26/12/2013

As garrafas das Bruxas: A proteção contra o mal no século XVII


Uma Garrafa das Bruxas, objeto de proteção contra feitiçaria foi encontrada recentemente no sul de Londres. Mais de 200 dessas Garrafas das Bruxas já foram descobertas, mas esta peça é a primeira lacrada e com o conteúdo original.

O item foi descoberto em uma escavação realizada em um antigo vilarejo nos arredores de Greenwich. Ela estava enterrada de cabeça para baixo a uma profundidade de 1 metro e meio, acomodada em uma proteção de cortiça. Como a maioria das garrafas usadas para esse fim, tratava-se de um bellamine, um vasilhame de cerâmica reforçado, produzido nos países baixos, trazendo o rosto do Cardeal Roberto Bellarmino (1542–1621). Segundo a tradição Bellarmino era um temido inquisidor, com fama de ser caçador de feiticeiras, ele teve participação na condenação de Giordano Bruno.

Especialistas dataram o objeto como sendo do fim do século XVII.

Garrafas de Bruxa eram itens presentes nas superstições do interior britânico, sobretudo no período "Elizabetano", mas peças semelhantes também foram encontradas na Espanha, Portugal e Norte da França. Segundo rumores, até membros da nobreza possuíam garrafas desse tipo, algumas produzidas pelo próprio Dr. John Dee, médico, astrólogo e consultor para o ocultismo da Rainha Elizabeth I.


As garrafas eram objetos encantados que serviriam para desviar, aprisionar e reverter malefícios e maldições lançadas por bruxas. Essas garrafas eram preparadas por indivíduos com conhecimento em feitiçaria (possivelmente também bruxos) que cobravam pelo serviço.

Historicamente a garrafa era preparada através de um ritual no qual ela era enterrada em um barril de sal grosso ou banhada na luz da lua cheia. Em seguida, a pessoa que encomendava a garrafa fornecia o material para ser colocado no interior do objeto: fios de cabelo, urina, gotas de sangue, unhas... esse material era combinado com ervas especiais, temperos, alfinetes, ossos de animais, penas e outros itens usados para afastar o mal.

Segundo o folclore, a garrafa era então enterrada no quintal da pessoa e mantida ali, bem perto a fim de atrair, como um para-raios, os maus fluídos lançados contra ela. Em alguns casos, os indivíduos preferiam esconder a garrafa dentro de casa, em compartimentos secretos, algumas foram descobertas em nichos em paredes e atrás de lareiras. A proteção se manteria enquanto a garrafa estivesse intacta, por isso há um ditado britânico que diz: "Proteger o frasco de quem lhe quer o mal".

A garrafa encontrada em Greenwich continha 12 pregos entortados (um deles atravessando um pedaço de couro cortado na forma de coração), oito alfinetes, 10 fragmentos de unha de um adulto (não de um trabalhador, mas de alguém que usava serviços de manicure, portanto uma pessoa de posses), uma boa quantidade de fios de cabelo (com traços de nicotina, evidenciando um fumante), espinhos, ramos de alecrim e dentes de alho. Uma análise química também encontrou traços de enxofre, urina, sangue, vinho tinto e vinagre no fundo da garrafa.


O objeto foi entregue ao Museu de Greenwich onde ficará em exposição.


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