21/03/2014

Albert DeSalvo: O estrangulador de Boston


Nascido em 3 de setembro de 1931, em Boston, Massachusetts, Albert DeSalvo assumiu a autoria dos crimes cometidos pelo assassino que ficou conhecido como "O estrangulador de Boston", que durante a década de 60 assassinou diversas mulheres que moravam sozinhas, ao invadir suas casas e estrangular as vítimas usando peças da vestimenta das mesmas. A confissão de DeSalvo, que estava cumprindo pena por diversos crimes sexuais, a respeito dos crimes do estrangulador, era extremamente detalhada, mas apresentava algumas falhas que o contradiziam e que não combinavam com os dados em mãos da polícia, o que levou muita gente a duvidar que ele de fato fosse o temível Estrangulador de Boston. DeSalvo nunca chegou a ser acusado pelos crimes, pois no dia 25 de novembro de 1973 ele foi assassinado em sua cela.

Uma família problemática e violenta

DeSalvo nasceu em Chelsea, Massachusetts seus pais eram Frank e Charlotte DeSalvo. Seu pai era um alcoólatra de hábitos violentos, que chegou ao ponto de bater em sua esposa quebrando todos os seus dentes. Seus atos violentos incluíam dobrar os dedos dela para trás, até quebrá-los. Albert em um de seus depoimentos disse que o pai também havia quebrados todos os seus dedos, na frente de sua mãe. Ele também forçava seus filhos a vê-lo fazer sexo com prostitutas, que ele levava para casa. Seu pai abandonou sua mãe mais tarde, e a mesma se casaria novamente.

Albert DeSalvo à esquerda
Quando jovem, Albert foi vendido como escravo com sua irmã a um agricultor em Maine por cerca de nove dólares. As crianças fugiram e voltaram para casa, onde Frank DeSalvo começou a ensinar e incentivar Albert a roubar. Em novembro de 1943, com 12 anos, DeSalvo foi preso pela primeira vez por roubo. Em dezembro do mesmo ano ele foi enviado para a Lyman School, uma escola de recuperação para meninos. Em outubro de 1944, ele estava em liberdade condicional e começou a trabalhar como entregador.


Serviço militar e casamento

Albert cresceu como um delinquente sexualmente perturbado, culpado de uma infinidade de pequenos crimes. Ele passou oito anos no exército, servindo na Alemanha, onde conheceu sua esposa, Irmgard Beck. Irmgard e Albert tiveram dois filhos, ele era conhecido como um bom pai de família, bem como um trabalhador dedicado. Logo após a dispensa honrosa do serviço militar, Albert voltou para a América.

DeSalvo e sua esposa
Em 1955 DeSalvo foi acusado de ter molestado sexualmente uma menina de 9 anos de idade, mas ao passo que o processo contra ele avançava, a mãe da garota resolveu retirar a queixa. Nesse período DeSalvo passou a ter problemas sexuais com sua esposa, exigindo relações cinco ou seis vezes por dia, repreendendo-a como “frígida” quando ela o recusava. As questões ficaram piores com o nascimento de seu primeiro filho em 1958 e uma nova falta de dinheiro, levando DeSalvo de volta à vida de crimes insignificantes. Preso duas vezes por arrombamento, recebeu a suspensão da sentença e, cada uma das vezes.


Os crimes do Estrangulador de Boston

Entre 14 de junho de 1962 e 4 de janeiro de 1964, 13 mulheres solteiras com idade entre 19 e 85 anos, foram assassinadas na região de Boston, esses assassinatos acabaram por ser vinculados ao "Estrangulador de Boston". A maioria das mulheres foram vítimas de violência sexual em seus apartamentos, estranguladas com artigos do próprio vestuário. A vítima mais velha morreu vítima de um ataque cardíaco. Duas outras foram esfaqueadas até a morte, uma delas também foi espancada. Sem qualquer sinal de entrada forçada em suas residências, foi concluído que as mulheres conheciam o seu assassino, ou voluntariamente, permitiram-lhe que entrasse em suas casas.

A polícia não estava convencida de que todos esses crimes eram obra de um único indivíduo, especialmente por causa da grande diferença de idade das vítimas; no entanto grande parte do público acreditava que os crimes tivessem sido cometidos por uma só pessoa.

As vítimas

Anna Slessers, 55 anos, foi a primeira a morrer, estrangulada com o cordão de seu roupão em 14 de junho de 1962. Uma meia de náilon foi usada para matar Nina Nichols, 68 anos, em 30 de junho, e Helen Blake, 65 anos, foi encontrada no mesmo dia com uma meia e um sutiã amarrados ao redor de seu pescoço. Em 19 de agosto, Ida Irga, 75 anos, foi manualmente estrangulada em sua casa, decorada com uma fronha amarrada, e Jane Sullivan, 67 anos, estava morta havia uma semana quando foi encontrada em 20 de agosto, estrangulada com suas próprias meias, mergulhada na borda da banheira com seu rosto submerso.


O assassino pareceu quebrar o padrão em 5 de dezembro de 1962, matando uma mulher de 20 anos, Sophie Clark. Outra mudança foi vista com Patrícia Bissette, 23 anos, estrangulada em sua cama, coberta até o queixo, em vez da disposição gráfica usual. Com Beverly Samans, 23 anos, morta em 6 de maio, o assassino usou uma faca pela primeira vez, apunhalando sua vítima 22 vezes antes de enrolar a tradicional meia ao redor de seu pescoço. Evelyn Corbin, 58 anos, pareceu restaurar o padrão original em 8 de setembro, estrangulada e violada por uma agressão “não natural”, mas o assassino voltou às vítimas jovens em 23 de novembro, estrangulando Joann Graff, 23 anos, deixando marcas de mordida em seu peito. A vítima final, Mary Sullivan, 19 anos, foi encontrada em 4 de janeiro de 1964, estrangulada com um cachecol.


Prisão de Albert DeSalvo

Em 27 de outubro de 1964, um desconhecido entrou na casa de uma mulher jovem, se apresentando como um detetive. Ele amarrou a vítima em sua cama, começou a agressão sexual, e de repente a deixou, dizendo: "Sinto muito", enquanto saia. A descrição da mulher levou a polícia a identificar o agressor como DeSalvo e quando sua foto foi publicada, muitas mulheres da região o identificaram como sendo o homem que as havia agredido.


DeSalvo não foi inicialmente suspeito de estar envolvido com os assassinato do Estrangulador. Somente depois de ter sido acusado de estupro que ele deu uma confissão detalhada de suas atividades como o "Estrangulador de Boston" sob hipnose induzida por William Joseph Bryan. Inicialmente, ele confessou ao companheiro de cela Jorge Nassar. Ele então comunicou ao seu advogado Lee Bailey. Embora houvesse algumas inconsistências, DeSalvo foi capaz de citar detalhes que não foram divulgados para o público. No entanto, não havia nenhuma evidência física para fundamentar a sua confissão. Como tal, ele foi julgado pelos crimes de roubo e delitos sexuais anteriores. Bailey levantou a confissão dos assassinatos como parte da história do seu cliente durante o julgamento, a fim de auxiliar na obtenção de um veredito de "inocente por razões de insanidade" para os delitos sexuais, mas foi considerado como inadmissível pelo juiz.


Durante suas confissões DeSalvo incluiu duas vítimas que a polícia nem estava correlacionando com os crimes cometidos pelo famigerado Estrangulador de Boston. Uma, Mary Mullen, 85 anos, foi encontrada morta em sua casa, em 28 de junho de 1962, seu falecimento atribuído a ataque do coração. DeSalvo disse que Mullen teve um colapso quando ele invadiu seu apartamento, então, ele deixou seu corpo no sofá sem continuar a agressão habitual. Mary Brown, 60 anos, foi apunhalada e surrada em sua casa em 9 de março de 1963, novamente sem mostrar o famoso “nó do estrangulador”.


Condenação e morte

DeSalvo foi condenado a prisão perpétua em 1967. Em fevereiro daquele ano, ele fugiu com dois companheiros de Bridgewater State Hospital, desencadeando uma caçada em grande escala. Uma nota foi encontrada em seu beliche dirigida ao superintendente. Na nota DeSalvo afirmou que tinha fugido para chamar a atenção para as condições do hospital e sua própria situação. Um dia após a fuga, ele foi pego próximo a Lynn, Massachusetts. Após a fuga, ele foi transferido para o presídio de segurança máxima conhecido na época como Walpole, onde foi encontrado assassinado na enfermaria. Seu assassino ou assassinos nunca foram identificados.

Cama onde o corpo de Albert DeSalvo foi encontrado

As dúvidas a respeito dos crimes

Como já foi mencionado acima algumas afirmações feitas por DeSalvo durante sua confissão acabaram levando muitas pessoas a duvidar de que ele realmente tivesse cometido tais crimes.

Susan Kelly, escritora que teve acesso aos arquivos da Commonwealth of Massachusetts sobre o "Estrangulador", argumenta que os assassinatos foram o trabalho de vários assassinos em vez de um único indivíduo. Um outro autor, o ex-agente do FBI Robert Ressler, disse: "Estão unindo tantos padrões diferentes sobre os assassinatos do Estrangulador de Boston, que é inconcebível comportamentalmente que todos estes poderiam caber a uma só pessoa."


A única vítima sobrevivente do estrangulador, agredida em fevereiro de 1963, não conseguiu identificar Albert em um grupo, nem as testemunhas aquelas que tinham visto um suspeito próximo às cenas de homicídio de Graff e Sullivan puderam fazê-lo. Diversos detetives concentraram seu objetivo em outro suspeito, apontado como o “psíquico” Peter Hurkos, mas o homem submeteu-se voluntariamente a um asilo logo após seu último assassinato. E, se Albert DeSalvo foi levado por uma fixação materna, os psiquiatras dizem, por que ele escolheu mulheres jovens como cinco de suas últimas sete vítimas?

Ultimas informações

No dia 12 de Julho de 2013 foi realizada a exumação do cadáver de DeSalvo, com a finalidade de realizar as comparações com DNA encontrado nas vítimas.

Recentemente a polícia havia conseguido uma amostra de DNA de um sobrinho de DeSalvo em uma garrafa da água. Da amostra de DNA colhida foi isolado o cromossomo Y, que é o mesmo em todos os homens de uma família. O cromossomo Y achado no sêmen colhido no corpo de Mary Sullivan, a última vítima, era idêntico.

Esse foi o primeiro avanço para solucionar o crime do Estrangulador de Boston. O DNA do corpo de Desalvo será colhido para confirmar a descoberta.

Cinema e os crimes do Estrangulador de Boston

DeSalvo foi o tema do filme de Hollywood O Estrangulador de Boston, 1968, estrelado por Tony Curtis como DeSalvo, e Henry Fonda e George Kennedy como os detectives de homicídios que o prenderam. O filme foi altamente ficcional: É passado que DeSalvo era culpado, (não que ele nao possa ser) e o retratou como sofrendo de distúrbio de personalidade múltipla a cometer os assassinatos, enquanto em um estado psicótico. DeSalvo nunca foi diagnosticado com, ou mesmo suspeita de ter, o transtorno.


DeSalvo foi um dos assassinos em série cujas mortes foram recriados pelo assassino no filme Copycat.

O espírito de DeSalvo é convocado pelo xerife Lucas Buck para destruir o fantasma da irmã de Caleb sobre o episódio Strangler no American Gothic.

O nome DeSalvo foi usado para o personagem Andrew DeSalvo, um personagem fictício em Silent Hill 4: The Room. O personagem funciona como um guarda para a prisão onde as crianças são enviadas para a punição, mas é morto por um outro personagem chamado Walter Sullivan.

Fontes: Jornal da Globo, Face Obscura, Serial Killers e Murdepédia

Quando amanhecer, você já será um de nós...
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