31/01/2014

José Luis Calva Zepeda: O poeta canibal mexicano


Olá meus caros amigos e amigas, hoje voltaremos a falar de um assassino canibal, que passou a ser chamado pelo apelido de: "O poeta Canibal", mas também se tornou conhecido, principalmente pela imprensa internacional, como "Canibal de Gerrero". Venham comigo conhecer um pouco mais de José Luis Calva Zepeda, esse mexicano que levou seu desejo e ódio pelas mulheres a patamares doentios e violentos, resultando na morte de, no mínimo, duas mulheres.

Infância

José Luis Calva Zepeda nasceu na Cidade do México em 20 de junho de 1969, filho de Stephen Zepeda e Elia Calva Téllez Camarena. Quando Zepeda tinha apenas 2 anos de idade, seu pai faleceu em circunstâncias trágicas. Desde desde a morte do pai, José Luis foi abusado psicologicamente por sua mãe. Em 1976, um episódio de abuso sexual marcou sua vida. Esses abusos cometidos por sua mãe acabaram sendo determinantes nos seu comportamento violento contra mulheres. Logo fugiu de casa e viveu muito tempo na rua, entre as crianças que usavam drogas, na rua ele se prostituía em troca de algumas moedas. Com o advento da adolescência e da descoberta de sua bissexualidade, a mistura entre atração e desprezo  pelo sexo feminino passou a fazer parte constante de sua vida e de suas relações.


Estudos

Saindo das ruas Zepeda acabou concluindo o ensino secundário. Quando finalmente se casou, foi pai de duas filhas. Seu casamento durou sete anos. Sozinho novamente, Zepeda passou a escrever poemas e histórias que refletem seu estado de espírito e que denunciava sua visão de mundo distorcida.

Primeira prisão

Em 1993, ele foi preso por carregar uma faca, ficou preso pouco tempo. Nesse período conheceu Juan Carlos Perez Monroy, com quem ele teve um relacionamento duradouro. A paixão por Monroy não extinguiu sua atração por mulheres: Zepeda vivei sua bissexualidade com facilidade e prazer. Durante esse conturbado período José Luiz Zepeda se tornaria ator.

A veia poeta

Zepeda escreveu e publicou alguns livros, também escreveu histórias de terror visando o cinema e o teatro. Seus poemas foram assinados com o pseudônimo de "Caminhando", "Um dia todos terão de seguir a Caminhando", diz um fragmento de uma de suas obras.


Ele escreveu 10 romances, oito peças de teatro e de 800 poemas. No início de um de seus volumes de uma linha indica: "Dedico estas palavras para a maior criação do universo (que sou eu)."


Zepeda vendia seus poemas em folhas soltas ou folhetos que oferecia nas ruas e cafés e nas colônias de Roma e Condesa na Cidade do México e no Popular Tianguis.

O inicio dos crime

Em 2004, ele conheceu Verônica Consuelo Martinez Casarrubia. Com Verênica, Zepeda passou a viver um tórrido relacionamento amoroso.


Mas as coisas não estavam bem como pareciam. A mãe de Verônica se opôs à relação, ela disse à filha que o homem "não combinava com ela". Porém Verônica nunca ouviu o conselho da mãe.

No entanto, a desaprovação da família de Verônica, aliada ao comportamento instável de José Luis, acabou por determinar o fim do romance, culminando com o começou carreira criminosa de Zepeda: Ele assassinou e desmembrou Verônica em um ataque de fúria. Ele deixou o cadáver desmembrado em Chimalhuacan, no Estado do México. A polícia a encontrou em 30 de abril do mesmo ano. Sua mãe, Judith Casarrubia, apresentou uma queixa contra Zepeda, que se tornou um fugitivo da justiça.

Judith Casarrubia, mãe de Verônica
Quando se mudou para a Rua 17 n º 198, Colonia Guerrero, transformou seu apartamento em um cenário de filme de terror: tinha facas, livros de bruxaria, velas e textos de terror, muitos deles escritos por sua própria mão. Zepeda passou a praticar feitiçaria, usava cocaína e se tornou um alcoólatra e fumante excessivo.

Em seu guarda roupa mantinha uma roupa feminina com um sutiã preenchido com duas peças de alumínio, simulando dois seios. Ele também tinha máscaras multicoloridas adequadas para o Carnaval. Vários de seus poemas falavam sobre a sua obsessão em se tornar uma mãe. Nessa casa ele mantinha em um quarto com uma cama e com roupas de bebê. Essas roupas teriam sido um presente de sua mãe, em 1997, para uma de suas netas.


A polícia acredita que em 2007 José Luis tenha matado e desmembrado uma prostituta, conhecida como "A Jarocha" ou "Coastal". O corpo foi encontrado em 9 de abril em Tlatelolco. No entanto, esse crime atribuído Zepeda nunca foi confirmado, apesar da similaridade com os outros crimes de Zepeda.



Os vizinhos alegaram que Zepeda era tranquilo, calmo, elegante e até mesmo "galante". Ele sempre recebia mulheres em seu apartamento, mulheres de diferentes idades que ele conhecia no café onde ele trabalhava, na Avenida Guerrero. A portaria de seu prédio afirmava que: "ele nunca se comportou estranhamente".

Nesse período ele passou a se relacionar com Alejandra Galeana Garavito, romance esse que durou várias semanas. Ela tinha trinta anos, mãe solteira, estava apaixonada por um homem que escrevia poemas de amor e juras de amor. Ela nem suspeitava que tão gentil homem poderia ser um psicopata. Alejandra era uma jovem séria, que não socializava muito. Ela trabalhava na Farmácia Genéricos na esquina da Guerrero com Orozco e Berra. Ao sair, ela andava quatro quarteirões ao longo do Eixo 1 e Zepeda a acompanhava. Em seu computador Alejandra mantinha uma foto de Zepeda. Em seu quarto ela mantinha cuidadoramente guardadas as cartas e poemas que ele escreveu para ela. Uma dessas cartas diz:

"É a ausência de seu corpo que eu preciso comigo.
O desejo de pegá-lo entre o meu travesseiro e sonhos.
São seus olhos que me pegam como caçador de lança ".

Em outra parte do poema pode-se ler o seguinte:

"Obrigado por fazer parte deste universo,
o seu, o meu, o nosso.
de origem para a evolução. "

Em 5 de outubro, Alejandra Galeana saiu de casa para nunca mais voltar; parou de responder aos telefonemas de sua mãe, que também discordou com seu relacionamento com José Luis Zepeda.

Alejandra e José
Na noite de 5 de outubro, Zepeda assassinou sua namorada. Mas desta vez ele não parou apenas no crime. Após o assassinato, Calva Zepeda a desmembrou dentro de uma banheira, procedendo das mesma forma como fez com Verônica Consuelo. Não satisfeito com isso, decidiu manter o corpo em seu apartamento. Arrancou perna e braço direito, tirou a pele e a carne e, em seguida, colocou os na geladeira. Ele colocou alguns ossos em uma caixa de cereal. O tronco do corpo de sua Alejandra, Zepeda colocou no armário.


Restos mortais de Alejandra
Na segunda-feira, 8 de outubro Zepeda começou a cozinhar: os ingredientes principais eram a mão e cortes de carne do braço de Alejandra . Ferveu água e preparou um caldo muito grosso, uma vez que a carne foi cozida, acrescentou limão como tempero. Ele serviu os pedaços de carne a mesa com mais limão em um prato. Ele não esperava que seus vizinhos tivessem notado o mau cheiro do corpo que começava a se decompor. Eles chamaram a polícia, que veio ver o que estava acontecendo.

Mãe de Alejandra

Prisão

Quando os policiais bateram à sua porta, Calva Zepeda sabia que ele estava perdido. Deixou os policiais entrar, mas, em seguida, tentou fugir saltando da varanda de seu apartamento. Apesar da queda ele ainda podia correr, mas foi atingido por um táxi. A polícia prendeu-o e, em seguida, vasculharam a casa, onde os policiais descobriram aquilo que estava provocando o mau cheiro relatado pelos vizinhos e que os encheu de horror, e se tornou a mais sensacional notícia do ano no México.

Apartamento de Zepeda
Paramédicos vieram para prestar socorro a Zepeda, mas sua condição justifica a sua transferência para uma clínica. Ele foi levado para o Hospital Xoco, onde permaneceu sob custódia. Enquanto ele estava lá, disse a um criminologista: "De certa forma, agradeço a polícia, assim não causo nenhum dano. Já quero que acabe esse inferno.".






Ouvindo o rádio a notícia da prisão, Judith Casarrubia foi imediatamente para a policia para avisar que ele era o suposto assassino de sua filha, Verônica Consuelo.

Os meios de comunicação passaram a chamar Zepeda de "O Canibal do Guerreiro", em referência ao bairro onde viveu e onde cometeu seus crimes. Outros o chamavam de "O Poeta Canibal". Ele se declarou "admirador de Hannibal Lecter", o personagem dos romances de Thomas Harris, que seria imortalizado pelo cinema.

Em uma parede de seu apartamento, Zepeda mantinha uma imagem de Anthony Hopkins no papel do assassino notório do filme O Silêncio dos Inocentes. Ainda assim, ele sempre negou que tenha praticado canibalismo, ele sempre disse que não tinha comido nenhuma parte do corpo, porém, por que motivo ele teria cozido e temperado as partes do corpo?

Em 22 de outubro, a polícia prendeu seu amante e suposto cúmplice, Juan Carlos Monroy Perez. Em 24 de outubro, Zepeda foi levado para a prisão de Leste.

Julgamento

Perante o juiz disse ser um escritor católico que ganhava até 400 dólares por dia com a venda de seus textos. "Eu não sou o monstro como foi dito, eu sou uma pessoa que cometeu um erro, estou arrependido e tenho o desejo de viver, não importa se eu vou ficar trancado aqui 50 anos", disse ele.

Seu advogado foi Humberto Guerrero Plata, que afirmou que "ele estava doente de suas faculdades mentais." Nestes termos, José Luis Calva Zepeda se recusou a depor.

Além de acusá-lo de assassinato de três mulheres, foram levantadas acusações de profanação de cadáveres e crimes contra a paz dos mortos. Da mesma forma, as autoridades tentaram relacionar os assassinatos de inúmeras mulheres na zona de fronteira entre o Estado do México e do Distrito Federal, onde dezenas de mulheres mutiladas apareceram, sendo que em alguns desses casos, partes dos corpos, como pernas, braços e torsos, nunca foram localizados.

Na prisão, Calva Zepeda começou a escrever uma nova peça: Cannibal, o Sedutor Poeta, que ficou inacabado. Um fragmento: "Você tem à sua frente apenas duas opções: viver ou morrer. Morrer é fácil e não necessita parar de respirar. Mas para viver é preciso morrer ".


Neste manuscrito, Calva Zepeda conta a história de um bebê recém-nascido que é abandonado por sua mãe e resgatado por um cão vadio. Mais tarde, o personagem é criado por uma bibliotecária, que lhe dá o nome de Dante e o ensinou a ler e escrever. Ensina também o amor pela poesia. A partir daí, Dante passa a cometer seus crimes, deixando nas suas vítimas (todas mulheres) um poema escrito em sua pele. No final das folhas aparece uma linha que diz: "Nota: Não publiquem estas folhas, protegidos por direitos de autor."

No hospital e na prisão foi visitado por uma jovem, Dolores Mendoza (que outras fontes identificaram na como "Juana"), sua nova namorada, que certa vez teria dito à imprensa: "Eu nunca conheci um canibal, só um bom homem."

A morte chega para o canibal

Mas a história do assassinato teve um final estranho. Após vários dias dizendo a sua família que os outros presos "queriam matá-lo e pediam-lhe dinheiro", Calva Zepeda aparentemente comete suicídio em 11 de dezembro. Encontrado enforcado com um cinto em sua cela. Sua morte ocorreu entre 6:00 - 6:30 horas. Ele foi encontrado as 7:00, quando se fazia uma chamada. Apesar do fato de que ele tinha que ser vigiado 24 horas por dia.

Sua irmã, Claudia Calva Zepeda, disse depois de sua morte: "Agora eu quero justiça para o canibal, para esse canibal que muito foi acusado, porque ele não se matou ... ele tinha muito animo e sabia que ia ser 50 anos aqui (na prisão), mas não deixaram, o ameaçaram e cumpriram a ameaça. "

Zepeda deixou duas notas póstumas. As cartas escritas para sua mãe dizendo: "Eu não sei o que passou pela minha vida, mas eu perdi, eu perdi tudo o que tinha e o que faria. Deixei de lado suas palavras de amor e, ainda mais, suas noites em claro cuidando de mim. Seus conselhos não funcionaram e, para mim, eu era invencível. Antes eu sabia que eu estava cercado por pessoas estranhas, que só vieram a me machucar mais do que hoje. Hoje, aqui, por trás desses bares que me aprisionam, pelo silêncio desses corredores frios e longos, eu digo com o coração nas mãos: Eu não vou deixar você e, acima de tudo, perdoa-me, mamãe."

Em sua segunda nota, declarou: " Estou determinado a ir, não posso suportar o peso da minha miséria, eu tentei me perder no caminho falso e só tenho a afundar, eu só peço que você mantenha minhas cartas, pois esta é a única coisa boa que eu fiz na vida, eu não posso escrever mais, e eu sinto muito pela tão grande dor que causei."

No funeral vieram as famílias das vítimas, pedindo para ver o corpo no caixão para se certificar de que ele estava morto. "Nós queremos ver quem está morto e se certificar de que não vai machucar ninguém", disseram. Sua irmã, Claudia, ajoelhou-se diante deles e pediu desculpas pelos crimes de seu irmão.


José Luis Calva Zepeda, o "Cannibal do Guerrero", foi enterrado na Cidade do México em 12 de dezembro de 2007, dia da Virgem de Guadalupe, no panteão San Nicolas, em Iztapalapa, às 14:30 . No funeral compareceram a irmã Claudia, mas não sua mãe, nem qualquer sacerdote. No túmulo, coberto de flores, estava uma coroa colocada pela família.

Com o enterro terminou a história de um dos mais estranhos assassinos da história mexicana. Sua herança literária é considerada pobre por muitos e grande para outros, inclui uma frase que poderia servir como seu epitáfio: "Vamos entrar no mundo fascinante do comportamento humano e olhar um toque estranho dentro de cada um de nós. Só então vamos chegar ao conhecimento de nós mesmos."


Convido os amigos e amigas que quiserem ver fotos dos cadáveres das mulheres assassinadas por Zepeda, a acessar (clicando aqui) o TUMBLR do blog Noite Sinistra. Lembrando que as imagens não são aconselhadas para menores de 18 anos.

Fontes: Murderpédia, Wikipédia e Memórias Assombradas

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