 nativos dessa tribo permaneciam no Alabama. Então houve uma mudança da lei que obrigava os índios a se submeterem as regras do estado. Opothle Yohola apelou ao presidente Andrew Jackson por proteção no estado, sem sucesso. Então foi assinado o Tratado de Cusseta em 24 de março de 1832, que dividiu as terras Creek em assentamentos individuais. Com o tratado os Creeks poderiam vender seus assentamentos e conseguir dinheiro, inclusive para se mudarem para o Oeste. Especuladores de terras e aproveitadores começaram a expulsar os índios e a violência levou a chamada "Guerra Creek de 1836". O Secretário da Guerra Lewis Cass enviou o general Winfield Scott para colocar termo ao conflito e forçar a remoção dos índios para o Território Indígena ao Oeste do Rio Mississippi.

Remoção dos Chickasaw

Ao contrário das outras tribos, os Chickasaw receberam indenização financeira do governo por suas terras a leste do Rio Mississippi. Em 1836 os Chickasaws concordaram com o negócio após conversações que duraram cinco anos. O primeiro grupo de Chickasaws partiu em 1837 e foram liderados por John M. Millard. Reunidos em Memphis em 4 de julho de 1837, os indios cruzaram o rio Mississippi seguindo as rotas usadas pelos Choctaws e Creeks. No Terrítório Indígena, os Chickasaws se misturaram aos Choctaw e formaram depois de muito tempo, a Nação Chickasaw.

A remoção forçada Cherokee

Em 1838, a nação Cherokee foi removida de suas terras na Georgia para a atual Oklahoma, o que resultou na morte de aproximadamente 4.000 índios.

Na linguagem Cherokee, o evento é chamado de Nunna daul Isunyi—“O caminho onde eles choraram”. A trilha Cherokee das lágrimas foi resultado do Tratado de New Echota, documento com base na lei de 1830 (Indian Removal Act). O tratado assinado pelo Partido Ridge nunca foi aceito pelos líderes ou a maioria da tribo Cherokee, representada no Partido Ross.

As tensões entre a Georgia e os Cherokees se acirraram com a descoberta de ouro nas proximidades de Dahlonega Georgia, em 1829. Foi a primeira corrida do ouro na história dos EUA.

A Georgia estendeu as leis do estado para as tribos Cherokee em 1830, o que gerou conflito legal e chegou a Corte Suprema em 1831 como o pleito Nação Cherokee vs. Georgia. O juiz John Marshall não reconheceu a nação Cherokee e recusou-se a continuar com o caso. Contudo, em Worcester vs. Estado da Georgia (1832), a Corte sentenciou que o estado não poderia impor leis no território Cherokee. Apenas o governo federal teria essa autoridade.

Com a lei de 1830, o Congresso deu ao presidente Jackson a autoridade para negociar a remoção dos índios. E pressionado pela disputa com a Georgia, o presidente forçaria os índios a assinar o tratado de remoção.

Com o Tratado de New Echota e a resistência ao mesmo, o sucessor de Jackson, o presidente Martin Van Buren organizou as milícias da Georgia, Tennessee, Carolina do Nortee Alabama para manter 13.000 Cherokees acampados até que fossem enviados para o Oeste. A maioria das mortes ocorreu por difterias, infecções e gripes que assolaram esses acampamentos. Um dos soldados da operação sob as ordens do general Winfield Scott, escreveu:

Eu lutei nas guerras entre paises e atirei em muitos homens, mas a remoção Cherokee foi o trabalho mais cruel que eu conheci.
—Soldado da Georgia que participou da remoção

Os Cherokees removidos se fixaram inicialmente nas proximidades de Tahlequah, Oklahoma. Os líderes políticos que levaram aos tratados de Nova Echota e a Trilha de Lágrimas foram assassinados (Major Ridge, John Ridge e Elias Boudinot); dos líderes do Partido Ridge, apenas Stand Watie escapou dos assassinos. A população Cherokee se recuperaria e hoje são esses índios o maior grupo nativo americano.

Major Ridge, John Ridge e Elias Boudinot
Fontes: Wikipédia e Perdida na História

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