19/09/2014

O sequestro do bebê Lindbergh


Saudações galera atormentada. Hoje trago a vocês um texto a respeito de um assunto que me foi indicado pelo amigo Viquitor (@TheViquitor) durante uma conversa via Twitter. O texto fala do caso do sequestro do bebê Lindbergh. Esse sequestro causou grande comoção nos estadunidenses, pois o pai do menino, Charles Augustus Lindbergh, era um dos grandes heróis do povo norte americano do início do século XX.

O piloto Charles Lindbergh havia feito fama nos espetáculos aéreos de acrobacias, mas em 1927 ele realizou a primeira travessia solitária do atlântico em um avião, fato que deu a ele o status de herói entre o povo norte americano. O primeiro voo transatlântico a ser realizado foi feito pelos brasileiros João Ribeiro de Barros, Newton Braga e João Negrão, 23 dias antes de Lindbergh.

Charles Lindbergh

O sequestro de Charles Augustus Lindbergh Jr

Em 1º de março de 1932, Charles Augustus Lindbergh Jr, ou Charles Lindbergh III (como também é mencionado o nome do garoto em algumas fontes), de 20 meses, filho do herói da aviação, Charles Lindbergh, é sequestrado da nova mansão da família em Hopewell, Nova Jersey.


No dia do sequestro, ele e sua esposa Anne descobriram um bilhete no quarto do filho, exigindo um resgate de US$ 50 mil dólares. O sequestrador exigiu que US$ 25 mil fossem entregues em notas de 20 dólares, US$ 15 mil em notas de 10 dólares e o restante em notas de 5 dólares. O bilhete de resgate apresentava muitos erros de ortografia, o que poderia indicar que o sequestrador fosse um estrangeiro.


O sequestrador utilizou uma escada de madeira para escalar até o andar superior e entrar no quarto pela janela aberta, deixando pegadas de sapatos sujos de barro no assoalho do cômodo. A escada foi levada até o local pelo próprio sequestrador. Ela havia sido dividida em partes, para facilitar o transporte.


Logo em seguida, a família recebeu ofertas de ajuda e pistas falsas. Até Al Capone, da prisão, ofereceu assistência. Nos três dias que se seguiram, os investigadores nada encontraram e não houve qualquer comunicação dos sequestradores. Foi então que um novo bilhete elevou o preço do resgate, exigindo desta vez 70 mil dólares.


As autoridades de Nova Jersey anunciaram uma recompensa de US$ 25.000 para o retorno seguro de "Lindy Little". A família Lindbergh ofereceu uma recompensa adicional US$ 50.000. A recompensa total de US$ 75.000 foi ainda mais significativa pelo fato de que a oferta foi feita durante os primeiros dias da Grande Depressão.

Charles Lindbergh e a esposa Evangelina
Tanto a família Lindbergh como as autoridades não pareciam dispostas a negociar com o sequestrador num primeiro momento, mas quando denúncias falsas começaram a surgir tanto a família como a justiça passaram a reconsiderar as negociações.

Dez dias após o sequestro, o Dr. John Condon, encarregado das negociações, encontrou-se num cemitério com o sequestrador, que tinha sotaque alemão. Nesse encontro o sequestrador informou que o bebê estaria num barco chamado Nelly, na costa de Massachusetts. O resgate foi pago e depois disso iniciou-se uma exaustiva busca, porém, nada foi encontrado. Porém no dia 12 de maio de 1932 o corpo do pequeno Lindbergh foi encontrado por um caminhoneiro em uma mata, a sete quilômetros da residência da família. A causa da morte foi um pesado golpe na cabeça, na mesma noite do sequestro. Alguns dos peritos que analisaram as evidências acreditam que o menino tenha morrido no momento em que o sequestrador estava descendo a escada com ele nos braços, nesse momento o sequestrador teria deixado ele cair no chão.


Com o coração partido, o casal acabou doando a mansão para uma casa de caridade e se mudou.

Investigação

O sequestro parecia sem solução até 18 de setembro de 1934, quando um sujeito encheu o tanque de seu carro em Nova York e pagou os 0,98 centavos de dólar, referentes a gasolina, com uma nota de US$ 10. Diante da surpresa do frentista, o homem disse que tinha em casa cem daquelas notas. Não sabia ele que cédulas desse valor tinham deixado de ser impressas para facilitar a identificação do criminoso.

A placa era de Nova York. A polícia rastreou a pista e chegou ao imigrante alemão Bruno Hauptmann. Ao vasculhar sua casa, os detetives encontraram US$ 11 mil dólares em notas do dinheiro do resgate de Lindbergh. Hauptmann alegou que um amigo lhe havia dado o dinheiro para guardar e que não tinha nada a ver com o crime.


Bruno Hauptmann sendo conduzido por oficial da justiça

O Julgamento

O julgamento teve uma cobertura ampla, diária e sensacionalista de toda a imprensa escrita e radiofônica. Era o ‘crime do século’. O processo criminal não era particularmente complicado. A principal prova era que Hauptmann tinha a posse do dinheiro pago no resgate.


Seis dos oito peritos que analisaram a escrita de Hauptmann e a compararam com a letra do bilhete de resgate, afirmaram que as letras eram compatíveis.

O réu explicou que o dinheiro pertencera a Isidor Fisch, que acabou falecendo de tuberculose quando viajava para a Alemanha, ainda em 1934. A esposa de Hauptmann não sabia nada a respeito de dinheiro algum. Ela não sabia, ou disso não saber, nada a respeito de Isidor Fisch ter deixado dinheiro para o marido, assim como afirmou não saber que esse tal montante existisse.

Bruno Hauptmann atrás das grades
Outra prova levantada pela acusação dizia respeito a escada usada no sequestro. Para chegar até o quarto onde “Lindy Little" estava, o sequestrador precisou usar uma escada de madeira. A escada acabou sendo deixada para trás após o sequestro. Na casa de Hauptmann foram encontrados restos de madeira do mesmo tipo usado para fabricar a escada, e rascunhos de um “projeto” para a construção de uma escada com a letra do réu.

Lindbergh, no centro, saindo do tribunal após o julgamento
Na casa onde Hauptmann residia com a esposa, foi encontrando um número de telefone rabiscado no armário, o número era o mesmo de John F. Condon, homem que era responsável por negociar o resgate com o sequestrador.


As provas apresentadas e a intensa pressão da opinião pública foram suficientes para condenar Hauptmann. Ele foi eletrocutado em 3 de abril de 1936, na prisão de Trenton, Nova Jersey. Tinha 36 anos. Como consequência desse crime, o sequestro passou a ser um delito federal grave.

Controvérsias

Algumas pessoas afirmam que talvez Bruno Hauptmann não seria o único sequestrador. Essa corrente de pensamento afirma que talvez Isidor Fisch, fosse cúmplice de Hauptmann. Outras pessoas afirmam que Hauptmann era inocente. Ambos os grupos usam algumas controvérsias no caso para defender suas teses.

Anna Hauptmann, esposa de Bruno Hauptmann. Ela escreveu um livro após a execução do marido, onde ela conta a sua versão da história. 
A primeira questão foi o dinheiro. Quando Hauptmann foi capturado, ele vivia em uma casa humilde para uma pessoa que teria recebido US$ 75 mil dólares, sendo que quando ele foi capturado, Hauptmann estava com apenas US$ 11 mil dólares, o que havia acontecido com o resto? Segundo ambas as correntes de pensamento levantadas acima, Isidor Fisch seria ou o único sequestrador, ou Hauptmann seria apenas um cúmplice de Fisch, tento ele recebido uma pequena quantia pelos serviços prestados.

Outro fato a ser questionado é o depoimento dado por John F. Condon. Durante o julgamento Condon testemunhou contra Hauptmann, alegando que era o réu o homem que ele havia encontrado no dia em que ele foi entregar o dinheiro do resgate, mas antes da prisão de Hauptmann, Condon havia dito que não tinha conseguido ver o rosto do sequestrador no dia da entrega do dinheiro. A afirmação feita por Condon se baseou apenas no sotaque do réu, mas talvez o homem que Condon tivesse encontrado naquele dia não fosse Hauptmann, mas sim Fisch.

A prova mais controversa apresentada no julgamento diz respeito ao número de telefone encontrado anotado na porta do armário do réu. Hauptmann afirmou que não sabia do que se tratavam aqueles números, e acusou os policiais ou mesmo os repórteres de terem escrito tais números lá para incriminar ele. Segundo informações do site Opera Mundi, anos mais tarde um jornalista afirmou que havia escrito o número do telefone de Condon no armário de Hauptmann no dia em que ele foi preso.

A pressão da opinião pública sobre o caso acabou acelerando demais as investigações e apuração das provas encontradas, isso sem contar no desejo de vingança que pode ter cegado os homens responsáveis por analisar o caso. Bruno Hauptmann pode ter sido uma vítima, ou não ter agido sozinho. Será que Isidor Fisch realmente existiu? E se existiu, será que ele realmente morreu quando retornava para a Alemanha? Certamente nos dias de hoje não existem mais motivações para investigar tais questões.

Agradecimentos especiais ao amigo @TheViquitor pela sugestão.

Fontes: Acervo Globo e Josito Montez

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6 Comentários
Comentários
6 comentários:
  1. É, esta mistura de justiça com a mídia é uma verdadeira faca de dois gumes.

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    1. Casos que mobilizam demais a opinião pública costumam se transformar em caça as bruxas...tanto para o bem como para o mal...

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  2. fico pensando nesses pais... nos perdemos um filho de maneira violenta, mas tivemos as respostas dos por quês (ainda que não nos satisfaçam). não sei se o cara eletrocutado era o único culpado, mas inocente não era. ainda que vivesse numa casa humilde, o que poderia apenas ser estratégico até a poeira baixar, não podemos esquecer que, para a época, 11 mil era uma verdadeira fortuna...

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    1. Cara ‘Malu’,
      acabei de ler seu comentário e gostaria de mostrar meu profundo sentimento pela sua perda.

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    2. Sinto muito por sua perda também, Malu!! Tenho um filho pequeno e nem consigo imaginar perder ele sem que escorram lagrimas dos meus olhos e um forte aperto do meu coração. Posso imagina o tamanho da sua dor!!

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