14/09/2015

A misteriosa morte de 134 mil antílopes no Cazaquistão


Em maio de 2015, o geoecologista Steffen Zuther e sua equipe embarcou rumo ao Cazaquistão, onde planejavam monitorar uma manada de antílopes. Mais especificamente, da espécie saiga, que faz parte da lista de animais ameaçados de extinção da União Internacional da Conservação da Natureza.

A espécie é essencial no ecossistema das estepes. O frio intenso do inverno do Cazaquistão impede que as plantas se decomponham, e os antílopes saiga acabam cumprindo essa função ao comer esses restos, reciclando os nutrientes e impedindo que o excesso de folhas cause incêndios. “É possível perceber que, onde encontramos saiga, também há outras espécies em abundância”, diz Zuther.

No entanto, ao chegar na área, veterinários locais afirmaram que havia centenas de antílopes saiga mortos. Quatro dias depois, as centenas haviam se transformado em 60 mil. Após duas semanas, o número chegou a 134 mil.

As mortes em massa acabaram em junho e, a partir de então, cientistas passaram a investigar as causas da tragédia. Olhando mais a fundo, eles descobriram que, até 2014, incidentes como esse foram responsáveis pela morte de mais de 257 mil animais da espécie.

Manadas de antílopes saiga podem ser encontradas no Cazaquistão, na Rússia e na Mongólia. Os grupos se reúnem durante o inverno e migram para outras áreas no outono. É no fim da primavera e no começo do verão, período em que as fêmeas costumam parir seus filhotes, em que as mortes em massa acontecem.

A partir de observações, os cientistas perceberam que as fêmeas que se agrupam para dar à luz, bem como os filhotes destas, são os primeiros a morrer. Os pesquisadores começaram então a suspeitar que o culpado pelo adoecimento dos animais possivelmente era transmitido por meio do leite das mães antílopes saiga.


Após realizar testes nos tecidos dos animais, os cientistas descobriram que toxinas produzidas por uma bactéria — ainda não definida — estavam causando sangramentos internos nos órgãos dos membros das manadas. Logo, o mistério permanece. “Não tem nada demais nessa bactéria. A questão é descobrir o motivo de ela ter se desenvolvido tão rapidamente a ponto de ser transmitida para tantos animais”, afirma Zuther.

Fonte: Revista Galileu

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