16/12/2014

A bailarina fantasma do Teatro José de Alencar


Saudações amigos e amigas, hoje voltamos a contar com a dica de um leitor para a confecção de mais uma postagem da série sobre "Histórias e Lendas brasileiras". O amigo que nos agraciou com uma sugestão de postagem foi o João Paulo Farias, sendo que ele nos aconselhou a falar sobre a Bailarina fantasma do José de Alencar, em Fortaleza. Convido a todos a conhecer mais essa interessante história.

Muitos são os teatros com fama de assombrados ao redor do mundo, talvez pelo aspecto sombrio dos mesmos quando estão vazios. Aqui no blog Noite Sinistra já tivemos a oportunidade de falar das histórias de assombração do Teatro Nacional de Brasília (clique AQUI para recordar) e hoje contaremos uma interessante história relacionada com o teatro José de Alencar, situado na capital do estado do Ceará.

Foto de 1939
O dia 17 de junho de 1910 marcou a inauguração de um dos mais belos teatros de todo o Brasil: o Teatro José de Alencar. A casa de espetáculos foi entregue ao público da província pelo Presidente Nogueira Accioly, com direito a longo discurso proferido por Júlio César da Fonseca, um dos maiores oradores da época.


Não se sabe ao certo quando tudo começou, mas a história é antiga. Alguns funcionários e frequentadores do Teatro juram ter visto o fantasma de uma bailarina rondando o palco e os corredores do local. Segundo os relatos, ela aparece de repente, em meio a uma brisa gelada, quase transparente e com voz sussurrada. A assombração não só aparece constantemente, como faz piruetas e outros passos de balé. De acordo com funcionários e visitantes, trata-se de uma jovem mulher, com vestido azul e longos cabelos. E não some sem antes dizer: “Eu preciso ensaiar”.

Diante de tantos relatos como estes, existe uma "ferramenta" utilizada para espantar estes seres que aparecem e, muitas vezes, assustam quem os vê: é a ghost light (luz fantasma). Em sua pura definição, a luz, localizada ao lado esquerdo do palco, é acesa quando todas as outras estão apagadas, evitando, principalmente, que os atores caiam do palco, pisem ou tropecem em adereços.


Entretanto, com base em algumas superstições, as ghost lights são usadas para manter os fantasmas longe do palco. Além disso, dizem que ter, ao menos, uma luz acesa espanta a má sorte e a tristeza.

A escritora Socorro Acioli se interessou pelo caso e decidiu frequentar o teatro, à noite, para "sentir" a presença da bailarina. A partir das sensações e das informações que conseguiu, escreveu o livro “A Bailarina Fantasma”.


Entrevista com a escritora Socorro Acioli
Abaixo os amigos e amigas poderão conferir uma interessante entrevista dada pela escritora Socorro Acioli ao jornal de São Paulo a respeito da sua obra.

Como foram feitas as pesquisas antes de escrever a obra? Quais histórias que ouviu dos funcionários do teatro e que não foram parar no livro, por exemplo?
Acioli - O primeiro passo foi pesquisar a história oficial do teatro. Depois, passei a entrevistar funcionários, ex-funcionários, artistas e todas as pessoas que tivessem histórias para contar. Ouvi muita coisa e escolhi as melhores para o livro, aproveitei quase tudo.

Durante as visitas ao teatro, você passou horas sozinha no porão. Como foi a experiência? Algum rastro da bailarina por lá?
Acioli - Pedi autorização para andar por lá livremente. Um certo dia eu fiquei sozinha no palco principal, com todas as cortinas fechadas, uma escuridão de apavorar. Eu precisava sentir medo. Ouvi batidas de porta, vultos passando, mas não tive um encontro cara a cara com a bailarina. Infelizmente.

Há um emaranhado de dados históricos e ficção no romance. Pode dar algumas pistas para o leitor desvendar esse mistério?
Acioli - A cronologia é toda real: chegada do ferro, inauguração, reforma, tudo está no tempo certo, tudo aconteceu. Os personagens são todos ficcionais. A família MacFarlane não veio para Fortaleza, mas é de fato a empresa que produziu o ferro. Nunca existiu o Gabriel, o piano, nada daquilo. Foi encontrado um baú de madeira sobre o palco durante a reforma, mas não havia diário algum lá dentro. Já os relatos das aparições são todos reais.

O livro tem arabescos e fotos do teatro, mas nenhuma imagem da bailarina. É importante preservar esse espaço de imaginação dos leitores?
Acioli - Sim, muito importante. A imagem da bailarina está na cabeça de cada pessoa que sabe da sua existência. Para mim ela é como descrevi: muito branca, de cabelos ondulados, soltos, de roupa azul. Para o leitor, será como ele imaginar.

Para quem visitar o Theatro Teatro José de Alencar, em Fortaleza, quais cuidados deve tomar para não encontrar (ou encontrar) Clara (Clara é o nome do fantasma da bailarina na trama escrita por Socorro Acioli)?
Acioli - A Clara gosta de todos os lugares do teatro, por isso não há como fugir dela. Mas a pista mais certa é observar onde estão os gatinhos que moram por lá. Eles sempre ficam perto dela. 


Agradecimentos especiais ao amigo João Paulo Farias pela dica de postagem.

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3 Comentários
Comentários
3 comentários:
  1. Valeu João Paulo Farias pela ajuda do enriquecimento de nossa cultura que é tão esquecida. Espero que vc possa nos contemplar com outras estórias da cultura do estado do Ceará.

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    Respostas
    1. Pois é manolo...o Brasil inteiro é rico em lendas e histórias...o Ceará e o Pará são os estados mais vezes mencionados nessa série de postagens que visa falar dos mitos e lendas brasileiras...o João Paulo deu uma sugestão ótima de postagem...

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  2. nnn Passei três dias ensaiando e montando cenário e apresentando à noite no José de Alencar, saindo bem tarde e só não vi a Clara, como ninguém da equipe do teatro ou da produção local falou nela... isso foi em 1999. A Clara apareceu depois?

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