27/07/2015

Sociedade ocultista Golden Dawn


Saudações galera atormentada, hoje voltamos a falar de uma sociedade ocultista. O tema da matéria de hoje é a Golden Dawn (ou Aurora Dourada). A Golden Dawn é uma sociedade mágica surgida na Inglaterra, em 1888, que reunia várias vertentes do Ocultismo, e cujas ramificações encontram-se ativas até os dias de hoje.

Origens da Golden Dawn

Essa sociedade ocultista foi a segunda sociedade ocultista mais importante do século passado (a primeira foi a Sociedade Teosófica de madame Blavatsky). Foi criada em 1880 por quatro membros da S.R.I.A. (Societas Rosecruciana in Anglia) chamados:
  • A.F.A. Woodford, membro do Clero Anglicano e Maçon;
  • William Wynn Westcott, médico legista;
  • W.R. Woodman, médico;
  • Samuel Liddell Mac Gregor Mathers, estudioso de ocultismo.
http://noitesinistra.blogspot.com.br/2013/06/madame-blavatsky.html#.VVxpmflViko
Madame Blavatsky
Até o surgimento da Golden Dawn, o Ocultismo Ocidental se compunha de diversas tradições separadas, por vezes divergentes. A Alquimia, a Astrologia, a Magia Cerimonial eram secundados por diversos métodos divinatórios, e influenciados por diversas crenças, como o Pitagorismo, o Neoplatonismo, o Catarismo, o Maniqueísmo, a Gnose, o Judaísmo e o Hermetismo, que transitavam por diversas culturas, como a greco-romana e a árabe.

Porém, à época da Aurora Dourada (Século XIX), pode-se dizer que a tradição mágica ocidental havia se perdido, abrindo espaço para movimentos ocultistas de inspiração oriental (como a Teosofia). Nesse sentido, é possível interpretar o advento da nova Ordem como uma reação a essa tendência oriental.

No resgate da tradição mágica ocidental, a Golden Dawn aprofundou ao máximo as ligações com a Cabala e com a antiga Magia cerimonial, às quais ela agregou o esquema de correspondência universal proposto por Eliphas Lévi, devidamente ampliado, desenvolvido e codificado para que cada fator no Universo passasse a ter correspondência no Ser Individual. Assim, todos os sistemas ocultistas antes existentes foram integrados num único corpo de pensamento, interdisciplinar e interdependente.

http://noitesinistra.blogspot.com.br/2014/08/eliphas-levi-um-dos-grande-mestres-do.html#.VVxq1vlViko
Eliphas Lévi
Nesse novo corpo de pensamento, a Magia tornou-se uma disciplina prática e dinâmica, aonde, ao incentivo às experimentações (por exemplo, a Viagem Astral), se mesclaram a três sistemas operatórios principais: a Magia Cerimonial, dotada de um novo código de signos, a Magia Enoquiana, e a Magia de Abramelin, (ou Magia Angélica).

Seu sucesso deveu-se à ênfase no erudito, à qualidade de seu núcleo fundador, à sua organização esmerada, ao seu incentivo à pesquisa, e à admissão de membros sem restrições de sexo, religião ou raça; mas sua importância fundamental para o renascimento do Ocultismo resultou, principalmente, de sua original capacidade de recriar e reinterpretar os vários e antigos sistemas de sabedoria oculta, cultivados no mundo Ocidental.

Os manuscritos cifrados

A Golden Dawn revindicava o status de ser a verdadeira herdeira dos primórdios do rosacrucianismo e dos princípios de Cristian Rosenkreutz (misterioso pai do rosacrucianismo), baseando-se num misterioso conjunto de manuscritos cifrados, oriundos de Westcott.

De posse desses documentos cifrados, encontraram em meio a estes, uma carta com o endereço da Fraülein Ana Sprengel (Sapiens Dominabitur Astris = O Sábio Será Governado pelas Estrelas) originária de Nuremberg. Mais tarde descobriu-se que esses documentos foram na verdade, criados por eles.

Esses manuscritos estavam em inglês arcaico, transcritos num código "secreto" inventado no séc. XVI pelo Abade Trithemius. Nesses manuscritos encontram-se os rituais e a estrutura hierárquica básica da organização.

Através de um grande volume de cartas remetidas pelos dois lados, o quarteto de magos foi instruído de forma a preencher os rituais esboçados nos manuscritos cifrados. Em 1887 Ana Sprengel deu ao grupo, que até então estava subordinado à ela, autoridade suficiente para poderem abrir a primeira Loja (ou Templo) da Aurora Dourada, o Templo de Ísis-Urânia. Logo após a fundação do Templo foi anunciada a morte de Ana Sprengel.

Sistema de Graus

Para se ter ideia do caminho místico que um membro da Aurora Dourada devia percorrer, é importante saber que toda sociedade oculta possui um conjunto de metas (ou ideais) representado por uma simbologia, e que o processo de domínio dessa simbologia é demarcado por uma série de graus, tendo cada um seu próprio Ritual.

Golden Dawn
Hexagrama da Aurora Dourada
O aspirante a membro da Aurora Dourada era admitido na condição de Neófito, na qual permanecia por algum tempo, recebendo ensinamentos básicos e sendo avaliado pelas autoridades da Ordem. Uma vez aceito, ele ingressava no Primeiro Grau, iniciando sua jornada de aprendizagem.

Os quatro primeiros graus constituíam o Círculo Externo da Ordem ou Primeira Ordem:
  • Zelator 1°=10
  • Theoricus 2°=9
  • Practicus 3°=8
  • Philosophus 4°=7

Ao completar o grau de Philosophus, o membro habilitava-se a ingressar no Círculo Interno ou Segunda Ordem que, a partir de 1892, tornou-se a Ordem da Rosa de Rubi e da Cruz de Ouro (Ordo Rosae Rubeae et Aureaue Crucis). Após passar pelo grau intermediário de Senhor dos Caminhos, no Portal da Cripta dos Adeptos (onde esperaria durante nove meses), o aspirante estava preparado para sua caminhada pelos graus do Círculo Interno:
  • Adeptus Minor 5°=6
  • Adeptus Major 6°=5
  • Adeptus Exemptus 7°=4

Embora, teoricamente, o caminhante pudesse atingir o 7°, o grau de Adeptus Minor era o máximo que qualquer membro conseguiria chegar. O 6° era, na prática, reservado aos fundadores da Ordem, enquanto no 7° estariam três Chefes Secretos, só conhecidos pelos seus lemas em Latim.

Havia ainda um Terceiro Círculo, ocupado por Chefes ainda mais Secretos, que, supunha-se, existiam apenas no Plano astral. Nesse Círculo cabiam três graus:
  • Magister Templi 8°=3
  • Magus 9°=2
  • Ipsissimus 10°=1

O conjunto de graus da Ordem, numerados do 10° ao 1° em ordem decrescente, referia-se aos dez sephiroth (emanações do Divino) na Árvore da Vida cabalística, com a adição do grau Neófito 0°=0.

Os rituais da Golden Dawn

Os rituais usados na Aurora Dourada foram elaborados, principalmente, por Mathers, que recorreu a várias fontes e conseguiu fundí-las de um modo tão harmonioso e eficaz que o sistema por ele criado sobreviveu à própria Ordem, tornando-se a matriz onde outras sociedades iniciáticas viriam a se inspirar. Seus ingredientes misturavam Cabala, Tarot, Alquimia, Astrologia e outras tradições.

Golden Dawn
Vestimenta ritualística da Aurora Dourada, grau de Neófito (Anxfisa)
Além dos rituais que eram executados no Templo, Mathers compôs sete rituais curtos que o iniciado podia realizar na privacidade de seu lar, para fins mágicos pessoais. Eles eram bem construídos graças ao profundo conhecimento que Mathers tinha do ocultismo, sendo impregnados de Poesia e Filosofia, produzindo efeitos profundos sobre o espírito humano.

O mais impressionante ritual concebido por Mathers foi o de acesso ao Círculo Interno (5°, Adeptus Minor), baseado na célebre lenda de Christian Rosenkreuz, conforme descrita em Fama Fraternitatis.

No interior do Templo, onde se realizava a Iniciação, as paredes eram decoradas com símbolos alquímicos, cabalísticos e astrológicos. No forro branco, via-se uma rosa com vinte e duas pétalas. No piso, havia uma cruz dourada unida a uma rosa vermelha de quarenta e duas pétalas. No altar, uma cruz preta com uma rosa de vinte e cinco pétalas. No centro do Templo, destacava-se uma Cripta representando o túmulo de Christian Rosenkreuz. A cerimônia era executada por três autoridades: um Adepto-Chefe e dois auxiliares.

No início da cerimônia, o aspirante ouvia um breve discurso sobre as virtudes da humildade. Em seguida, ele era amarrado a uma grande cruz de madeira e, nessa situação, devia fazer o juramento de levar uma vida pura e altruística, guardar segredo sobre a Ordem, sustentar a autoridade de seus mestres e dedicar-se ao Grande Trabalho.

Já solto da cruz, era-lhe feito um relato sobre a vida e a obra de Christian Rosenkreuz. Em seguida, ouvia de um dos adeptos auxiliares: "Você agora deixará o Portal por pouco tempo e, após seu regresso, será realizada a cerimônia de Abertura da Tumba". Então, eram-lhe entregues um bastão e uma Cruz de Ansata (Ankh), que lhe permitiriam reingressar no Templo.

Cruz de Ankh
Cruz de Ansata
Ao retornar, o aspirante percebia que o Adepto-Chefe desaparecera. Então, colocado diante da cripta, ele ouvia explicações sobre o significado dos símbolos gravados na tampa da cripta. E após ter feito vários outros votos, a tampa da cripta era aberta, revelando, em seu interior, o Adepto-Chefe que, deitado e de olhos fechados, falava sobre morte e ressurreição místicas, concluindo com uma exortação: "No alambique de teu coração, através da fornalha de aflição, procura a verdadeira pedra do Mago".

A cerimônia se encerrava com o Aspirante recebendo explicações adicionais sobre o simbolismo usado no ritual.

Templos

  • Além do Templo de Isis-Urânia, que foi o primeiro, fundado em 1893, em Londres, a Golden Dawn instalou os templos (Lojas) de:
  • Templo Ahathoor, França
  • Templo de Amem-Ra
  • Templo de Osiris
  • Templo de Thme, Estados Unidos
  • Templo de Themis, Estados Unidos
  • Templo de Thoth-Hermes, Estados Unidos
  • Templo de Horus
  • Sistema de ensino

Sistema de Ensino

O recrutamento de novos membros era feito na maioria das vezes por cooptação, através de um padrinho, que iria cuidar de sua evolução dentro da organização e de sua diligência nos estudos (uma prática herdada da Maçonaria).

A Grade de Estudos era bastante exigente em relação ao estudante, que, para passar de um Grau a outro necessitava provar seu domínio do Grau ao qual estava preste a abandonar.

Os membros da Golden Dawn eram todos respeitáveis pessoas da Classe Média. Alguns até podiam alegar origens aristocráticas. Um surpreendente número de médicos — não inferior a oito — entrou na Ordem antes de 1890.

O sistema da Golden Dawn era eminentemente simbólico e sintético, o que levou à necessidade de alicerçar este discurso numa linguagem que fosse equidistante dos sistemas ocultistas preexistentes. A linguagem do Tarot serviu para esse propósito.

O auge da Golden Dawn

Em fins de 1891, mais de oitenta pessoas haviam ingressado no templo Ísis-Urânia de Londres, entre elas quarenta e duas mulheres. A Aurora Dourada, que era, essencialmente, uma criação de Westcott, desabrochava mornamente, seguindo uma existência quase monótona. Tendo Mathers, Westcott e Woodman (que morreria em dezembro daquele ano) como professores, eles seguiam um currículo elementar que incluía o estudo de assuntos como a Árvore da Vida cabalística, com seus Sephiroth e vinte e dois caminhos, Simbolismo Alquímico, Astrologia, Geomancia, e o Simbolismo dos vinte e dois trunfos do Tarot. Mas isso tudo não passava de um jardim de infância para candidatos ao Ocultismo.

Golden Dawn
amuel Liddel "MacGregor" Mathers, em costume egípcio, durante um ritual da Golden Dawn
A situação se modificou radicalmente no início de 1892, quando Mathers efetuou uma reorganização de longo alcance e conseguiu, em grande parte, suplantar Westcott, na condução da Ordem. Nessa época, ele apresentou um impressionante ritual 5°, para o primeiro dos graus da Segunda Ordem, e concedera à Segunda Ordem um status inteiramente novo. Agora, ela passava a ser a Ordo Rosæ Rubeæ et Aureæ Crucis (abreviada para R. R. et A. C.), tendo Mathers como seu único Chefe, e dirigida de Paris, onde ele se instalou, definitivamente, na primavera de 1892, enquanto Westcott se contentava em agir como Chefe Adepto, em Londres.

Daí em diante, a admissão à nova Segunda Ordem seria feita por meio de provas e de convites. A R.R. et A.C. era altamente secreta, não se permitindo aos membros da Ordem Exterior saber da sua existência, quem a ela pertencia, nem os endereços de suas sedes. E enquanto o currículo da Ordem Exterior era simplesmente teórico, os membros da Segunda Ordem recebiam instrução sobre a teoria e prática do cerimonial ou ritual mágico.

Além de elaborar o ritual, Mathers produziu um fantástico currículo para uma série de oito provas destinadas ao 5°. Quem passasse nesse teste podia afirmar que recebera uma instrução básica completa em quase todos os aspectos da tradição ocultista ocidental. A esse respeito, a Segunda Ordem representava o equivalente de uma universidade hermética. E era única.

Entre a primavera de 1892 e o final de 1896, a Ordem Hermética da Aurora Dourada viveu seus dias de glória.

Alguns membros importantes

A Aurora Dourada foi o centro onde reuniram-se grandes cabeças da época, sendo que, da totalidade, podemos citar com segurança:
  • Maud Gonna, musa inspiradora de William Butler Yeats;
  • William Butler Yeats, poeta, nobel de literatura de 1924;
  • Jean-Marc Bride, pai de Maud Gonna, político;
  • Florence Farr, atriz, conselheira de Bernard Shaw;
  • William Peck, astrônomo;
  • Gérard Kelly, presidente da Real Academia;
  • Arthur Machen, escritor;
  • Bram Stocker, escritor, autor de Drácula;
  • Violet Wirth, ou seja, Dion Fortune, escritora;
  • Sam Rohmer, escritor;
  • Edita Montés, condessa de Landsfeld, filha bastarda de Luís I da Baviera, e de Lola Montés;
  • Bulwer Lytton, escritor de Zanoni;
  • Aleister Crowley, mago, fundador da Astrum Argentum, mais tarde O.H.O. da O.T.O

Decadência

Não deixa de ser paradoxal que o principal responsável pelo brilho da Aurora Dourada, tenha sido, também, o principal agente de sua ruína. Mathers era um homem extremamente talentoso, mas era também muito autoritário, e esse aspecto de sua personalidade viria a motivar conflitos com outros membros. No tempo em que Westcott ainda era o principal dirigente da Ordem, o clima interno foi mais ameno. Mas quando Mathers assumiu, de fato, o comando, os choques de personalidade não tardaram a se evidenciar. Instalado em Paris, ele exigia absoluta submissão das lojas inglesas à sua autoridade, conduta que logo gerou reações.

Golden Dawn
Arthur Edward Waite
O primeiro conflito sério foi com a empresária de teatro, Annie Horniman, filha de um rico importador de chá, amiga íntima da esposa de Mathers, Moina Bergson, e benfeitora financeira do casal. A relação entre os dois deteriorou-se progressivamente e, quando Annie suspendeu a ajuda financeira, Mathers a expulsou da Ordem.

O golpe seguinte na estabilidade da Golden Dawn ocorreu em março de 1897, quando as autoridades legais souberam da ligação de Westcott com uma Ordem ocultista. Com seu cargo de Juiz de Instrução ameaçado, Westcott, que era um administrador capaz e entusiástico, afastou-se da Ordem que fundara.

A essa altura, o lugar deixado por Annie Borniman fora ocupado pela atriz Florence Farr, que também viria a se rebelar contra a atitude ditatorial de Mathers. Este, por seu turno, suspeitando que ela conspirava para trazer Westcott de volta ao comando da Ordem, revelou a fraude das cartas de Fräulein Sprengel, dando a entender que fora obrigado, por Westcott, a guardar segredo. A revelação caiu como uma bomba no seio da Aurora Dourada, abalando sua credibilidade e provocando o afastamento de vários membros.

Para completar o quadro de ruína, Aleister Crowley - na época um homem de grande saber ocultista, mas de reputação duvidosa - ingressara na Ordem e, com menos de um ano de filiação, pleiteara sua admissão ao Círculo Interno. Tendo seu pleito rejeitado, Crowley aproximou-se de Mathers e, conquistando sua confiança, conseguiu que ele o iniciasse à Segunda Ordem, em Paris. Essa iniciação não foi reconhecida em Londres, e pela primeira vez Mathers se viu diante de uma revolta total. A disputa atingiu o auge no inicio de abril de 1900 quando Crowley, depois de uma longa conferência com Mathers, retornou a Londres com plenos poderes para agir como seu Enviado Extraordinário. Vestido com um traje completo de montanhês escocês e uma máscara preta, ele tentou tomar posse do templo onde se encontrava a cripta (local em que processava o ritual de iniciação à Ordo Rosæ Rubeæ et Aureæ Crucis).

http://noitesinistra.blogspot.com.br/2012/10/aleister-crowley-o-papa-do-ocultismo.html
Aleister Crowley
O plano Mathers e Crowley foi frustrado, em grande parte pela vigilância de W. B. Yeats e de um punhado de membros, que assumiram o controle da situação. A comédia terminou com os membros londrinos expulsando Mathers e Crowley, e também alguns outros de lealdade duvidosa. Yeats logo assumiu o comando e fez o melhor que pôde para manter a paz durante um ano, mas acabou desistindo e renunciando a qualquer ligação muito ativa com a Golden Dawn, em fevereiro de 1901.

Golden Dawn
William Butler Yeats
A Ordem original começou a fragmentar-se, com alguns membros se desligando e fundando suas próprias sociedades ocultistas. No início de 1903, um grupo liderado por A. E. Waite assumiu o comando e imprimiu à Aurora Dourada uma nova direção, tornando-a menos mágica e mais mística. Essa mudança foi o golpe de misericórdia na Ordem.

Atualmente, algumas organizações ocultistas alegam ser a continuidade da Golden Dawn. Mas nenhuma delas conseguiu restaurar o brilho desse que foi o mais impressionante fruto da árvore rosacrucianista na Europa.

Fontes: Morte Súbita, Wikipédia e Paradigma da Matrix

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