21/06/2016

Desvendando o verdadeiro significado do 'número da besta' e outros mitos do Apocalipse


Dragões, cavalos com cabeça de leão e cordeiros com sete olhos. Essas são algumas das visões do Apocalipse - uma palavra que vem do grego antigo "revelação" e é descrita no último, mais estranho e mais controverso livro da Bíblia cristã.

O "livro da revelação" consiste em uma série de visões que seriam uma profecia do fim dos tempos. Foi usado ao longo da história para explicar desastres que vão da peste ao aquecimento global, passando pelo acidente nuclear de Chernobyl.

Na matéria abaixo falaremos de alguns estudos históricos relacionados com alguns mitos do Apocalipse, assim como do famigerado 666, "o número da besta".

Algumas figuras e palavras conhecidas, como por exemplo Armagedom, também vêm do Apocalipse, embora nem todos saibam disso. Quando João escreveu o livro, no século 1, ele não estava apenas querendo explicar acontecimentos futuros.

Alguns acadêmicos acreditam que ele usava códigos e símbolos para alertar os cristãos da época sobre a adoração ao imperador de Roma e lançar um ataque ao poderoso regime.

O "número da besta" - 666 - é, talvez, a referência mais famosa do Apocalipse. O trecho que o cita diz: "Quem tiver discernimento, calcule o número da besta, pois é número de homem, e seu número é 666".

Juízo Final em quadro de John Martin; Deus aparece no trono e, à esquerda, as forças de Satã são derrotadas
Até hoje o 666 é usado para falar sobre a imagem do mal, apesar de haver estudos que afirmam que o verdadeiro número da besta seria 616, e que o 666 não passa de um erro de tradução, mas discutir essa questão não faz parte do enfoque desse texto.

Era comum, na Antiguidade, usar números para disfarçar um nome. Nos alfabetos grego e hebraico, toda letra tem um número correspondente. Então, se você somasse todas as letras do seu nome, você tinha um código numérico.

O professor Ian Boxall, da CUA (Catholic University of America), dá um exemplo com Anna.


"A" vale 1 e "N" vale 50. Anna, então, seria 102.

Se você escrever o nome do imperador Nero Cesar no alfabeto hebraico (em hebraico Nero de Cesar se escreve tal como na figura abaixo), a equação fica: 200+60+100+50+6+200+50=666.


Historiadores acreditam que a perseguição de Nero a cristãos em Roma fez com que ele fosse uma figura odiada pelos primeiros cristãos, e que tal fato teria espalhado o mito do número 666 ser relacionado com o demônio.

Alguns texto e artigos (como esse AQUI por exemplo) afirmam que vários anti-cristos passaram pela terra, e em alguns desses materiais Nero é citado como um possível anti-cristo.

O assunto gera polêmica entre historiadores e pessoas que acreditam nos antigos escritos. A ciência afirma que Nero e sua perseguição aos Cristãos motivou a descrição do 666 como número do demônio, como o estudo do professor Ian Boxall sugere, já o outro grupo acredita que Nero tenha de fato sido um poderoso agente do diabo, e por isso seu nome teria tal ligação com o número da besta.

Outros mitos

Diversos outros mitos conhecidos vêm do Apocalipse - e têm relação com a situação de Roma na época.

Nem todo mundo sabe, por exemplo, que Armagedon vem da Batalha do Armagedon, descrita no livro. O nome Armagedon é baseado no nome do Megido, um monte que hoje fica em Israel.

Segundo estudiosos, "ar" (ou "har") significa monte em hebraico, e "magedom" (ou "magedo") equivale a Megido. Na época de João, o Megido era um sangrento campo de batalha e abrigava uma das legiões mais cruéis de Roma.

A batalha do Armagedom é uma luta entre o bem o mal - Deus e Satã - durante os últimos dias do mundo.

Já os cavaleiros do Apocalipse são quatro homens, em cavalos nas cores branca, vermelha, preta e verde. Eles soltariam no mundo a morte, guerra, fome e conquista, representando a violência resultante de escolher não seguir a palavra de Deus - a Roma imperial.

Outra imagem famosa do livro é a da besta do apocalipse e suas sete cabeças, que emerge do oceano e exige ser adorada. O nome de uma blasfêmia está escrito em cada uma das suas cabeças.


A besta seria Roma, e suas cabeças representariam os sete imperadores que a Roma antiga havia tido naquele tempo. Os nomes de blasfêmias representam a tendência dos imperadores romanos de se chamarem de deuses.

Influências

Até hoje, o Apocalipse tem influência na cultura a aparece em várias referências modernas.

Entre os filmes que fazem referência a ele estão O Sétimo Selo (1957), Fim dos Dias(1999), Filhos da Esperança (2006) e É o Fim (2013) - todos usam a imagem do fim do mundo.

Na literatura, estão entre os exemplos best sellers como a série Deixados para Trás(1995), O Nome da Rosa, de Umberto Eco (1980) e Revelação, de CJ Sansom.

Muitos músicos, de compositores clássicos a bandas de heavy metal, foram influenciados por temas da revelação.

O Iron Maiden batizou seu disco de 1982 de The Number of the Beast (O número da besta), enquanto o álbum do Muse de 2006, Black Holes and Revelations, traz os Cavaleiros do Apocalipse na capa.

Fonte: BBC

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