10/02/2015

As lendas da lagoa dos Barros - RS


Saudações amigos e amigas. Hoje voltaremos a falar de histórias do imaginário popular brasileiro, em mais uma postagem da série sobre "Histórias e Lendas brasileiras". Mais abaixo vocês poderão conhecer um pouco as diversas lendas e mitos que cercam a Lagoa dos Barros no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Além das riquezas naturais a Lagoa dos Barros é rica em histórias e lendas contadas por moradores da região. Encantada, mal assombrada, são alguns dos adjetivos usados para definir a Lagoa dos Barros.

Os muitos mitos e lendas da lagoa

Os moradores da região contam inúmeros "causos" a respeito da lagoa, como a história de que nas profundezas da Lagoa vivia um monstro; ou de ninfas deslizando pela lagoa montadas em corcéis brancos carregados pelos ventos; ou ainda de que em períodos de seca é possível ver ao longe o topo de prédios mais altos e, em algumas ocasiões, ouvir o sino da Igreja tocando de uma possível cidade submersa construída no centro da lagoa, embora não se tenha qualquer notícia da existência de uma cidade do gênero nas proximidades, quanto mais em meio às águas. Sabe-se que a lagoa se formou a cerca de 5 mil anos (fonte), logo a suposta cidade teria que ter mais de 5 mil anos de idade.


Ligação subterrânea com o mar: é o que se fala para explicar o aspecto turvo da água e as ondas formadas em dias de temporal além do tamanho da lagoa, que tem cem quilômetros quadrados e profundidade de até sete metros. Dizem que quando a maré baixa, o nível da lagoa acompanha. Pesquisadores já encontraram vestígios marinhos no local, ligados a um passado remoto em que a área da lagoa fazia parte de uma grande baía.

A Lagoa dos Barros também tem histórias sobre um barco todo iluminado, que surge do nada nas noites mais escuras, e, da estranha aparição de dois misteriosos padres em suas margens. Essas lendas são bastante conhecidas pelos habitantes da região e visitantes mais assíduos. Independente de verdade ou mero causo estas histórias aumentam a curiosidade das pessoas e dão um toque de magia a Lagoa que é um dos lugares mais interessantes do Brasil.


A mulher de Branco da Lagoa dos Barros

Mas, entre todas as lendas envolvendo a Lagoa dos Barros com certeza a mais difundida e também macabra nasceu de um fato verídico. O famoso assassinato que movimentou Porto Alegre em 1940, quando o noivo da jovem Maria Luiza matou-a e jogou seu corpo na lagoa amarrado a uma pedra.



Moradores dizem que já encontraram uma mulher de branco à noite perto da lagoa. Quando foram em sua direção, um vento fortíssimo começou a sacudir as árvores. De repente, a figura sumiu sem deixar vestígio. Outra história sobre a mulher de branco surgiu em 1958, quando dois caminhoneiros a viram andando na beira da estrada que margeava a Lagoa dos Barros, à noite. Estranhando encontrar uma mulher sozinha àquela hora eles pararam para investigar, mas a figura desapareceu. 


As histórias sobre visões da mulher de branco que perambula pela lagoa a procura do seu noivo-assassino continuam se repetindo até hoje, às vezes assustando muitas pessoas.

O local onde o noivo atirou o corpo de Maria Luiza nas águas da lagoa dos Barros fica próximo a usina Açúcar Gaúcho S/A (Agasa), cuja velha chaminé desativada pode ser vista da rodovia.

A Agasa funcionou até 1989. Mas o funcionário Milton Nunes, hoje com 64 anos, trabalhou no prédio vazio até 2003, quando se aposentou. Foi nesse período que conheceu O TERROR. Ele era vigia do patrimônio abandonado. Um momento de sua ronda noturna era apavorante. Tratava-se de uma passagem entre os prédios. Quando ele percorria essa parte do trajeto durante sua ronda, os cabelos ficavam em pé.

— Era ela que estava ali — recorda.

O redemoinho Mortal

No lado contrário à rodovia freeway, um jovem casal dá aulas de kitesurf. Rafael Freitas e Clarisse Mallmann, ambos de 34 anos e sócios da empresa Rajada, não deixam de navegar pelas águas da lagoa, porém, nunca vão ao "meião", por causa do tal do redemoinho mortal. A força das histórias é tamanha que até bombeiros e barqueiros experientes demonstram receio com a lagoa. O sargento dos bombeiros Rogério Marques, 49 anos, lembra da correnteza, das ondas que vêm dos quatro lados ao mesmo tempo e de outras coisas aterrorizantes para evitar o local.

— Bem em frente à chaminé da Agasa, tem um ponto em que a bússola fica doida — alega.

Raul Espíndola Braz, 53 anos, foi bombeiro de 1980 a 1990. Hoje, conserta barcos e faz resgates na lagoa. Contatado certa vez para integrar uma pesquisa sobre prospecção de carvão na área, disse não.

O local onde o sargento Rogério afirma que a bússola fica doida é próximo de onde ocorreu o crime da noiva. Clarisse afirma que enquanto as pessoas estiverem nas proximidades, não devem tratar a história da noiva com desdém. Ao contrário, devem prestar a ela oferendas e sugere a clientes que levem pulseiras, brincos e batons para a noiva.

Raul Espíndola Braz
Curiosamente barcos maiores, seja de pescadores ou mesmo escunas, não são avistados nas águas da lagoa, apenas esportistas e pequenas embarcações se aventuram nas amaldiçoadas águas.

O dia mais terrível da vida do Beto do Daer

Dezoito de setembro de 1990, 14h20min. Beto do Daer, ou Betão, ou melhor, Paulo Roberto de Oliveira Rosa, 55 anos, funcionário do órgão rodoviário, saiu para pescar na Lagoa dos Barros com Luiz Carlos Gonçalves. Era um belo dia, mas tudo mudaria rápido. Enquanto pescavam, começou a bater forte o vento chamado pelos gaúchos de Nordestão (vento vindo da direção nordeste). Logo perceberam o perigo. Decidiram se mandar. Puxaram a rede. Incrivelmente, ela subiu lotada com 52 peixes.

Betão
A água entrava no barco, e os dois usavam um latão para tirá-la. Aos poucos, a dupla conseguia avançar em direção à beira. Então, começou a soprar o Minuano (vento polar muito gelado que sopra da direção sudoeste). Com uma força colossal, o vento empurrou o barco para o meio da lagoa, e o desespero tomou conta. Em terra firme, família e vizinhança já sabiam do drama. Avisados, os bombeiros chegaram ao local. Com uma lancha, tentaram entrar na água. Desistiram.

No meio da lagoa, a luta continuava. Beto e Gonçalves lembraram de uma plataforma de exploração de carvão. Se conseguissem alcançá-la, salvariam-se. Após horas, chegaram. Exaustos, jogaram-se na plataforma. À noite, o vento diminuiu. Mas, baixou, um nevoeiro muito denso. Horas passaram e eles decidiram procurar a margem.

Após longo tempo remando, a dupla ficou cercada pelo nevoeiro. Não era possível localizar as margens. Seguiram remando, quase a esmo, os braços doloridos pelo esforço. Eram 21h25min quando atingiram a terra. A volta para casa se deu na carona do Comodoro do empresário Aníbal Ferrari, que os acolheu, encharcados, na freeway. Betão fez, então, uma nova promessa. Nunca mais navegou na lagoa.

Moradores da região afirmam que o episódio teve origem sobrenatural, e passou a ser mais um causo a fazer parte da mitologia popular da lagoa.


Fontes: Zero Hora e RS em Foco 

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7 Comentários
Comentários
7 comentários:
  1. Uma das coisas que mais gosto nesse blog são as lendas brasileiras, e essa é muito interessante. O lugar parece muito bonito pela foto, mas não entro nessa lagoa nem que me paguem.

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    1. Pois é...essa série tem sido bastante especial para o blog. Tem tido uma ótima aceitação, isso sem contar com a grande quantidade de participações dos amigos e amigas que acessam o NS. Tem sido bastante gratificante...

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    2. Olá sou Amanda. Moro em Osório RS e a lagoa é um local muito bom para se nadar e de tudo. Mas me dá medo entrar nessa lagoa. Caso queira conhecer a cidade não perca a oportunidade de visitar a lagoa. Só te aviso: quem vem de longe se assusta com os fatos.

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    3. Legal Amanda...já passei pela lagoa algumas vezes a caminho do litoral, mas nunca tive a oportunidade de parar e dar uma conferida mais afundo. Essa é uma das lendas mais legais do RS...

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  2. A região é muito bonita, principalmente o morro da Borrússia. A lagoa dos Barros é tão grande que há quem diga que muitos e muitos anos atrás tinha um senhor de colónia alemã que queria conhecer o mar, indicaram o caminho: '- Vai pela esta estrada sempre em frente até ver um monte de água que não termina mais, lá é o mar'. O homem colocou a família na carroça e foi veranear ... Antigamente ir para a praia era uma aventura, não tinha nada, quem quisesse pescar miraguaia ou tomar o banho medicinal (sim, usavam o mar como terapia para vários males como por exemplo sinusite) tinha de construir uma cabana provisório com o brejo. Só na hora de ir embora encontrou um amigo que deu a noticia que ele havia se enganado, que aquilo não era o mar. Não reparou que a água não era salgada, e o oceano ficada mais 30 Km para frete.

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  3. Esta história conheço deste criança, mas como lenda, desconhecia provas (recorte de jornal). Teriam como publicar (ou enviar) uma foto com qualidade que posso ler a reportagem? Dizem também de um redemoinho que se forma em cima da água causada pelo vento forte da região, e pescarias em noites de inverno o pessoal se esquenta com "métodos etílicos", ocasionando ocorrências de noivas de branco.

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  4. Ótima matéria. Meu pai era apicultor e tinha abelhas na fazenda de um Sr. chamado Brunelli nessa região. Quando eu ia junto, ficava tomando banho na lagoa dos Barros e gostava de ouvir as histórias sobre a ligação com o mar e sobre o "sumidouro", que seria o tal redemoinho.

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