21/12/2014

O tabuleiro Ouija: O jogo do copo


Saudações amigos e amigas. Hoje vou falar um pouco sobre um dos temas mais clássicos do terror: o jogo do Copo, ou as tábuas Ouija. Quando garoto eu já pratiquei essa forma de comunicação com os mortos. Eu considero um erro chamar essa prática de jogo, afinal de contas isso passa a impressão de que tudo não passa de uma brincadeira, mas não é bem assim, afinal mexer com coisas de ordem sobrenatural nunca pode ser visto como brincadeira. Com o passar dos anos eu parei de "brincar" com isso, e acabei eliminando minha tábua ouija (eu havia feito um tabuleiro, imprimindo uma imagem do Ouija em tamanho grande e colando a mesma sobre uma madeira).

A Ouija ou Tábua Ouija, criada para ser usada como método da necromancia ou comunicação com espíritos, é qualquer superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel.

Os participantes colocam os dedos sobre o indicador que então se move pelo tabuleiro para responder perguntas e enviar mensagens. Há um jogo de tabuleiro registrado no Departamento de Comércio norte-americano com o nome de Ouija, mas a designação passou a ser usada para caracterizar qualquer tabuleiro que se utilize da mesma ideia.

No Brasil há uma variante conhecida como a brincadeira do copo ou o jogo do copo, em que um copo faz as vezes do indicador para as respostas. Existem também apoios para a utilização de lápis durante as sessões.

A origem

Comunicação com os espíritos sempre existiu de uma forma ou outra, basta pegar os manuais de invocação que você encontra em livros como São Cipriano, mas quem se comunicava eram os bruxos e estudiosos do assunto. Em 1848 tudo mudou, pois uma família comum de um vilarejo próximo à cidade de Rochester, estado de Nova York, chamado Hydesville começou a se comunicar com os espíritos através debatidas (raps), conseguindo respostas como 'sim' e 'não' para as perguntas. A notícia se espalhou e desse episódio surgiu o espiritismo moderno.

Casa da família Fox
No dia 11 de dezembro de 1847, a família do Sr. John D. Fox mudou-se para um vilarejo próximo a cidade de Rochester, estado de Nova York, chamado Hydesville, para uma casa que a vizinhança e os antigos moradores diziam ser mal-assombrada. O Sr. Fox tinha três filhas, sendo que, Margaret (também chamada de Maggie) (1833-1893) e Kate (1837-1892) moravam com ele e a outra filha, Leah (1814-1890), morava em Rochester.


Durante quatro meses que a família esteve morando no lugar, eles puderam ouvir batidas e alguns arranhões. No inicio os eventos eram raros, mas em Março de 1848 as batidas na parede de madeira da casa passaram a ficar mais intensas, acontecendo várias vezes ao dia e com extrema violência. Móveis começaram a ser arrastados, o que deixou a família Fox muito assustada, especialmente as duas filhas do casal. No dia 31 daquele mês, Kate, que não aguentava mais a situação, resolveu desafiar a entidade, ela bradou em alto e bom tom que iria bater palmas, e que a entidade tentasse repetir com golpes contra a parede. A entidade passou então a repetir com golpes o que a jovem fazia com palmas. Isso levou os Fox a acreditarem que a entidade era dotada de inteligência, e passaram a realizar outros contatos, onde as irmãs faziam alguma pergunta a qual a entidade responderia "sim" com duas pancadas e "não" com uma pancada.


Dessa forma as interações entre os Fox e a entidade levaram a família a descobrir que o espírito teria pertencido a um mascate que tinha sido assassinado naquela casa há cinco anos e enterrado ali mesmo.

Excitados com esse acontecimentos, a família Fox chamou alguns vizinhos na mesma noite para testemunhar os acontecimentos. Na presença deles ela continuou conversando com o mascate e descobriu seu nome, Charles B. Rosma, e detalhes de sua vida.

A notícia se espalhou rapidamente, e muitas foram as pessoas que rumaram para a casa da família Fox afim de ver, ou ouvir, por si mesmos os eventos estranhos que estavam acontecendo no local.

Para facilitar a comunicação foi criado um sistema onde o número de batidas seguidas correspondia a letras, sendo um batida = A, duas batidas = B, e assim por diante. Esse processo não era muito otimizado e gerava vários erros de interpretação, além de ser difícil relacionar letras e batidas quando se está na empolgação de um evento como esse. Assim começou-se a procurar métodos para facilitar a comunicação.

Bolaram então a planchette, que nada mais era do que uma base em forma de coração com rodinhas e um lápis acoplado, na qual o médium apoiava sua mão. Tornou-se bastante popular em 1860. Só tinha um problema: ninguém conseguia entender os garranchos que eram escritos!

Foi então desenvolvido o Tabuleiro Falante, que tinha as letras do alfabeto, sim, não, números e boa noite (havia variações). Funcionava assim: duas pessoas sentavam de frente e apoiavam o tabuleiro sobre as pernas. Pegavam a planchette e ela deslizava pelo Tabuleiro Falante. Bem mais prático! Com o tempo, as pessoas foram trocando a planchette por um simples copo.

Há também fontes que afirmam que o princípio tabuleiro desse tipo teria sido aperfeiçoado por um espiritualista chamado M. Planchette, que teria inventado o indicador de madeira, que é utilizado até hoje, por volta de 1853. O indicador é chamado de planchette em sua homenagem.

Assim, em 1898, Charles Kennard, William Fuld o Ouija Board (tabuleiro Ouija). Foi um sucesso. Era vendido como brinquedo e quase toda casa americana tinha um.

Quem não tinha uma tábua Ouija e não tinha dinheiro para comprar, deu um jeito e bolaram a famosa brincadeira do copo. Existem até algumas variantes que simplificaram ainda mais o tabuleiro, como o jogo da caneta e do compasso.


A comunicação com os espíritos continuou a sua evolução e temos o uso da tecnologia a nosso favor, como a Transcomunicação Instrumental e os FVEs. (fenômenos de voz eletrônicas).

Explicação da ciência

Cientistas céticos atribuem o funcionamento do tabuleiro Ouija ao efeito ideomotor. As pessoas participantes da sessão involuntariamente exercem uma força imperceptível sobre o indicador utilizado, e a conjunção da força exercida por várias pessoas faz o objeto se mover. O físico inglês Michael Faraday realizou vários experimentos que comprovaram que os movimentos das mesas girantes, atribuídos a fontes ocultas, eram realizados inconscientemente pelos próprios participantes dos experimentos. O mesmo princípio se aplica ao Tabuleiro ouija.

O mágico ilusionista e cético estadunidense James Randi também realizou um experimento, citado em seu livro An Encyclopedia of Claims, Frauds, and Hoaxes of the Occult and Supernatural, demonstrando que quando vendados os participantes do tabuleiro Ouija não conseguem produzir mensagens inteligíveis.

Os espiritualistas que acreditam na possibilidade de contato com o mundo dos mortos argumentam que vendar os olhos dos participantes da mesa prejudica suas supostas capacidades mediúnicas. Eles argumentam que o espírito utilizaria os sentidos do participante durante as sessões. Os adeptos dessa teoria acreditam que o tabuleiro não tem poder em si mesmo, servindo apenas como ferramenta para o médium se comunicar com o mundo dos espíritos.

Críticas e alertas

Além das críticas científicas dos céticos, o tabuleiro Ouija também é criticado entre os espiritas. Edgar Cayce declarou essa prática como perigosa. Críticos avisam que maus espíritos poderiam enganar os participantes de forma a se ligar energeticamente a essas pessoas, ou seja, os espíritos malignos se tornariam parasitas.

No meio especializado há diversos avisos contra o uso do tabuleiro por pessoas desavisadas. Há também notícias de tabloides relatando casos de suposta possessão demoníaca em decorrência de sessões envolvendo espíritos malignos.


A Igreja Católica critica o tabuleiro e a brincadeira do copo, assim como as experiências de seus fiéis na busca do contato com os mortos em geral. A recomendação dos padres é que os fiéis se mantenham distantes de participações nesse tipo de evento. Segundo o padres exorcista Gabriele Amorth, este tipo de jogo pode contactar demônios. Em seus livros ele relata inúmeras possessões causadas pelo uso desses jogos.

Gabriele Amorth
Da mesma forma, Igrejas Evangélicas definem essas práticas como "brincadeiras com demônios".

A Doutrina Espírita orienta no O Livro dos Médiuns que estas práticas devem ser evitadas porque, normalmente, são utilizadas para curiosidades em geral e somente são feitas perguntas vãs, longe da seriedade exigida no intercâmbio com a espiritualidade benfeitora. Assim, o espiritismo considera que é mais provável a presença de espíritos levianos e zombeteiros, sem nenhum interesse com a verdade e com a dignidade, do que espíritos bons e esclarecidos comprometidos com a divulgação de propostas morais e éticas.

Como fazer o jogo do copo

Se você leu o texto acima, e mesmo depois dos alertas dos últimos parágrafos decidir fazer o jogo você pode seguir o procedimento abaixo. Eu recomendo que ninguém realize esse ritual, mas se mesmo assim você optar por fazer acho correto seguir passos o mais corretos possíveis. Estejam cientes que vocês estão por conta e risco. Volto a repetir, EU NÃO ACONSELHO NINGUÉM A FAZER TAL "JOGO".

Assista abaixo um vídeo que fala de jovens que acabaram possuídos depois de fazer essa brincadeira no México.


Clique AQUI para assistir o vídeo direto do You Tube

Algumas fontes afirmam que é necessária a presença de um médium, ou uma pessoa com certas habilidades para que o jogo dê certo.

Você deve realizar o ritual em grupo. Você até pode tentar fazer isso sozinho, mas além de ser muito raro dar certo, é mais perigoso se você tentar sozinho.

Caso você não tenha um tabuleiro Ouija, você deverá cortar pedaços retangulares de papel em tamanhos iguais e neles escrever todas as letras do alfabeto e os números de 0 a 9. Deverá escrever também as palavras Sim, Não e Sair.

Coloque tudo em um círculo, e o copo deve ficar no centro. Em seguida é aconselhável realizar uma oração antes de realizar o ritual. Reze de preferência um Pai-Nosso.


Agora, todos os presentes colocam o dedo indicador sobre o copo, e um faz a pergunta. Começa com "Tem algum espírito aqui?". Aguarde o copo se mover.

Se o copo se mover é aconselhado que vocês perguntem a respeito da índole da entidade. Exijam que a entidade responda em nome de Deus.

Quando quiser terminar a brincadeira, diga que deseja sair. Aguarde o copo ir para o "sair" e pronto, você acabou de participar de uma experiência sobrenatural!

Dicas:

- Crie o ambiente! Acenda uma vela, apague todas as luzes, conte umas histórias de quem fez antes a brincadeira. Crie um clima para o que vai fazer. Se fizer no meio da tarde ouvindo uma música agitada não vai ser a mesma coisa.

- Não faça perguntas do tipo "O Gustavo gosta de mim", "Quando vou morrer", "A Karina vai na escola amanhã?". O espírito não tem como saber disso, ele não é um oráculo!

- Faça perguntas objetivas! Imagina o trabalho que seria para responder: "O que vai cair na prova amanhã?". Seja objetivo!

- Não irrite o espírito e nem peça sinais físicos, como pedir para ela abrir a porta ou fazer ventar. Concentre-se no copo mexendo.

- Não vá fazer a brincadeira em estado alterado de consciência, ou seja, bêbado ou drogado! A chance de um espírito ruim vir "conversar" com vocês será bem grande.

Referências a tábua Ouija no cinema e Tv

  • Na série televisiva Sobrenatural, Sam usa um tabuleiro Ouija para se comunicar com seu irmão Dean quando este se encontrava em coma pelo acidente de carro que foi sofrido pela dupla e seu pai.
  • Apareceu logo no início do livro 4 da série Diários do Vampiro de L.J Smith, onde a personagem Bonnie, uma suposta médium, tenta se comunicar com a amiga Elena após sua morte.
  • Na série Televisiva "Charmed", o aparecimento é constante desde o episódio piloto.
  • O escritor G. K. Chesterton utilizou um tabuleiro Ouija durante um período de depressão e ceticismo e depois disso passou a ser fascinado pelo ocultismo.
  • Michelle Pfeiffer utiliza um tabuleiro ouija no filme Revelação,Brandon Flowers, vocalista da banda The Killers, utilizou o tabuleiro e passou a ter medo do número 621. A data também se relaciona com o dia de seu aniversário, 21 de junho.
  • No filme O Exorcista de 1973, Regan Macneil é possuída depois de utilizar um tabuleiro Ouija.
  • Também na serie televisiva Assombrações do Discovery Channel, uma médium usa o tabuleiro para falar com um espírito demoníaco chamado Aloysius
  • Na série de TV O Mundo Perdido o tabuleiro Ouija é usado por todos os personagens para se comunicar co Ned Malone no mundo espiritual.
  • No clipe Memórias (canção) da Pitty, usam o tabuleiro em um cemitério.
  • O guitarrista da banda estadunidense Metallica, Kirk Hammet, possui uma guitarra com o fundo caracterizado como um tabuleiro de Ouija.
  • No filme Atividade Paranormal de 2008, as personagens tentam contato com um suposto fantasma ou demônio utilizando este tabuleiro.
  • Na série de TV Kyle XY, Kyle tenta descobrir coisas sobre o seu passado utilizando um tabuleiro ouija.
  • Na série YuGiOh!, o personagem Bakura utiliza uma carta com o tabuleiro, fazendo o monstro Necrófaga das Trevas escrever a palavra FINAL. Se a palavra tivesse sido completada, Yugi teria perdido o duelo automaticamente.
  • Na série Friends, no episódio 14 da 3ª temporada, as personagens Phoebe Buffay e Mônica Geller aparecem jogando logo no início do episódio, mas o assunto não é explorado pela série.
  • No álbum The Drug in Me Is You da banda Falling In Reverse há uma faixa chamada "Don't Mess With Ouija Boards"
  • O guitarrista da banda Black Veil Brides tem uma guitarra em que aparece o tabuleiro de ouija, no videoclipe Perfect Weapon.
  • No jogo Castlevania Symphony of the Night, em Marble Gallery, e possível encontrar um inimigo chamado "Ouija Table", que é uma mesa flutuante.
  • Na música "Ouija board, Ouija board" faixa do disco Bona Drag, o cantor Morrissey, explora o assunto. Na letra da música, a utilização do tabuleiro tem a finalidade de matar a saudade de uma pessoa querida que se foi.
  • No jogo La Piedra de Anamara há uma fase que você usa um Tabuleiro Ouija, para se comunicar com um espírito do jogo.
  • A banda britânica de heavy metal Angel Witch aborda o assunto na música She Don't Lie do álbum Frontal Assault, a música fala sobre uma mulher que após utilizar o tabuleiro ouija é possuída e mata seu amante.
  • Na série de TV Pretty Little Liars, Hanna Marin e Mona Vanderwaal utilizam o tabuleiro para se comunicar com os espíritos e a ele perguntam sobre Alison Dilaurentis e ele dá em resposta alive, informando que a personagem está viva.
  • No livro Os Adivinhos de Libba Bray, a história começa com um grupo de jovens que solta um espírito enquanto utilizavam o tabuleiro de ouija.
O filme Exorcista representa um divisor de águas para o uso do tabuleiro Ouija. Até o lançamento do filme no início da década de 70, o jogo era muito popular, mas após a grande repercussão do filme, muitas pessoas passaram a ter medo do tabuleiro, e jogaram os mesmos fora.

Recentemente em dezembro de 2014 foi lançado o filme "Ouija - Jogo dos espíritos". Na trama, uma adolescente deve lidar com a morte da irmã, e usa Ouija para falar com ela.

Assista o trailer abaixo:


Ou clique AQUI para acessar direto do You tube.

Fontes: Assombrado, Wikipédia, Paranormal e Clube dos Medos.

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1 Comentários
Comentários
Um comentário:
  1. Beleza 'Adm', bela postagem, mas com certeza ela ficaria melhor com seu testemunho do que acontecia quando vc usava o tabuleiro.
    Como vc não contou, nos conte aqui nos comentários.

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