04/06/2015

A sociedade secreta Poro


Existem diversas matérias internet afora a respeito de sociedades Secretas (a maioria nem é tão secreta assim, sendo que o termo "secretas" se refere mais às suas normas mesmo). O assunto, que também já foi diversas vezes abordado aqui no blog Noite Sinistra, geralmente está envolto eu uma aura de conspiração, mistério e códigos de conduta secretos. O objetivo dos integrantes dessas famigeradas organizações geralmente tem haver com poder e manipulação da verdade. Hoje conheceremos uma organização altamente presente na África Ocidental, e voltada para homens.

Poro é uma sociedade secreta masculina, cuja influência é muito forte em países como a Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim e Guiné. Sua origem está associada com a cultura dos povos mandê, que chegaram à África Ocidental há mais de mil anos.

Atualmente, a Poro é responsável por governar a população nativa e regulamentar as atividades políticas, sociais e culturais de seus membros.

A organização conta com poder suficiente para impor suas leis e códigos, mesmo contra a vontade dos integrantes com menos poder de decisão e dos governantes tradicionais, e são seus chefes quem decidem sobre questões que vão desde a fertilidade na agricultura, até o treinamento militar.

Contudo, seu principal papel é religioso, e um dos objetivos da Poro é o de controlar os espíritos e garantir que sua intervenção nos assuntos dos homens seja benéfica.

Depois de aceitos pela sociedade, os novos membros são introduzidos a segredos religiosos e aos poderes da bruxaria. Os integrantes são proibidos de revelar o conhecimento que recebem durante as reuniões e rituais. Quem não obedecer às regras pode ser condenado à morte.

Reuniões

Devido ao voto de segredo que os membros devem fazer ao serem aceitos na Poro, não existem muitos detalhes sobre o que acontece durante as reuniões, mas sabe-se que essa sociedade é estruturada em hierarquias e conta com dialetos, rituais, marcas e símbolos próprios (a exemplo te várias outros grupos secretos).


Além disso, os encontros geralmente ocorrem durante a estação seca — entre outubro e maio — em locais sagrados das florestas próximas aos vilarejos.

Durante as reuniões que ocorrem nos lugares sagrados, os membros costumam discutir assuntos relacionados com a comunidade, e tais encontros são proibidos para quem não é membro. As cerimônias são presididas por um chefe — uma espécie de Grão Mestre — trajando roupas e acessórios ritualísticos.

O traje cerimonial costuma ser composto por uma grande máscara ou adorno para a cabeça feito de madeira e um cajado, e essas peças frequentemente são enfeitadas com crânios e outros ossos humanos, pertencentes a antigos líderes do grupo.

Além disso, o chefe se dirige ao grupo falando através de um longo tubo de madeira que distorce sua voz. Em algumas regiões, mulheres e crianças podem comparecer às reuniões, mas, nessas ocasiões, o chefe não aparece com os apetrechos ritualísticos.

Estrutura e ritual de passagem

Existem três níveis de hierarquia na organização, sendo que o primeiro deles corresponde aos chefes, o segundo aos sacerdotes ou feiticeiros e o terceiro aos demais membros do grupo.

Os integrantes da Poro são responsáveis por organizar o ritual de passagem que prepara meninos e adolescentes para a vida adulta, e esse rito envolve passar alguns dias em isolamento em um acampamento na floresta.


Durante esse período, os meninos recebem ensinamentos morais através de canções tradicionais e histórias que enfatizam valores como solidariedade e respeito pelos mais velhos.

Além disso, os meninos que ainda não forem circuncidados passam por esse procedimento no início da reclusão e recebem um nome Poro. Ao final do ritual de passagem, os participantes são submetidos a uma série de testes e experiências para provar sua masculinidade.

Antigamente, os meninos também recebiam o sinal da sociedade secreta nas costas e ombros através de cortes ritualísticos que deixavam cicatrizes, mas essa prática está caindo em desuso.

Já para que um integrante se torne mestre, é necessário pagar uma taxa, assim como passar por um período de treinamento no uso de poções medicinais e passar por um ritual de iniciação realizado por alguém que já ocupe a posição de chefe.

Só para mulheres também

Assim como a Poro, em Serra Leoa também existem as sociedades secretas Yassi e Bundu, que são reservadas apenas para mulheres. Para fazer parte da Yassi — que permite a presença de membros da Poro em algumas cerimônias —, as integrantes precisam necessariamente fazer parte da Bundu primeiro, que é exclusivamente feminina. Na Libéria, essa sociedade secreta estritamente feminina recebe o nome de Sande.


Em alguns países, a Bundu e a Sande tiveram que reformular algumas de suas práticas para acomodar as exigências da sociedade atual, mas, mesmo assim, elas continuam exercendo forte influência nas áreas onde se encontram e suas proibições são estritamente respeitadas.

Com respeito aos rituais de passagem envolvendo as sociedades secretas femininas, durante o período de reclusão, as meninas aprendem sobre rituais religiosos e podem passar por algum tipo de mutilação genital, mas essa prática — por sorte — está deixando de ser seguida em algumas regiões.



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