16/01/2015

Harold Frederick Shipman: O Doutor Morte


Saudações meus caros amigos e amigas. Hoje o blog Noite Sinistra volta a falar de um serial killer inglês, cujo nome é Harold Frederick Shipman, ou “Fred” como era conhecido pelos seus pacientes. Isso mesmo, o assassino tema da nossa postagem de hoje era médico, e por isso recebeu o apelido de “doutor Morte”, da sempre sensacionalista mídia inglesa.

Por trás dos óculos que lhe davam um aspecto austero e respeitável, pequenos olhos cinzentos impenetráveis e um obcecado silêncio: a personalidade do médico Harold Shipman, um dos maiores assassinos em série da história.

O clínico-geral de 57 anos de idade, apelidado de "Doutor Morte" depois de sua condenação à prisão perpétua em janeiro de 2000 pelo assassinato de 15 de seus pacientes, na realidade matou pelo menos 215 pessoas (vítimas essas passíveis de identificação). Esse número pode chegar até 260 vítimas. Os crimes foram cometidos entre 1975 e 1998, segundo investigações oficiais. O seu julgamento durou quatro meses, e após a conclusão e condenação do réu, foi decidido que as demais mortes não seriam julgadas, pois não haviam provas suficientes para condenar Fred por elas. Mas a imprensa inglesa afirmou na época que a justiça não estava disposta a julgar Shipman por esses outros casos, pois isso resultaria em um julgamento terrivelmente longo e caro, e como o assassino já havia ganhado uma pena de prisão perpétua não havia nada a acrescentar a pena dele. Essas suposições da imprensa, acabaram por revoltar inúmeros familiares das pessoas vítimas do Doutor Morte contra a justiça inglesa, afinal Shipman foi condenado pela morte de apenas 15 vítimas, isso gerou nos familiares um sentimento de que a justiça não foi feita aos seus entes queridos assassinado pelo monstro.

Os primeiros anos de um monstro

Shipman nasceu em Nottingham, Nottinghamshire, filho de Vera e Harold Shipman, que era motorista de caminhão. Seus pais eram metodistas devotos da classe trabalhadora. Shipman foi particularmente apegado a sua mãe, que morreu durante a sua adolescência.


Fred Shipman com o resto de sua escola primária
Shipman se graduou na Leeds School of Medicine, em 1970, e começou a trabalhar no Hospital Geral de Pontefract Pontefract, West Riding de Yorkshire. Em 1974, ele assumiu sua primeira posição como um médico de clínica geral (GP) em Todmorden, West Yorkshire. Em 1975 ele foi pego por forjar receitas médicas de petidina para seu próprio uso. Ele foi multado em £ 600, e brevemente frequentou de uma clínica de reabilitação de drogas em York.


Após um breve período como diretor médico para Hatfield College, em Durham, e trabalho temporário para o National Coal Board, ele se tornou um GP na Faculdade de Medicina Donneybrook Centro de Hyde, Cheshire, em 1977.


Shipman continuou trabalhando como um GP em Hyde durante toda a década de 1980 e fundou seu próprio consultório em 1993, tornando-se um membro respeitado da comunidade. Em 1983, ele foi entrevistado no documentário de televisão Granada, World in Action sobre a forma como os doentes mentais devem ser tratados na comunidade.


Consultório de Shipman

Os crimes são descobertos

Em março de 1998, a cirurgiã Linda Reynolds, em uma conversa com John Pollard, o médico legista para o Distrito Sul de Manchester, acabou manifestando preocupações com sobre a alta taxa de mortalidade entre os pacientes de Shipman. Ela alegou que suspeitava de negligência ou dolo da parte de Shipman, matando seus pacientes.

O assunto foi trazido à atenção da polícia, que não conseguiram encontrar provas suficientes; "O Inquérito Shipman" depois culpou a polícia por atribuir oficiais inexperientes para o caso, pois como o médico era um membro muito respeitado na comunidade, a polícia não levou a sério as denúncias feitas contra o médico. Em 17 de abril de 1998, a polícia abandonou a investigação e eventual detenção de Shipman. Mais tarde se descobriria que durante esse período em que a polícia investigou Shipman, ele assassinou 3 pessoas.

Sua última vítima foi Kathleen Grundy, uma ex-prefeita de Hyde, que foi encontrada morta em sua casa em 24 de junho de 1998. Shipman foi a última pessoa a vê-la viva, e depois assinou seu atestado de óbito, colocando "velhice" como causa da morte.

A advogada Angela Woodruff filha de Grundy, ficou preocupada e chamou o advogado Brian Burgess, informou-lhe que havia uma mudança no testamento feito, aparentemente por sua mãe (embora houvesse dúvidas sobre sua autenticidade). Ela havia excluído ela e seus filhos, mas deixou £ 386.000 para Shipman. Burgess disse a Woodruff para denunciá-lo a polícia, que iniciou uma nova investigação. O corpo de Grundy foi exumado, e quando examinado encontraram diamorfina, muitas vezes usada para controle da dor em pacientes com câncer terminal. Shipman foi preso em 7 de setembro de 1998, e foi encontrada uma máquina de escrever que ele usou para forjar testamentos.

A polícia então investigou outras mortes que Shipman tinha certificado, e criou uma lista de 15 casos para investigar. Eles descobriram um padrão de sua administração de doses letais de diamorfina. O médico usava cópias das assinaturas dos pacientes mortos para forjava registros médicos indicando que tinham estado crítico de saúde.


Julgamento e prisão

O Julgamento de Shipman, presidida pelo Juiz Forbes, começou em 5 de outubro de 1999. Shipman foi acusado do assassinato de Marie Oeste, Irene Turner, Adams Lizzie, Lilley Jean, Lomas Ivy, Grimshaw Muriel, Marie Quinn, Wagstaff Kathleen, Pomfret Bianka, Nuttall Norah, Hillier Pamela, Ward Maureen, Mellor Winifred, Joan Melia, e Kathleen Grundy, todas elas haviam morrido entre 1995 e 1998.

Juiz Forbes
Em 31 de janeiro de 2000, após seis dias de deliberação, o júri considerou Shipman culpado de matar 15 pacientes com injeções letais de diamorfina, e forjar o testamento de Kathleen Grundy. O juiz sentenciou a 15 penas de prisão perpétuas consecutivas e recomendou que ele nunca fosse liberado. Shipman também recebeu quatro anos por forjar o testamento. Dois anos depois, o ministro David Blunkett confirmou a recomendação do juiz que Shipman nunca deveria ser liberado. Essa ordem foi dada poucos meses antes dos ministros do governo britânico perderem seu poder de estabelecer condições mínimas para os presos.

Em fevereiro de 2002, o conselho médico formalmente caçou a licença de Shipman.

Shipman sempre negou sua culpa, contestando as provas científicas contra ele. Ele nunca fez qualquer declaração sobre suas ações.

Embora muitos outros casos poderiam ter sido levados ao tribunal, as autoridades concluíram que seria difícil ter um julgamento justo, tendo em conta a enorme publicidade em torno do julgamento original. Além disso, dadas as sentenças a partir do primeiro julgamento, um outro julgamento seria desnecessário. O inquérito Shipman concluiu que o doutor morte foi, provavelmente, responsável por cerca de 260 mortes. Também sugeriu que ele gostava de usar drogas para fins recreativos.


Apesar das acusações contra o Dr John Bodkin Adams, em 1957, o Dr. Leonard Arthur, em 1981, e o Dr. Thomas Lodwig em 1990 (entre outros), Shipman é o único médico na história legal britânica a ser considerado culpado de matar pacientes. De acordo com a historiadora Pamela Cullen, Adams também havia sido um serial killer em potencial por matar até 165 de seus pacientes entre 1946 e 1956, mas como ele "não foi considerado culpado", não houve impulso para examinar as falhas no sistema até o caso Shipman. Se estas questões tivessem sido abordadas anteriormente, poderia ter sido mais difícil para Shipman cometer seus crimes.

Morte

Shipman cometeu suicídio por enforcamento em sua cela na prisão de Wakefield em de 13 de janeiro de 2004 as 6h20, na véspera de seu aniversário de 58, e foi declarado morto às 8h10. Enforcou-se nas barras da janela de sua cela usando lençóis. Alguns tabloides britânicos expressaram alegria em seu suicídio e incentivaram outros assassinos em série a seguir o seu exemplo; The Sun publicou uma manchete de primeira página comemorativa, "Ship Ship hooray!"


Vítimas de Harold Frederick Shipman

Confiram abaixo a foto de 14 das 15 vítimas pelas quais Shipman recebeu sua condenação.

Marie West, de 81 anos de idade - morta em sua casa no dia 6 de Março de 1995
Irene Turner, de 61 anos de idade - morta em casa no dia 15 de Julho de 1996
Lizzie Adams, 77 anos de idade - morta em 28 de fevereiro de 1997
Jean Lilley 59 anos de idade - morta em 25 de Abril de 1997
Ivy Lomas de 63 anos - morta em 29 de Maio de 1997
Marie Quinn - morta em 24 de Novembro de 1997
Kathleen (Laura) Wagstaff de 81 anos de idade - morta em 9 de Dezembro de 1997
Bianka Pomfret - morta em 10 de Dezembro de 1997
Norah Nuttall - morta dia 26 de Janeiro de 1998
Pamela Hillier de 68 anos de idade - morta em 9 de Fevereiro de 1998
Maureen Ward de 57 anos de idade - morta em 18 de Fevereiro de 1998
Winifred Mellor de 73 anos - morta em 11 de Maio de 1998
Joan Melia de 73 anos - morta em 12 de Junho de 1998
Kathleen Grundy - morta em 24 de Junho de 1998
Fontes: Folha OnLine, Murderpédia e Serial Killers, Homicidas e Psicopatas

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6 Comentários
Comentários
6 comentários:
  1. Como a racionalidade do ser humano é uma coisa espantosa. Não julgar os outros crimes pq vai sair muito caro. Não investigar como se deve pq ele é uma pessoa conceituada na sociedade. E as universidades públicas de SP formando estupradores.

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    1. Pois é manolo...esse é mais um caso que comprova que o importante é ter status. Pensa...se o suspeito desses crimes fosse um pobre ele seria logo investigado e tals, mas como era um médico...um bom sujeito dentro da sociedade...ele foi deixado meio que de lado...palhaçada isso...

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  2. "Pra que investigar mais de 200 assassinatos? O cara já tá condenado mesmo" Engraçado esse tipo de raciocínio pregruiçoso do governo. Eu fico me perguntando como um homem doutrinado na medicina, que deveria ser um salvador, alguém que da valor a vida, é capaz de usar seu dom para tirar a vida das pessoas e se beneficiar. E também fico pasma como o cara conseguiu ser burro de pegar um testamento e tirar dos filhos e mandar para ele achando que ninguém iria estranhar.

    Bites!
    Tary Belmont

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    1. Pois é...pior que muitas vezes vemos serial killers serem considerados membros renomados da comunidade, mas acho que no caso do Shipman o impacto é maior justamente pelo o que vc disse...ele deveria ser alguém que salvava vidas.

      Mas penso que pessoas más existam em qualquer grupo social, ou mesmo exercendo qualquer tipo de função.

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  3. só achei estranho algo
    por que ele só matava as idosas ou só mulheres
    mas pq não homens ou vai saber o que?
    mas 200 assassinatos? meu deus achei isso um verdadeiro serial Killers por mim passava do Jack estripador
    só achei tosco da policia investigar os 200 casos
    já esta claro que seria prisão pq investigar se já souberam?

    e por que de não ser morte na cadeira elétrica?

    thanks :) .

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    Respostas
    1. Cleiton...é preciso investigar os 200 casos pelo seguinte motivo: vai que durante a investigação de um desses casos não fique provado que o assassino em questão tenha cometido o crime, mas que talvez outra pessoa tenha envenenado a vítima, isso significa que ainda haveria um assassino a solta.

      Tem um outro lado que é o das famílias...muitos familiares de pessoas que foram mortas pelo médico iriam exigir que ficasse provado, ou não, o envolvimento do médico na morte de seus entes queridos.

      A questão é de fato polêmica, pois uma investigação dessas seria trabalhosa e cara, sem contar que estaria mobilizando um efetivo policial que poderia estar atuando em outros casos...

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