21/04/2015

A lenda da mulher da capa Preta - Maceió


Saudações amigos e amigas. Hoje volto a contar com a dica de uma leitora para mais uma postagem da série de "Histórias e Lendas brasileiras". A dica de hoje nos foi enviada pela Misleidy Medeiros, uma queridíssima e estimada amiga minha de longa data. A Mys, como os amigos mais chegados a chamam, nos sugeriu uma postagem falando da "Lenda da mulher da capa Preta", uma incrível história ambientada na cidade de Maceió - AL.

O Cemitério Nossa Senhora da Piedade, no bairro do Prado, em Maceió, um dos mais antigos do estado, guarda o símbolo de uma lenda urbana existente há dezenas de anos. A réplica, em mármore, de uma capa jogada em uma cruz localizada acima de um túmulo atrai curiosos desde que foi criada.

A lenda da mulher da capa Preta

Conta a lenda que no início do século XX um homem conheceu em um baile uma bela moça por quem se interessou. A partir daí, os dois ficaram juntos durante toda a festa.

"A moça era linda. Quando deu meia-noite ela quis ir embora e falou para o rapaz. Estava chovendo e ele falou que a levaria em casa. O jovem então pegou a capa que trazia e a cobriu. Eles saíram e ela pediu que ele parasse na porta do cemitério, onde ela ficou. Mas antes disse o endereço", contou Antônio Fidelis dos Santos, 77, que faz serviços de limpeza no cemitério há 35 anos e mora no bairro desde que nasceu.

De acordo com a narrativa, o homem foi até a casa da moça. Lá, a família informou que não existia ninguém com o nome informado morando no local, mas que era como se chamava a filha que já havia morrido. Ele se recusou a acreditar no que ouviu e começou a achar que estava sendo vítima de uma peça. Depois de muita conversa, eles foram ao cemitério para que a família mostrasse o túmulo da jovem. Ao chegar no local, ele viu o túmulo e a capa que lhe pertencia em cima da cruz.

Outro morador do bairro, o aposentado Euclides Correia da Silva, 76, disse que trabalhou durante 40 anos como pedreiro no Nossa Senhora da Piedade. “Quando cheguei para trabalhar a capa já estava construída. Sempre perto do dia de finados muitas pessoas visitam o túmulo dela e perguntam sobre a história. Tem pessoas que nem têm parentes enterrados, mas vêm para ver a capa”, falou.

Antônio Fidelis. (Foto: Carolina Sanches/G1)
A técnica de informática Andreia Kalyma disse que ouve versões dessa história desde criança de seu avô, que trabalhou por muitos anos no cemitério como mestre de obras. “Essa família viveu aqui no bairro do Prado e foi uma das mais antigas. A história diz que a mulher morreu com 52 anos, mas apareceu no baile como uma jovem. Ela vivia sozinha e tinha medo de nunca se casar, pois tinha tuberculose, e levou essa insatisfação para o túmulo”.

(Foto: Carolina Sanches/G1)
Andreia disse que o bairro do Prado é um dos mais antigos e tradicionais da cidade. “Meu avô construiu muitos túmulos para as famílias ricas e sempre me falou dessa história. Ele conhecia pessoas da família, pois foi contratado para fazer túmulos para eles”, falou.

A dona do túmulo da capa preta

No túmulo de cor preta que se encontra hoje no cemitério há a inscrição 'Carolina de Sampaio Marques, nascida em 21 de março de 1869 e falecida em 22 de novembro de 1921', em letras romanas. Um funcionário do cemitério disse que algumas vezes viu pessoas limpando o local, mas que isso não acontece há mais de um ano.

Euclides Correia da Silva trabalhou 40 anos no
cemitério. (Foto: Carolina Sanches/G1)
O diretor do cemitério, Flávio Lúcio, disse que sabe que o túmulo pertence a uma família que também possui outro túmulo ao lado do de Carolina, mas que em nove meses que trabalha no local nunca foi procurado por nenhum deles.

Apesar de as versões contadas por moradores antigos e funcionários do cemitério mudarem com relação à carona que a mulher teria recebido, os pontos principais sempre são os mesmos.

Lenda vira tema de bloco de carnaval

A lenda da Mulher da Capa Preta foi tão disseminada em Alagoas, principalmente entre os moradores do bairro, que inspirou a criação de um bloco de carnaval com o mesmo nome.

Há 14 anos, centenas de pessoas se concentram em frente ao cemitério Nossa Senhora da Piedade e saem lepas ruas do bairro.


O idealizador do bloco, o pernambucano Marcos Catende, contou que ouviu pela primeira vez a história quando passeava com uma namorada pela calçada do cemitério. Ele se interessou tanto pelo relato que passou duas semanas indo ao cemitério para saber mais sobre a lenda.

“Ouvi a mesma história de várias pessoas e acredito que isso aconteceu mesmo, até porque há relatos de que a família de Carolina realmente existiu. Eu já havia sido organizador de um outro bloco e vi nesta história um bom tema para o carnaval”, disse.

O bloco da Mulher da Capa Preta sai à noite geralmente em uma data nas prévia carnavalesca. Ao som de bandas de frevo, os foliões saem fantasiados com a temática fúnebre e alguns homenageiam a mulher da capa preta nos trajes.
Fonte: G1

Uma lenda semelhante em Porto Alegre

Uma das coisas mais interessantes que tenho observado desde que comecei a escrever a série "Histórias e Lendas brasileiras", é que muitas lendas aparecem, com pequenas variações, em diferentes estados brasileiros. Acho incrível como certas histórias influenciam o imaginário popular.

Uma lenda idêntica a "A lenda da mulher da capa Preta" é contada como tendo acontecido em Porto Alegre. Essa história foi publicada no livro “Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul”, de Antonio Augusto Fagundes, sob o nome de: "A lenda da moça que dançou depois de Morta".

A lenda da moça que dançou depois de Morta

Diz que um moço foi a um baile, no bairro da Glória, numa noite de sábado. Lá, viu uma moça muito bonita e triste. E sozinha, o que era uma coisa incomum, à época. Dançou com ela o que deu, até que à meia-noite ela disse que precisa ir para casa.

Encantado com sua beleza e comportamento, o moço quis acompanhá-la, ainda mais porque ela estava sozinha. Ao saírem à rua, a moça estremeceu de frio e se abraçou, arrepiada. Então o rapaz, muito educado, ofereceu-lhe a capa, na qual ela se enrolou, agradecida.

Os dois atravessaram o morro da Glória – onde fica o cemitério e desceram um pouco a lomba, como quem vem para o centro. Diante de uma casa a moça parou e disse: “Eu moro aqui”. Quis devolver a capa, mas o rapaz não aceitou, pensando numa desculpa para ver a moça ao meio-dia de domingo... Ela sorriu e nada disse, entrando na casa.

No domingo, perto do meio-dia, o moço voltou a casa, teoricamente para rever a capa, mas na realidade esperando um convite para almoçar e, quem sabe, começar um namoro. Foi recebido por um homem maduro e muito triste. O rapaz só então se deu conta que não tinha perguntado o nome da moça, na noite anterior. Vai daí, disse ao velho:

- O senhor é o pai da moça que mora aqui?
- Aqui não mora moça nenhuma. – Disse o homem triste.
- Mora, sim. Eu vim com ela ontem de um baile e ela entrou aqui. Emprestei a minha capa para ela, porque estava frio e fiquei de vir buscar hoje...
- É engano seu, deve ter sido noutra casa. – Contestou o velho.

E, ao abrir um pouco mais a porta, o rapaz espiou para dentro e viu o retrato da moça na parede. Alegrou-se, apontando:

- Olhe, lá está ela, é aquela do retrato!

Para surpresa dele, o velho olhou e disse:

- Aquela é minha filha, que morreu faz um ano.

O rapaz ficou abobado. Não queria acreditar. Era tão sincera sua surpresa que o velho se ofereceu para levá-lo ao túmulo da filha, no cemitério ali em cima. Foram. E lá estava o túmulo da moça, com seu retrato na cruz e em cima do túmulo, a capa do rapaz.


Será que alguma história semelhante faz parte do folclore de mais algum estado brasileiro? Os amigos e amigos que por ventura conhecerem outra versão para essa lenda, fiquem a vontade para mencionar o assunto nos comentários...

Agradecimentos a querida amiga Mys Medeiros pela grande dica.

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8 Comentários
Comentários
8 comentários:
  1. Essa história do rapaz que conhece a moça em um baile ou festa e depois a leva para casa e no outro dia descobre que já morreu ou quando leva a determinado endereço e descobre que é um cemitério é contada em varias regiões, é um clássico das lendas brasileiras!

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    1. É verdade Carol...essa é uma lenda que aparece em várias cidades diferentes Brasil afora - eu conhecia a versão de Porto Alegre e de São Leopoldo, que é igual a de PoA. Com relação a versão dessa história encontrada em Maceió, é interessante como ela se faz importante no folclore local...é justamente isso que tanto me chama a atenção nesse tipo de lenda.

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  2. A grande maioria das lendas brasileiras foram introduzidas pelos padres portugueses ainda na época colonial para poder "incentivar" ou "intimidar", não sei qual verbo usar, as pessoas a pedirem missas para os mortos. Conforme o Brasil foi crescendo, estas estórias foram sendo levadas e contadas em outras regiões. Por isso que há estórias com muitas características idênticas e outras não de região para região. É como se fosse a antiga brincadeira do telefone sem fio. Cada um vai contando do modo que entendeu.
    Só torço para que esse nosso belo e rico folclore não morra e tenha sempre gente como a Misleidy Medeiros para nos lembrar e mostrar para quem não conheça.

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    1. Pois é manolo...quem cresceu na década de 80/90 ouviu muitos causos curiosos, e lendas urbanas sombrias, mas atualmente essas histórias parecem estar pouco a pouco se perdendo (algumas até são ridicularizadas). Mas acredito com certas lendas e histórias permanecerão por muito tempo no imaginário popular brasileiro...

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  3. Mais uma excelente postagem! Conteúdo bastante completo. A serie de postagens sobre lendas e afins são minhas favoritas. Aqui no Ceará por volta de uns 5 anos atrás, surgiu uma historia sobre uma suposta Mulher-Cavalo, vista na cidade de Jaguaruana. #fica a dica.

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    1. A postagem da mulher cavalo já está agendada para ir ao ar...ela vai ser publicada na primeira semana de maio...

      Abraços manolo

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  4. Bom dia. E a moça do táxi, de Belém do.Pará?

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    1. Verdade, a mulher do táxi é uma ótima ideia!

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