24/04/2017

Carpinteiro idoso dos EUA é identificado como nazista que comandou massacres na Polônia


Apesar de já ter passado algumas décadas do seu final, os gritos de horror da segunda guerra mundial ainda ecoam nos dias de hoje, quando o mundo volta a viver uma grande tensão militar que, segundo os mais pessimistas e até especialistas, pode nos levar a terceira guerra mundial. Descobertas como essa feita pela Associated Press, de que um suposto criminoso de guerra nazista teria sido descoberto  vivendo nos EUA, mostra como estes ecos do passado continuam a causar efeitos nos dias atuais. Confiram mais a respeito desse curioso assunto na matéria a seguir.

Um criminoso nazista descoberto nos EUA

O carpinteiro aposentado Michael Karkoc, de 98 anos, foi um oficial das SS que devastou povoados. Sua identidade foi revelada após uma investigação da AP (Associated Press), mas a família dele nega.

Portava a caveira e as runas com orgulho. Matou homens, mulheres e crianças. Arrasou povoados inteiros. Era a fera de Chlaniów (Polônia). Durante décadas, se ocultou nos Estados Unidos, procurou um lar e teve família. Agora, depois de uma longa peripécia jornalística e judicial, sua identidade foi confirmada. O carpinteiro Michael Karkoc, um pacato ancião de Minneapolis, foi o comandante da Legião de Autodefesa Ucrânia, subordinada às letais SS de Hitler.


Aos 98 anos, o passado se voltou contra ele. A promotoria polonesa se diz “100% convencida” de quem é o antigo nazista e anunciou que vai pedir a sua extradição devido aos massacres cometidos durante a Segunda Guerra Mundial na região de Lublin.

Não será a primeira vez que ele enfrentará a Justiça. Há quatro anos, depois que uma investigação realizada pela agência AP trouxe seu caso à tona, o ministério público alemão quis levá-lo a julgamento. A família de Karkoc conseguiu barrar a iniciativa apresentando documentação médica que supostamente demonstrava sua incapacidade de ser processado. “Não existe nenhuma prova que mostre que meu pai tenha tido alguma coisa a ver com atividades criminosas”, diz o filho de Karkoc.


Casa de Karkoc
Esses argumentos não detiveram os promotores poloneses. Como seu país não permite julgamentos em ausência do réu, querem reexaminar o caso em seu território. Ao mesmo tempo, o “caça-nazistas” Efraim Zuroff, do Centro Simon Wiesenthal, adiantou que solicitará uma análise por médicos independentes.

A reconstituição da AP, baseada em testemunhos oculares e documentos, defende que Karkoc ingressou no Exército alemão em 1941. Brutal e determinado, logo recebeu uma Cruz de Ferro e pediu sua entrada na Legião de Autodefesa Ucrânia. Quando esse corpo de exterminadores foi absorvido pelas SS, as unidades de elite hitlerianas, Karkoc brilhou com luz própria e alcançou o posto de comandante.

As atrocidades cometidas por essa brutal manada de nazistas foram inúmeras, mas o acusado é perseguido por ter dirigido uma operação de castigo contra o povoado de Chlaniów – a única para a qual há testemunhas oculares.


Ocorreu em 23 de julho de 1944. Após a morte do comandante oficial, a corpo decidiu fazer uma represália à população civil. Com a ordem de “liquidar Chlanów”, os homens de Karkoc se lançaram à barbárie: queimaram casas e mataram a tiros 44 homens, mulheres e crianças. Outras localidades menores também foram arrasadas.

Depois da matança, a pista de Karkoc começa a se dissipar, como muitas outras coisas nos dias finais da guerra. Suspeita-se que ele esteve em outras unidades das SS e que, como parte de uma delas, pode se dedicar à repressão de membros da resistência eslovena. Não há certezas. Acabado o conflito, seu rastro desaparece até que, em 1949, solicita entrada nos Estados Unidos. Nos documentos, ele alega que não fez o serviço militar e que durante a guerra trabalhou com seu pai. Dez anos depois, recebeu a nacionalidade norte-americana. Meio século mais tarde, foi descoberto. O passado o espera.

Polônia pede extradição de idoso residente nos EUA acusado de crimes nazistas

O Instituto para a Memória Nacional da Polônia (IPN, sigla em polonês), uma instituição pública encarregada de investigar os crimes cometidos durante o nazismo e o comunismo, pediu a extradição de um idoso de 98 anos residente nos Estados Unidos, a quem acusa de ter feito parte da SS e assassinado 44 poloneses.

O IPN tem a "certeza" que Michael Karkoc, um aposentado residente no estado americano de Minnesota, é o mesmo tenente da seção ucraniana da SS (Legião Ucraniana de Autodefesa) que, em julho de 1944, ordenou o massacre de pelo menos 44 poloneses na cidade de Chlaniow, segundo confirmaram à Agência Efe fontes do Instituto.

Os historiadores do IPN acreditam que Karkoc também poderia ser o responsável de outros crimes durante sua etapa a serviço do exército nazista, no qual ingressou em 1941, e trabalham para obter mais provas.

Os pesquisadores do IPN remeteram à Justiça polonesa a documentação necessária para solicitar aos Estados Unidos a extradição de Karkoc, que emigrou para esse país em 1949 e ostenta a nacionalidade americana desde 1959.



Durante a Segunda Guerra Mundial, centenas de simpatizantes dos partidos nacionalistas do oeste da Ucrânia se uniram às forças nazistas, e grupos como a Legião Ucraniana se destacaram por sua violência especial contra os poloneses.

A Polônia tinha ocupado anteriormente uma faixa do oeste da Ucrânia, e a submeteu a uma forte "polonização".

Esta não é a primeira vez que Michael Karkoc é investigado, já que a Justiça alemã reivindicou sua extradição há quatro anos, mas os familiares de Karkoc apresentaram um boletim médico que demonstrava sua incapacidade para responder a um processo devido ao mal de Alzheimer.

Caso aconteça a extradição e as acusações sejam comprovadas, Karkoc poderia passar o resto de sua vida em uma prisão polonesa.


Fontes: A Vida no Front e G1

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