23/03/2015

O caso Sorge


Saudações amigos e amigas. Hoje uma postagem sobre um personagem da segunda guerra mundial pede passagem aqui no blog Noite Sinistra. No texto abaixo falaremos de Richard Sorge, talvez o mais importante espião russo de todos os tempos. Embora ele seja um herói russo, tendo obtido importantes informações a respeito da ofensiva nazista em solo soviético, o seu nome não aparece u com grande frequência ao longo dos anos nas celebrações nacionalistas soviéticas, onde muitos heróis de guerra eram exaltados. Isso fez com que as histórias a respeito de Sorge fossem muitas vezes vistas apenas como lendas.

Em janeiro de 1965, informações periódicas, que passaram inteiramente despercebidas, comunicavam à opinião pública que as autoridades russas haviam condecorado três integrantes do grupo de espionagem de Richard Sorge. Era a primeira publicação que reconhecia na Rússia, oficialmente, a existência do célebre personagem.

Richard Sorge, o mais assombroso espião de todos os tempos, nasceu em Baku, Rússia, em 4 de outubro de 1895. Filho de um alemão e de uma russa, educou-se na Alemanha e foi, culturalmente, um alemão.

Início das atividades

Sorge tomou parte na Primeira Guerra Mundial, sendo ferido várias vezes. O contato com a guerra e o pós-guerra o levaram ao comunismo, no qual ingressou em 1919, em Hamburgo. Em 1924 foi enviado à Rússia, país em que permaneceu até 1927, quando partiu para a Inglaterra. Ali, então, começou sua carreira de espião a serviço da União Soviética. Os agentes russos, nesta época, eram recrutados entre os militantes dos grupos partidários de cada país. Sorge, imediatamente, propôs uma mudança total no sistema, propiciando o recrutamento de indivíduos alheios à organização partidária. O departamento militar russo que se encarregava da espionagem, o chamado IV Bureau, foi informado da intenção de Sorge e, imediatamente, aceitou-a. O nome Sorge, lentamente, começava a ser conhecido nos mais íntimos círculos da espionagem soviética.

Em 1930, Richard Sorge chegou a Xangai, como representante da revista Soziologisches Magazine, mas sua verdadeira missão consistia em organizar uma rede de espiões e exercer sua direção. Devemos destacar os três princípios fundamentais sobre os quais Sorge exerceu suas atividades: 1) No grupo não devia haver nenhum russo; 2) Os integrantes do grupo não deviam manter contato com o comunismo local, e 3) Os membros do grupo não deviam conhecer-se.

Em 1932, Sorge foi para Moscou e ali recebeu ordens para organizar uma nova rede de espionagem. A tática soviética de organizar vários grupos de espionagem - independentes e destinados a sobreviver à perseguição dos serviços de contra-espionagem - despontava. Em 1933, Sorge viajou a Berlim, onde desempenhou, sob disfarce, suas atividades. Na Alemanha foi nomeado correspondente, em Tóquio, do Frankfurter Zeitung, do German Kurier, da Teknische Rundschau e do Armsterdam Handelsblatt. Paralelamente, filiou-se ao Partido Socialista Nacional, que acabava de ascender ao poder. Misteriosamente, Sorge ingressou no partido nazista e sobreviveu a numerosas "limpas" de elementos indesejáveis. Há somente uma explicação lógica: a esquivança do espião russo, que, dessa maneira, passara despercebido.

Por fim, Sorge partiu para o Japão, via Estados Unidos e Canadá. Chegou finalmente a Yokohama, em 6 de setembro de 1933, e, imediatamente, relacionou-se estreitamente com a colônia alemã e seu representante diplomático. Sua "lealdade" à Alemanha e ao regime lhe valeu, em 1939, a nomeação de adido de imprensa da embaixada alemã... Depois de sua chegada a Tóquio, Sorge começou a organizar o grupo de espionagem que trabalharia sob suas ordens. Foram então recrutados Branko Vukelich, jornalista iugoslavo que vivia em Paris; Yotocu Miyagi, um nativo de Okinawa, radicado na Califórnia, e outros mais. O círculo fundamental ao redor do qual girava Sorge e sua organização estava integrado dos mesmos e mais quatro pessoas: Ozaki, Vukelich, Stein e Klausen. Sorge tratava, habitualmente, com todos eles, mas, em linhas gerais, sua relação era maior com Ozaki, Vukelich e Miyagi. Cada um dos integrantes básicos do grupo tinha, por sua vez, seu próprio círculo.


Sorge, depois de lançar as bases da organização, começou a fortalecê-la com uma sólida infra-estrutura; organizou, paulatinamente, seu sistema de agentes, comunicações e correios. Finalmente, com a maquinaria perfeitamente ajustada, o grupo Sorge pôs-se em marcha. Entre 1933 e 1941, o grupo mandou à Rússia uma prodigiosa informação. Em 1939, Sorge informou à União Soviética que a Alemanha havia proposto uma aliança militar dirigida contra ela, mas que o exército e a marinha do Japão se opuseram. A União Soviética, ao ser informada do rechaço japonês à proposta alemã, conseguiu finalmente firmar um pacto com Hitler, que garantiu aos soviéticos a fronteira do leste e determinou a desaparição da Polônia.

Papel fundamental na defesa Soviética

O ano crucial de Sorge e seu grupo foi 1941. Em abril deste ano, Sorge informou a seus superiores que a Alemanha atacaria a Rússia em maio. Pouco depois, declarou que o ataque seria em 20 de junho (a invasão começou efetivamente, em 21 de junho de 1941). Estava para acontecer um fato que seria vital para a Rússia: a intervenção do Japão no conflito. Isto era particularmente importante, pois, se não houvesse esta intervenção, as forças russas no Extremo Oriente poderiam ser transladadas para a frente européia. A informação foi irradiada, finalmente, por Sorge: o Japão não atacaria a Rússia.

Captura e morte

Os espiões, até este momento, operavam livremente, parecendo que não seriam descobertos. As operações eram realizadas com precauções extremas. Porém, um dirigente comunista japonês os entregou à polícia em 1944. Detido. Ito Ritsu informou à polícia japonesa que uma mulher, sua conhecida, era membro do Partido Comunista. A polícia localizou imediatamente a mulher citada e a deteve; ela, então, confessou suas relações com outros comunistas. Várias prisões foram feitas rapidamente. Miyagi foi detido em 10 de outubro; Aquiyama e Cuzumi, no dia 13; Ozaki, no dia 15, e, finalmente, no dia 18, foram presos Sorge, Klausen e Vukelich. Trinta e cinco pessoas implicadas caíram em poder da justiça japonesa.

Finalmente, apesar da reputação de severidade dos tribunais japoneses, apenas 19 pessoas foram sentenciadas; somente duas foram condenadas à morte: Sorge e Ozaki, que foram enforcados em 7 de novembro de 1944. Assim terminou a vida de Richard Sorge, talvez o mais importante dos espiões russos. Stalin o abandonara à própria sorte.

O herói volta a ser lembrado

O ditador soviético via em Sorge um inconveniente. O espião o havia alertado sobre a invasão alemã e Stalin ignorara o aviso inicialmente. Para se livrar da constrangedora lembrança, Stalin não fez nada para salvar Sorge. Os japoneses chegaram a propor uma troca de prisioneiros, mas a oferta foi ignorada por Moscou. Segundo Bauerkämper, Stalin via no reconhecimento de Sorge o risco de ser criticado por ter ignorado o primeiro despacho e não ter tomado medidas contra a invasão alemã a tempo. Outro motivo tem haver com o fato de que se Sorge fosse libertado e devolvido a União Soviética, ele seria recebido como herói, tornando-se uma pessoa influente dentro do partido comunista. Em alguns momentos da história, Stalin mandou assassinar seguidores importantes por medo de eles pudessem organizar um golpe contra ele. O ditador comunista era muito paranoico a esse respeito. 

Sorge foi enforcado em 7 de novembro de 1944, dia do 27 aniversário da Revolução Bolchevique. Em seu túmulo, no cemitério Tama, num subúrbio de Tóquio, uma placa de mármore preto lembra, em russo, que ele foi "herói da URSS".

A placa foi colocada em 1964, quando a URSS reconheceu Sorge como herói nacional. Só quando o Kremlin passou a admitir os crimes do stalinismo, nos anos 60, o nome do espião foi lembrado. Em Moscou, ele foi homenageado com um monumento. Na antiga Alemanha Oriental, o ex-agente foi lembrado com um selo.


Sorge passou a ser tema de livros e de filmes que tentam reconstruir a biografia de um homem que resolveu ser espião por pacifismo, porque acreditava que só com a vitória do comunismo seria possível evitar guerras no futuro. Ou, como mostra o diretor japonês Mashiro Shinade no filme "Espião por paixão", uma co-produção alemã-japonesa, por aversão à ideologia racista.



Fontes: A Vinda no Front e O globo

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2 Comentários
Comentários
2 comentários:
  1. Stalin foi um monstro que teve poder nas mãos. Matou muitos dos colaboradores que cometeram atrocidades em seu nome e se fingiu de bonzinho. O que ele fez com Sorge ele fez com muitos agentes que deram a vida pelo estado Soviético. É inegável a importância dos Soviéticos para derrubar os nazistas, mas Stalin foi um monstro do tamanho de Hitler.

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    1. Já assisti vários documentários que falavam desse lado do Stalin de mandar matar funcionários que haviam participado de massacres e atos covardes a mando dele. Stalin temia que certas pessoas ligadas ao governo se tornassem muito importantes, e assim ameaçassem ele no governo.

      Parece que a esposa de Stalin, ao descobrir algumas dessas maracutaias do marido, acabou se desgostando tanto que se suicidou. Depois do suicídio dela, Stalin se tornou ainda mais paranoico com relação a possíveis traições por parte dos companheiros de governo.

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