27/05/2013

Simo Häyhä: O morte branca


Mal sabia o mundo, mas no dia 01 de dezembro de 1905 na pacata cidade de Rautjärvi, no interior da Finlândia, nascia Simo Häyhä, o homem que viria a se tornar uma das maiores lendas do século XX, o maior soldado dos tempos modernos e o mais eficiente franco-atirador da história, um homem capaz de lutar sozinho contra um exército e exterminar seus inimigos sem que eles jamais soubessem de onde vinham os tiros, esse era Simo Häyhä, apelidado de "Morte Branca" ou "Provocador" pelo exército soviético.

Como havia nascido no interior, próximo à atual fronteira com a Rússia, Simo foi criado em uma fazenda, onde fazia os trabalhos do dia a dia junto com seu pai e também caçava frequentemente, algo que fazia excepcionalmente bem com um rifle. Ele levou uma vida normal e quando chegou a hora alistou-se no exército e cumpriu o serviço militar obrigatório de 1925 ate 1926. Foi convocado em 1939 após a eclosão da Guerra de Inverno entre a Finlândia e a União Soviética, assim como todos que tinham idade o bastante para carregar uma arma, afinal o poderoso exército socialista era infinitamente maior e melhor equipado do que o da pequena e pacifica Finlândia.

Chamado às pressas, ele foi designado como franco atirador na área norte do Lago Ladoga, devido a sua habilidade com o rifle.

Todos os dias ele ia armar emboscadas contra os exércitos russos, pois como o poderio finlandês era muito menor, eles tinham de usar táticas de guerrilhas, fazendo emboscadas e armadilhas, e Simo se tornou um especialista nisso. Trabalhando em temperaturas que iam dos -20ºC aos -40ºC graus, usando uma camuflagem totalmente branca e uma variante do rifle soviético Mosin-Nagant, pois se adequava melhor a sua baixa estatura. Para não se expor em seus esconderijos, ele preferia usar miras comuns ao invés das telescópicas, pois com esta última o atirador deve erguer um pouco a cabeça, além de haver o risco de a lente refletir a luz do sol. Outra tática usada por Häyhä era compactar a neve à sua frente para que o tiro não a soprasse, revelando sua posição. Ele também colocava neve na boca, escondendo assim quaisquer sinais que sua respiração pudesse provocar.

Simo dava apenas um tiro por posição e como sua mira era excepcional conseguia acertar os inimigos a mais de uma centena de metros, dizem que ele era certeiro a até mesmo 400 metros.


Durante 100 dias ele matou mais de 500 soldados soviéticos praticamente uma morte a cada hora do curto dia de inverno, e jamais foi descoberto, ninguém sabia de onde ele atirava. Uma contagem diária de baixas era feita no campo de batalha de Kollaa, e os relatórios não oficiais finlandeses estimam em 542 o número de mortes atribuído a ele. Além das mortes como franco atirador, Simo Häyhä foi creditado também por abater mais de duzentos soldados inimigos com uma submetralhadora Suomi M-31, elevando assim sua marca para 705 mortes, no entanto, essa ultima parte nunca foi comprovada.

O fato é que cada vez que um soldado caia por um tiro dele, o pelotão entrava em desespero, pois estavam enfrentando um inimigo invisível e mortal, “O Morte Branca”.


O exército soviético tentou executar vários planos para se livrar dele, incluindo contra-ataques com franco atiradores e assaltos de artilharia, porém ele era mais esperto e sempre escapava ou matava os atiradores que tentavam lhe pegar desprevenido, até que em 6 de março de 1940 Häyhä foi atingido por um tiro na mandíbula durante combate corpo-a-corpo e mesmo assim conseguiu matar seu inimigo. Com o impacto, o projétil girou e atravessou-lhe o crânio. Ele foi resgatado por soldados aliados, que disseram "faltar metade de sua cabeça". Ficou inconsciente até 13 de março, um dia após a assinatura do tratado de paz que pôs fim ao conflito. Pouco depois, Häyhä foi promovido de cabo a primeiro-tenente pelo marechal-de-campo Carl Gustaf Emil Mannerheim. Nenhum outro soldado jamais conseguiu uma escalada de posto tão rápida na história militar da Finlândia.

Häyhä levou vários anos para se recuperar do ferimento. À bala havia quebrado sua mandíbula e arrebentado sua bochecha esquerda. Apesar de tudo, ele se recuperou totalmente, tornando-se caçador de elite e criador de cachorros após a Segunda Guerra Mundial.

Em 1998, ao ser perguntado sobre como conseguiu se tornar um atirador tão bom, ele respondeu "prática". Questionado se tinha remorsos por ter matado tantas pessoas, ele disse, "fiz o que me mandaram fazer, da melhor forma possível".

Simo Häyhä passou seus últimos anos em uma pequena vila chamada Ruokolahti, localizada no sudeste da Finlândia, próxima à fronteira com a Rússia, morreu em 2002, com quase cem anos de idade e de causas naturais.

Esse era Simo Häyhä, “O Morte Branca”, talvez o maior soldado que o mundo já viu um homem lendário.



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6 Comentários
Comentários
6 comentários:
  1. Otimo post. Bem, na parte q o morte branca falou q n tinha remorso eu acho q ele n deveria ter msm nao, ate pq na guerra é matar ou morrer e ele fez da melhor forma o unico jeito de se manter vivo.
    Isa

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    1. Concordo Isa. Se ele não cumprisse com a sua obrigação, talvez seus conterrâneos fossem sofrer nas não inimigas...

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  2. Por ser um país que eu amo, sou extremamente suspeita para comentar qualquer coisa sobre a Finlândia. Todos que conheço de lá são tão determinados quanto o Simo. Apesar de ser uma história de guerra, ainda acho muito legal, pois mostra bem a dedicação dele. Gostei.

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    1. Legal isso hein...de vc conhecer pessoas de uma país tão peculiar quanto a Finlândia...bacana isso!!!

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  3. Também conhecido como "Morte Marrom", devido a diarreia que inspirava nos inimigos...

    Sobre essa parte de não se arrepender porque "fizeram o que mandaram" é a típica desculpa de sádicos que matam porque gostam. Os pilotos do Enola Gay deram essa desculpa, ex-oficiais nazistas, soldados americanos no Oriente Médio..."só estava seguindo ordens".

    Porém no caso do Simo ele não precisava dar uma resposta cretina dessas. Os comunistas, como sempre, iniciaram a agressão, tentaram invadir e colocar toda a Finlândia sob seu regime podre. Simo ajudou a defender seu povo.

    Não sei porque se arrependeria disso.

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    1. Guerra é um lance tenso...acho que é uma outra realidade na vida da pessoa que foi para a guerra...só depois que a guerra termina que o povo consegue parar e refletir sobre seus atos...

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