02/05/2014

Conto de Terror: A coisa no Luar - H.P. Lovecraft


Olá galera atormentada. Hoje volto a publicar um conto de terror aqui no blog Noite Sinistra. O autor escolhido hoje é o famoso escritor estadunidense de terror e ficção: H.P Lovercraft. Pretendo voltar a postar contos com certa regularidade aqui no blog. Se os amigos e amigas escrevem textos de terror e quiserem mandar seus materiais será um grande prazer dar uma conferida.

A Coisa no Luar

Morgan não é um literato; na verdade, ele mal consegue falar inglês com algum grau de coerência. É isso o que me faz estranhar as palavras que ele escreveu, embora outros tenham gargalhado.

Ele estava sozinho na noite em que aconteceu. Subitamente uma vontade incontrolável de escrever lhe assomou, e tomando a pena na mão ele escreveu o seguinte:

Meu nome é Howard Phillips. Vivo na Rua College, 66, em Providence, Rhode Island. A 24 de novembro de 1927 – pois não sei sequer em que ano estamos agora – adormeci e sonhei, e desde então tem sido incapaz de despertar.

Meu sonho teve início num pântano úmido e atulhado de juncos que jazia sob um céu cinzento de outono, com um desfiladeiro encapelado de rochas cobertas de liquens elevando-se ao norte. Impelido por alguma motivação obscura, ascendi à uma fenda ou fissura nesse gigantesco precipício, notando enquanto o fazia que as bocas negras de muitos buracos terríveis estendendo-se de ambas as partes até as profundezas do platô de pedra.

Em vários pontos a passagem era coberta pelo chocalhar das partes superiores da fissura estreita; esses lugares sendo excessivamente escuros, e proibindo a percepção de tais buracos que possam ter existido ali. Em tal espaço escuro senti consciência de um singular acesso de pânico, como se alguma sutil e incorpórea emanação do abismo estivesse engolindo meu espírito; mas a escuridão era grande demais para que eu pudesse perceber a fonte de meu alarme.

Concluindo, emergi sobre um platô de rocha musgosa e solo pobre, iluminado por um pálido luar que havia substituído o orbe moribundo do dia. Lançando meus olhos ao redor, não vi objeto vivo; mas estava sensível a uma comoção muito peculiar que vinha muito abaixo de mim, entre os sussurrantes vestígios do pântano pestilento que eu havia acabado de abandonar. Depois de caminhar por uma certa distância, encontrei os trilhos enferrujados de uma ferrovia de rua, e as placas comidas de cupins ainda seguravam o trole em boas condições. Acompanhando esta linha, logo dei com um carro amarelo de vestíbulos de número 1852 – de um tipo de dois vagões comum entre 1900 e 1910. Não estava tinindo, mas evidentemente preparado para partir; o trole estando no fio e o freio aéreo de quando em vez pulsando abaixo do chão. Entrei a bordo e olhei em vão pelo interruptor de luz – notando, enquanto o fazia, a ausência de cabineiro, que assim implicavam a ausência do motorneiro. Então sentei-me num dos bancos cruzados do veículo. Ouvi um farfalhar na grama esparsa à esquerda, e vi as formar escuras de dois homens caminhando ao luar. Tinham os quepes de uma companhia ferroviária, e não pude duvidar de que fossem o condutor e o motorneiro. Então um deles fungou com presteza singular, e elevou o rosto para uivar para a lua. O outro caiu de quatro para correr na direção do carro. Levantei-me de um salto e corri como louco para fora daquele carro e atravessei intermináveis léguas de platô até que a exaustão me forçou a parar: fazendo isto não porque o condutor tivesse caído de quatro, mas porque o rosto do motorneiro era um simples cone branco com um tentáculo vermelho como sangue na ponta…

Eu estava ciente de que apenas sonhava, mas a própria consciência não me foi agradável.

Desde aquela noite pavorosa, tenho rezado apenas para despertar: isso não acontece!

Ao invés disso eu me encontro com um habitante deste terrível mundo dos sonhos! Aquela primeira noite deu lugar à aurora, e caminhei sem rumo pelos pântanos solitários. Quando a noite veio, eu ainda caminhava, esperando acordar. Mas subitamente abri caminho entre os juncos e vi à minha frente o antigo bonde: e, a um lado, uma coisa com rosto em forma de conte levantava sua cabeça e uivava estranhamente para o luar que se derramava!

Tem sido a mesma coisa todo dia. A noite sempre me leva àquele lugar de horror. Tenho tentado não me mover com a chegada da noite, mas devo andar em meu sonambulismo, pois sempre acordo com a coisa de terror uivando à minha frente na pálida luz do luar, e viro-me e fujo como um louco.

Deus! Quando despertarei?

Foi isso o que Morgan escreveu. Eu iria à Rua College 66, em Providence, mas tenho medo do que posso encontrar lá.
H.P. Lovecraft

Quando amanhecer, você já será um de nós...

Não deixe de dar uma conferida nas redes sociais do blog Noite Sinistra...

 Siga o Noite Sinistra no Twitter   Noite Sinistra no Facebook   Comunidade Noite Sinistra no Google +   Noite Sinistra no Tumblr

CONFIRA OUTRAS POSTAGENS DO BLOG NOITE SINISTRA




VOLTAR PARA A PÁGINA INICIAL...

7 Comentários
Comentários
7 comentários:
  1. Posta O Chamado de Chthulu...
    Gosto bastante dessa história!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O chamado de Chthulu é um trabalho enorme do Lovecraft, mas um dos trabalhos mais clássicos dele, que gerou toda mitologia Lovecraftiana...vou ver...talvez dê para fazer uma série a respeito...

      Grato pela sugestão...

      Excluir
  2. Olá curti muito o conto, e gostaria de me apresentar devidamente sou a vampira Katherine, uma das autoras do limbo, que só agora voltou, depois de uma estádia nas trevas. Bem esse é meu primeiro post depois que abandonei aquela vida deplorável de humana, se tu der dar uma conferida desde já agradeço.
    http://andandonolimbo.blogspot.com.br/2014/05/apresentacao-da-vampira-katherine.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que o Limbo está de volta Katherine...eu tinha uma parceria com esse blog tempos atrás, mas como o blog acabou abandonado, eu retirei o banner de vcs...mas na segunda feira (que é quando eu cuido da parte administrativa do blog) eu recolocarei o banner de vcs...

      Excluir
  3. Muito bom mesmo...eu amo escrever contos de terror e suspense...meus amigos gostam muito do que eu escrevo e espero um dia ser reconhecida :)

    ResponderExcluir
  4. Será que você poderia me dizer de onde tirou esse conto? Porque acho que, na verdade você publicou o texto de "A coisa no luar". Ontem procurei pelo texto original de "A coisa no umbral" ("The thing in the doorstep") e percebi que era bem diferente deste aqui. Então colei no google a primeira frase do texto publicado aqui e achei isso como um dos resultados: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-Coisa-no-Luar. Aqui estão outros links que comprovam o que eu digo: http://www.hplovecraft.com/writings/texts/fiction/td.aspx http://www.hplovecraft.com/writings/texts/fiction/tm.aspx http://www.sitelovecraft.com/ficcao.html
    Neste último é possível baixar o conto "The thing in the doorstep" em português com o título de "A coisa na soleira da porta".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente Giulia...vc tem razão... eu vi esse conto no blog Página da Beatrix...e confiei cegamente (é que ja fui leitor desse blog). Muito obrigado pela correção...

      Excluir

Página do Facebook

Publicidade 1

Noite Sinistra no YouTube

Postagem em destaque

O misterioso perfil do Facebook de Karin Catherine Waldegrave