30/08/2013

A chacina de Acari

Manifestação que aconteceu em 2010, época em que o crime prescreveu
Hoje dou uma pausa nas postagens sobre assassinos cruéis para falar de uma chacina que aconteceu no Brasil no ano de 1990, sendo que até hoje nenhum responsável foi preso, a exemplo de tantos outros massacres e chacinas que já aconteceram em terras brasileiras. Convido vocês a acompanharem esse texto e a conhecerem mais um capítulo podre da história nacional.

A chacina de Acari

A Chacina de Acari, como ficou conhecida, ocorreu no dia 26 de julho de 1990, quando onze jovens, dentre elas sete menores, moradores da favela do Acari no Rio de Janeiro, foram retiradas de um sítio em Suruí, no bairro do município de Magé, onde passavam o dia, por um grupo que se identificava como sendo policiais. Algumas fontes dizem que as pessoas que se encontravam no lugar estavam lá fugindo de traficantes. Outras fontes também relatam que essas pessoas tinham ligações com o trafico de drogas. Seja qual for o motivo das vitimas estarem no sítio citado acima, isso não tem grande importância.

Os sequestradores queriam jóias e dinheiro, para depois liberar as vitimas, que ficaram em poder dos sequestradores durante cerca de uma hora, segundo a única testemunha do caso, Dona Laudicena, já falecida. Depois desse período os sequestradores levaram as onze vítimas para um local abandonado. Nem os assassinos, nem os corpos das vitimas jamais foram encontrados.

As mães dos desaparecidos começaram uma busca por seus filhos e por justiça, e ficaram conhecidas como as Mães de Acari (local onde a maioria dos sequestrados morava). O inquérito, que recebeu nova data em 1998, sob o número 07/98 na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense está aberto e sem progressos até os dias atuais.


Em sua luta por justiça, as mães sofreram perseguições, calúnias e ameaças. Uma das mães, Edméia da Silva, foi assassinada em 20 de julho de 1993, supostamente por vingança. Marilene Lima de Souza, de 58 anos, mãe de Rosana de Souza Santos, sumida aos 18 anos, solicita hoje à Anistia Internacional que pressione o MP para desarquivar o inquérito sobre a morte de Edméa da Silva Euzébio assassinada em 1993, na Praça Onze, em circunstâncias misteriosas. Nesse processo, além de afirmar quem matou Edméa e o motivo, consta o testemunho de Edméia que supostamente desvendaria o mistério em torno do desaparecimento dos 11 jovens de Acari, cujo crime prescreveu em 25 de julho de 2010. Segundo o coronel Valmir Alves Brum, da reserva da Polícia Militar, o conteúdo do depoimento tem riqueza de detalhes que poderiam elucidar o caso de Acari.

A revelação de que uma testemunha depôs no Ministério Público Estadual contando detalhes de quem participou e como foi a Chacina de Acari, há 23 anos, deu mais um estímulo às mães dos 11 jovens desaparecidos. O inquérito está na Delegacia de Acervo Cartorário da 6 DP (Cidade Nova) e contém o relato da testemunha.

A prescrição do crime

A exibição do filme "Luto como mãe", em 24 de julho de 2010, na quadra da Escola de Samba Favo de Acari, marcou os 20 anos da chacina e trouxe de São Paulo as Mães de Maio, cujos filhos sumiram em circunstâncias semelhantes. O promotor Rogério Scatamburlo, coordenador do Centro Integrado de Apurações Criminais (Ciac), disse que vai checar a existência do inquérito na Deac da 6 DP e o depoimento da testemunha sobre o caso de Acari.

As vítimas

Os onze sequestrados (e suas idades à época):
  • Viviane Rocha, 13 anos
  • Cristiane Souza Leite, 16 anos
  • Wudson de Souza, 16 anos
  • Wallace do Nascimento, 17 anos
  • Antonio Carlos da Silva, 17 anos
  • Luiz Henrique Euzébio, 17 anos
  • Edson de Souza, 17 anos
  • Rosana Lima de Souza, 18 anos
  • Moisés dos Santos Cruz, 31 anos
  • Luiz Carlos de Vasconcelos, (vulgo Lula) 37 anos
  • Edio do Nascimento, 41 anos

Negligência policial?

Em 1994, segundo a Anistia Internacional, os sequestradores chegaram a ser identificados pelo setor de inteligência da Polícia Militar como sendo policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda), e detetives do Departamento de Roubo de Carga, da 39ª DP (Pavuna), integrantes de um grupo de extermínio conhecido como Cavalos Corredores, acusado também de participação na chacina de Vigário Geral, quando 21 pessoas foram sumariamente executadas.

Kombi encontrada nas proximidades com manchas de sangue no seu interior. Tal veículo não teria sido investigado e desconsiderado como possível prova.

A morte de Edméia da Silva

Edméia da Silva mãe de Luiz Henrique Euzébio, foi assassinada no dia 20 de Julho de 1993. Edméia saía do Complexo Penitenciário Frei Caneca quando foi assassinada. Dias antes, os policiais acusados de participação na chacina de Acari tiveram acesso ao depoimento de Edméia, o que teria motivado o crime segundo declarações de Marilene Lima de Souza.

Segundo Marilene várias provas a respeito da chacina foram perdidas com o tempo. "Naquela época não existia nem ao menos exame de DNA para periciar aquela Kombi cheia de sangue. Foi constatado que um crime havia acontecido ali, mas a perícia não sabia dizer nem se o sangue era animal ou humano. Sem contar com o corporativismo, pois na época vinha sendo denunciada a formação de vários grupos de extermínio no subúrbio do Rio e nada foi feito".

"O Ministério Público diz que os corpos são a evidência do crime. O local é deserto. Uma testemunha de 71 anos consta no inquérito como declarante e não como testemunha. Um menino, que na época tinha 12 anos e conseguiu fugir do sítio, ainda está vivo, já é maior de idade, mas até hoje não foi ouvido. Isso tudo é prova de que não se queria chegar a lugar nenhum. Já foi tudo montado para não se chegar a um desfecho e não haver punição."

As investigações

As investigações apontaram para a participação de policiais civis e militares que teria tentado extorquir algumas das vítimas com passagem na polícia.

Foram ouvidas 59 testemunhas, feitas buscas em rios, cemitérios e sítios da região, mas nenhum vestígio das vítimas foi encontrado. Mais de mil páginas de inquérito não foram suficientes para polícia e a Promotoria apontarem os culpados.

Jornal de 2005 que fala do caso
Fontes: Wikipédia, A Nova Democracia 

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8 Comentários
Comentários
8 comentários:
  1. nossa quanta injustica so no brasil... otimo post ! ass: diego

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    1. Pois é Diego...existem muitas histórias desse tipo em todo o nosso amado Brasil!!!! Existem coisas semelhantes e até piores em outras partes do mundo, mas a gente se comove e se revolta mais com as que acontecem aqui...

      Grato pela participação...

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  2. Sinceramente, esse senso de "justiça" brasileiro me arripuna! E sem falar na negligência né?? 22 anos...

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    1. Pois é o crime infelizmente prescreveu, portanto ninguém nunca será preso por isso. Na época desse crime a polícia ainda possuía um certo ar de intocável, algo que vinha desde a época do Regime Militar...segundo as fontes, tudo indica que policiais estavam envolvidos...é uma pena, pois isso deve aumentar ainda mais o sofrimento dos parentes das vítimas...

      Abraço Kellia...

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  3. "Com uma arma na mão eu toco fogo no país, papai eu quero ser policial quando crescer..."
    As vezes fica difícil saber se a gente tem quer ter medo dos bandidos ou dos policiais...

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    1. Concordo com vc Érica...as vezes é difícil mesmo de saber se podemos ou não confiar na força policial, eu costumo ter medo de tudo...Existe muita gente boa e muita gente ruim, não apenas dentro da polícia, mas em todas as áreas...só que no caso dos maus policiais os danos são sempre grandes e traumáticos, e as vítimas são sempre aqueles que pouca chance tem de se defender...

      Agora pensa na situação de um bom policial...aquele que vai para a rua e geralmente ganha menos do que o que fica atrás de uma mesa, ele arrisca sua vida por puco dinheiro, e o povo que ele defende não confia nele por causa de alguns maus colegas que botam o nome de uma categoria toda no lixo através dos seus atos, sem contar que muitas vezes esses homens recebem ordens de péssimos líderes...esse policial também é uma vitima...

      Agradeço a sua participação Érica...

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  4. Gostaria de saber porque nenhum dos blog do gênero falaram sobre as ridículas vaias aos médicos cubanos?

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  5. Ok. A PM andou matando gente envolvida com o trafico de drogas... Grande novidade. OS corpos andam sumidos... Quem se importa? Nao eh nenhuma novidade... Sinceramente, essas pessoas mortas nao eram santas. Ligadas ao trafico de drogas? Escondidas no Sitio? E vir dizer que isso simplesmente nao importa? o Trafico internacional de drogas mata brasileiros todos os dias, pais de familia, policiais, comerciantes, muito mais pessoas de bem do que os pm's em si... Entao dane-se a chacina de acari. Tem gente chorando? tem sim, mas chorando por bandido... Houve chacinas piores vindas da parte dos traficantes que nao sao noticiadas tambem...

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