22/06/2014

A morte de Patrice Lumumba e as conspirações da CIA


Volta e meia aparece uma conspiração que envolve alguma suposta maracutaia da CIA, seja no assassinato de alguma pessoa importante e controversa, como na criação de experimentos que visam a manipulação das massas ou mesmo no acobertamento de atividades relacionadas com extraterrestres. Talvez esse órgão do governo estadunidense leve essa fama, por causa de suas atividades altamente secretas durante o período da guerra fria, que, segundo muitos estudiosos, foi o período que que o poder da CIA esteve no auge. Hoje conheceremo mais uma história de assassinato onde a CIA é citada como parte envolvida.

Patrice Lumumba


Patrice Émery Lumumba (Onalua, Congo Belga, 2 de Julho de 1925 –Katanga, 17 de Janeiro de 1961) foi um líder anti-colonial e o primeiro-ministro eleito em junho de 1960 na atual República Democrática do Congo depois de ter participado da conquista da independência do Congo Belga em relação à Bélgica.


No mesmo ano de sua morte, o governo da União Soviética nomeou a importante Universidade Russa da Amizade dos Povos com o nome de Lumumba.

Passadas apenas dez semanas da sua eleição, foi deposto juntamente com o seu governo num golpe de estado, aprisionado e assassinado em janeiro de 1961, em circunstâncias que indicaram provável cumplicidade e apoio dos governos da Bélgica, do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Patrice Lumumba estudou na infância em escolas religiosas católicas e protestantes, única maneira até então de se ter acesso à educação escolar. Suas primeiras experiências políticas viriam anos mais tarde, como trabalhador dos Correios, participando ativamente do Sindicato Independente dos Trabalhadores. Isso lhe valeu a primeira detenção pelas autoridades belgas, onde permaneceu encarcerado por dois anos.

Dentro da prisão, teve seu primeiro contato com movimentos pela independência que culminariam na formação do Movimento Nacional Congolês (MNC) em 1958, primeiro partido político nacional pela independência, que dois anos mais tarde levaria seu líder fundador ao poder. O MNC era a expressão de um nacionalismo burguês africano, ou seja, das tendências incipientes à formação de uma burguesia nacional, que buscava se emancipar do domínio colonial, mas que se mostraria incapaz de fazê-lo.

O MNC agrupava os setores da burguesia e da pequena burguesia mais progressistas do Congo e procurou fazer uma campanha pela superação das disputas regionais e separatistas para unificar e fortalecer o país contra o imperialismo. Além de Lumumba, muitos de seus partidários foram perseguidos e mortos pelo governo colonial.

Mobilizando o povo para forçar a Bélgica a garantir a independência do Congo, o MNC tentou impulsionar uma transição social e política pela via institucional e pacífica, portanto não organizaram nenhuma força armada para combater as tropas coloniais.

Este fato demonstrava claramente as limitações do nacionalismo para levar adiante a revolução pela independência nacional e a sua política de progredir através da colaboração com o regime colonial e o imperialismo belga.

A situação da República Democrática do Congo

Como os amigos e amigas já puderam ler no texto "O holocausto no Congo" os colonialistas belgas que se apoderaram do país africano, rico em diamante, infligiram grande sofrimento ao povo local.

O então Estado Livre do Congo - livre apenas no nome - esteve sob a tutela pessoal do rei belga Leopoldo II, que literalmente ganhou o território em uma decisão aprovada pela Conferência de Berlim de 1885, época em que o colonialismo europeu tomou a liberdade de dividir entre si todo o continente africano. O rei da Bélgica possuía uma “colônia pessoal” 80 vezes maior do que a própria Bélgica.

Sob sua direção, instalou milhares de postos militares e campos de trabalhos forçados. Em apenas 20 anos, a população congolesa diminui de drasticamente, em um dos piores genocídios da história. Empresários belgas e norte-americanos (Rockefeller) rechearam seus bolsos com a exploração de borracha, madeira e azeite.

Em 1908, após uma série de rebeliões populares, o Estado Livre do Congo deixou de ser uma propriedade pessoal e passou a ser administrado como uma colônia da Bélgica, que muda o nome do país para Congo Belga.


No início dos anos 40, enormes transformações atingiram a colônia. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Congo foi a principal fonte mundial de borracha e de minerais essenciais para o equipamento bélico usado pela coligação imperialista dirigida pelos EUA. Para se ter uma ideia, o urânio usado pelos EUA nas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki foram retirados de uma mina congolesa.


A necessidade da exploração para sustentar a guerra deu um grande salto no desenvolvimento das forças produtivas no país, formando uma pequena, mas moderna classe operária, ao lado de milhões de camponeses, que formavam a grande maioria da população. Só em 1941, o Congo possuía 500 mil trabalhadores, a segunda maior concentração operária da África.

Como consequência direta das disputas entre os países imperialistas, uma enorme onda de lutas revolucionárias tomou a maior parte das regiões mais pobres do mundo. Movimentos de libertação nacional e revoluções ocorreram na China, em Cuba, Bolívia, Argélia, Vietnã e outros países. Mais de 50 países na Ásia e na África proclamaram sua independência após um tsunami revolucionário que tomou conta do mundo após a guerra mundial.

O velho sistema colonial imperialista, como resultado direto da crise histórica capitalista expressa primeiro no colapso de 29 e, depois, na hecatombe da guerra mundial, havia se desintegrado por completo. O imperialismo francês perdia todas as suas colônias na África, assim como o governo britânico perdia a Índia. Esta situação revolucionária, que se manifestava na rebelião das massas dentro da colônia, levou a Bélgica a mudar sua estratégia e conceder uma falsa independência ao Congo, a única esperança que as empresas viam para manter o controle sobre as minas congolesas sem possuir mais uma colônia.

A independência foi reconhecida pela Bélgica em 30 de junho de 1960. Lumumba assumiria o cargo de primeiro-ministro e Joseph Kasavubu a presidência. Mas, passados apenas dez semanas de sua posse, um golpe liderado pelo general Moise Tshom depôs o líder da independência, que foi imediatamente capturado e assassinado.

Joseph Kasavubu

A queda do líder popular

As grandes mobilizações revolucionárias de massas em todo o país obrigaram o imperialismo belga a acelerar o processo de independência do Congo. Tirado da prisão, Lumumba foi levado ao poder após a realização de eleições para a escolha do novo governo. O MNC obteve a maioria dos votos e no dia 23 de junho forma-se o primeiro governo nacional com Joseph Kasavubu como presidente e Patrice Lumumba como primeiro-ministro.

Este governo era uma espécie de governo de frente-popular, voltado para um acordo com o imperialismo e a contenção da mobilização das massas, ainda que fosse uma versão mais radical das frentes populares constituídas nos países imperialistas.

Desde o primeiro momento em que Lumumba assumira o poder, o imperialismo belga e norte-americano se esforçava para explorar as fraquezas do nacionalismo burguês, e derrubar o governo eleito para impor uma derrota às tendências revolucionarias das massas. Os capitalistas belgas, vendo seu futuro ameaçado, promoveram uma rebelião de alguns setores do exército liderados por Moise Thombe que resultaria na proclamação da independência da província de Katanga, a região mais rica em diamantes do país. A Bélgica envia tropas a Katanga com a desculpa de proteger seus cidadãos, mas foram enviadas, na realidade, para consolidar o movimento secessionista.

Diante desta situação, o novo governo congolês pediu a presença de tropas das Nações Unidas para restabelecer a ordem. Estas sob influência dos EUA se recusam a enfrentar os soldados belgas, então Lumumba solicitou ajuda da União Soviética. Ao mesmo tempo tenta também reunir os principais líderes africanos em Kinshasa contra o movimento golpista, mas, ao invés disso, Lumumba é destituído do governo pelo presidente Kasavubu no dia 5 de setembro de 1960.

Em 14 de setembro de 1960, o coronel Mobutu Joseph Désiré, ex-sargento da polícia colonial e então coronel do exército durante o governo Lumumba, usado pelo imperialismo norte-americano, toma o controle do Estado e inicia uma onda de terror contra as organizações políticas.

Lumumba toma um avião até Kisangani, sua cidade natal, onde possuía mais apoio, mas ao chegar é preso pelos militares. Estava decretada sua sentença de morte.

Depois de ter sido levado a Leopoldville, partiu para Katanga, onde os separatistas apoiados pelos EUA, pela ONU e pela Bélgica o torturaram e assassinaram, aos 35 anos, no dia 18 de janeiro de 1961.


A conspiração para a morte de Patrice Lumumba

Quando Lumumba solicitou auxilio dos soviéticos, para sufocar a revolta criada pelos governos belgas e dos EUA, que estavam muito preocupados em manter a sua soberania na exploração das minas congolesas, Lumumba acabou atraindo a atenção da CIA para si. Na época, auge da guerra fria, estadunidenses e soviéticos tentavam exercer sua influência entre diversos países. Os norte americanos temiam que o Congo se tornasse uma espécie de Cuba, perdendo de vez sua influência nos tão cobiçados produtos de mineração extraídos do solo congolês.

A CIA passou a acompanhar de perto o líder político do Congo, e segundo os teóricos da conspiração, teria sido a própria agência do governo norte americano quem arquitetou a plano de, primeiro enfraquecer Lumumba politicamente, fazendo com que ele fosse expulso do governo. No segundo momento Lumumba acaba preso, e segundo as conspirações, ele teria sido torturado por agentes da CIA, que queriam saber até que ponto chegava a sua ligação com os soviéticos. O medo da CIA era que já houvessem agente soviéticos atuando no Congo.


Fontes: Causa Operárias e Wikipédia

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1 Comentários
Comentários
Um comentário:
  1. Dos podres da CIA volte e meia ficamos sabendo pelo menos indícios, e aos quilos. Agora, seria interessante vcs publicarem mais sobre a atuação da KGB (vive mudando de nome, já foi NKVD, hj é outra sigla), que nem fizeram sobre o livro dos ets, ficou muito bom.

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