27/03/2015

Cayetano Santos Godino: El Petiso Orejudo


Saudações amigos e amigas. Hoje voltaremos a falar de um serial killer Sul Americano. O texto abaixo é destinado a tratar da história de Cayetano Santos Godino, ou El Petiso Orejudo, assim conhecido na Argentina. Cayetano é considerado o primeiro serial killer da história do país portenho. Convido a todos a conhecerem a história de mais esse terrível assassino.

El Petiso Orejudo começou sua carreira criminosa com apenas sete anos de idade; Seu caso tornou-se tão famoso que foi as telas dos cinemas em “El Nino de Barro” (A criança do bairro), um filme do diretor Jorge Algora Madrid, recebendo indicações ao premio Goya e a dois prêmios no Argentinean Film Critics Association Awards, contudo, esse filme não foi lançado no Brasil.

Infância Violenta 

A história de Cayetano Santos Godino coincide com a de muitos assassinos em série, começa com uma infância tortuosa, com diversos conflitos e falta de planejamento familiar. Filho de imigrantes nasceu em Buenos Aires em 1896, tinha sete irmãos e um pai alcoólatra e abusivo. Godino nasceu com sífilis - proveniente do seu pai, Fiore Godino – devido a isto, teve problemas graves de saúde durante a sua infância.

Pai de Cayetano
Mãe de Cayetano
Desde os cinco anos de idade, Cayetano começou a receber educação formal, mas devido a sua falta de interesse e o comportamento violento e indisciplinar fez com que fosse transferido de escola muitas vezes. Na rua e terrenos baldios, sentia-se livre, esse era o seu ambiente favorito. Piromaníaco, sentia uma paixão exacerbada em causar incêndios.

Ele gostava de matar pequenos animais, especialmente filhotes de gato e pássaros. Vê-los morrer tornou-se fonte de grande prazer para o perturbado garoto. Ficou claro que o baixinho orelhudo não era uma criança normal.

Os primeiros atos de violência contra pessoas

Aos sete anos cometeu o primeiro ato de violência contra uma pessoal, a vitima foi Miguel de Paoli, um garoto de aproximadamente dois anos de idade que teve a sorte de não sofrer ferimentos graves após ser espancado pelo pequeno orelhudo. Após o espancamento o garoto foi jogado sobre uma vala cheias de espinhos. Um oficial da policia que passava pelas proximidades, viu o ocorrido e levou as duas crianças até a delegacia, onde horas depois foram pegos por suas mães.

Um ano mais tarde, seria a vez de Ana Neri. Godino a agrediu com uma pedra, os golpes só sessaram devido à intervenção de um policia. Levado novamente a delegacia, foi liberado da prisão naquela mesma noite devido a sua pouca idade.


Em 1906, aos 10 anos, Cayetano supostamente espancou uma garota de apenas 18 meses de idade e logo após enterrou-a viva em uma cova sob latas e outros detritos em um terreno baldio. A vitima seria Maria Rosto Rosa, dada como desaparecida e posteriormente nunca foi encontrada. No terreno onde Godino afirma ter a enterrado seu corpo, foi construído um edifício de dois andares, devido a isto, nunca foi possível comprovar que a confissão era de fato verdadeira.

No dia 05 de abril daquele mesmo ano ao acordar, o pai de Godino encontrou uma caixa de sapato cheio de canários mortos colocado ao lado de sua cama. Isso causava estranhamentos aos pais do garoto, que na mesma época descobriram a sua masturbação compulsiva com apenas 10 anos de idade. “Não sabíamos o que fazer com ele” relatou Fiore Godino às autoridades.

Com a idade de apenas dois anos, Caló Severino Gonzales se tornaria a próxima vitima de El Petiso Orejudo. No dia 9 de setembro de 1908, ele atraiu a sua vítima com promessa de doces a um armazém que ficava próximo ao seu colégio. Começou a afogar a pobre criança em um tanque de água para cavalos. O proprietário do local, Zacanas Caviglia, ouviu o barulho que vinha de dentro do armazém, ao chegar lá viu ambas as crianças molhadas, e uma delas estava dentro do tanque. Ao ser perguntado sobre o que estava acontecendo, Cayetano procurou uma forma de não ser incriminado – e conseguiu - disse que uma misteriosa “mulher de preto” tentou afogar o pequeno Gonzales, e que havia conseguido salvar a criança da morte certa. Zacanas e os policiais acreditaram a história de Cayetano, tanto que o jovem infrator acabou ajudando os investigadores a procurar a tal mulher pelas redondezas.


Seis dias após o ocorrido com Gonzales, Cayetano queimou as pálpebras de uma criança de 1 anos e 10 meses de idade chamada Julio Botte com um cigarro. Os gritos da criança chamaram a atenção de sua mãe que correu para socorrê-lo. Godino conseguiu fugir.

A lei das Ruas

Seus pais procuraram uma punição, tendo como razões o seu comportamento ultrajante para com a família, vizinhos e com a ameaça de lesão a todos os que viviam em torno dele.

Cayetano foi enviado à colônia para menores de Marco Paz, com apenas 12 anos. Tentou escapar muitas vezes, porém sem obter sucesso. Longe da reabilitação para a vida em sociedade, um garoto mais frio e ansioso para cometer crimes foi devolvido às ruas. Foram três anos preso, voltou para casa em 23 de dezembro de 1911, dois meses após completar 15 anos de idade.

Seus pais conseguiram para ele um emprego em uma fabrica, mas Cayetano durou apenas três meses no cargo. A vida dele era nas ruas, o bairro havia começado a se expandir em direção as partes mais decadentes da cidade, lá começou a beber álcool. Com a bebida vieram as dores de cabeça extremas, e a incessante vontade de matar.

A paixão por fogo nunca chegara a morrer e Cayetano ateou fogo em duas casas, uma fábrica de tijolos e mais algumas edificações. Quando foi preso, não mostrou remorso e suas palavras foram frias e claras: “Eu gosto de ver o trabalho dos bombeiros... é bonito ver como eles caem no fogo.”.

No dia 21 de janeiro de 1912 o corpo de uma criança de 13 anos foi encontrado em uma casa abandonada. A vítima da vez era Arturo Laurora que apresentava sinais de espancamento. O corpo do jovem encontrava-se despido e com uma corda ao redor de seu pescoço. A polícia não tinha pistas e não sabia por onde começar a investigar.

No dia 7 de março, Reyna Vainicoff de cinco anos estava admirando sapatos em frente a uma loja. Seu avô ouviu gritos de desespero do outro lado da rua. Alguém havia ateado fogo no vestido da garota. O avô tentou socorrê-la, mas não conseguiu chegar a tempo. Ela foi enviada para o hospital, mas morreu 16 dias depois devido as queimaduras. Cayetano assistia de longe o resultado da sua façanha.

Apesar de agora estar cometendo vários atos contra pessoas, Cayetano não se esqueceu do gosto por maltratar animais, tanto que em 24 de setembro de 1912 ele matou uma égua a facadas, quando invadiu um estábulo.

No dia 08 de novembro de 1912, uma nova tentativa de assassinato atribuída a Cayetano. A vitima novamente era uma criança, cujo nome era Roberto Russo, com idade de apenas dois anos. Cayetano atraiu-o com promessas de doces a um armazém. Roberto teve seus pés amarrados com uma corda, mas teve a sorte de ser salvo após um operário que trabalhava por perto interromper o ato. A exemplo do que aconteceu anos antes, Cayetano novamente inventou a desculpa que havia chegado ao local e salvado a criança de uma mulher. A polícia não acreditou muito na história, mas acabou liberando Cayetano por falta de provas que pudessem indicar a sua participação no ataque.

Cayetano falha mais duas vezes ao tentar assassinar crianças. Carmelo Gittone de apenas três anos e Catherine Naulener de cinco, foram salvas das mãos do assassino, pois pessoas acabaram aparecendo na hora certa. Nas duas ocasiões Cayetano conseguiu fugir do local antes da chegada da polícia.

Cayetano tinha um amplo conhecimento em relação à cidade, locais desérticos com casas abandonadas, sabendo onde levar suas vítimas.

A essa altura a polícia já estava de olho no Petiso Orejudo. Seu passado conflituoso, a sua ligação com as cenas dos crimes e as explicações sobre como estava lá no exato momento em que as “crianças” em questão precisavam de sua ajuda, fez com que Cayetano passasse de herói para possível suspeito. Devido a pouca idade das vítimas, não podiam obter a verdadeira história. Era sentar, assistir e esperar por uma oportunidade para pegar o assassino.

Na manhã de 03 de dezembro de 1912, a Sra. Maria Giordano – vizinha de Godino – mandou o seu filho brincar com outros garotos - mal sabia ela que seria a última vez que iria vê-lo. A criança de nome Jesualdo Giordano tinha apenas três anos.

O pai de Cayetano passou o dia gritando com ele. Ao sair de casa furioso pela implicância do pai, o maníaco se deparou com a criança perfeita para as suas travessuras. Bastava esperar a hora certa. Sua última tentativa havia falhado, e ele estava disposto a fazer tudo corretamente de modo que Jesualdo Giordano não tivesse chances de sair ileso.

Cayetano juntou-se as crianças - O pequeno orelhudo era feio na aparência, mas sabia seduzir suas vítimas. Pelo preço de dois centavos ele iria viver a sua fantasia mais uma vez.

Godino leva o garoto a um edifico abandonado chamado “Quinta Moreno”. No caminho, eles pararam em uma loja para comprar os doces prometidos, Godino deu um pedaço de doce a vítima e promete dar mais quando chegar ao destino final. Tudo estava ocorrendo como o planejado, mas ao se aproximar do local, Jesualdo Giordano se assustou e tudo que ele queria era o braço da sua mãe. Ele lutou tentando fugir, mas Godino o segurou. O “orelhudo” era mais forte, então arrastou a criança para dentro do edifício.

A criança teve seus braços e pernas amarados com uma corda. Godino estava ansioso para começar o seu entretenimento mórbido. Jesualdo lutava por sua vida, dificultando a tentativa de estrangulamento.

Cansado, Cayetano saiu para encontrar uma arma mais eficaz, deixando a vítima desmaiada por causa da tentativa de estrangulamento. Ele achou os itens perfeitos para serem utilizados, uma pedra e um prego enferrujado. Ao se abaixar para apanha-los, ouviu alguém chamá-lo. A voz preocupada era do Sr. Giordano – Pai de Jesualdo. Ao ser perguntado se ele havia visto o seu filho, Cayetano respondeu: “Eu não sei nada sobre o seu filho, senhor. Se eu fosse você iria à polícia”, disse ele. “Vá agora, os policiais irão ajudá-lo a encontra-lo."

Com o seu grande plano dando certo, ele corre com as armas do crime para continuar o que havia começado. Em poucos minutos descobririam toda a perversidade por trás do garoto.

Antes de entrar no armazém, Cayetano olha para trás para garantir que não estava sendo seguido. Ele sente-se “excêntrico”, com o pensamento escuro sobre como cometer este assassinato.

Ao retornar ao interior do prédio, o assassino ainda tentou acordar a indefesa vítima, não conseguiu. Ficou satisfeito, pois seria muito mais rápido e fácil mata-lo.

Cayetano posiciona o prego na testa de Jesualdo Giordano e utiliza a pedra como martelo, acertando um golpe e cravando o longo prego no crânio da pobre criança. Logo após o assassinato, Giordano teve o seu cadáver escondido.

O assassino queria ver o desenrolar da ação, o fato da vitima morar próxima a sua casa facilitava.

Pedra e prego usados no assassinato deJesualdo
O Sr. Giordano estava muito desesperado a procura do seu filho. Para o azar de Cayetano, havia desta vez uma testemunha que o ligava ao desaparecimento. Essa testemunha era a mulher que estava trabalhando na loja de doces. Quando ela descreveu a cena de outra criança com as características similares a Cayetano – orelhas grandes e braços longos - de mãos dadas e comprando doces com Giordano, tudo ficou claro, o pobre senhor já sabia onde procurar.

Com a polícia, o pai de Giordano volta ao local onde havia conversado com Cayetano. Ao fazer uma busca, encontrou o cadáver do seu filho ainda com o cordão no pescoço e um prego cravado na testa.

Local onde o corpo do garoto foi encontrado
Naquela mesma noite a polícia comparece e observa quem foi à casa da vítima. Várias pessoas haviam comparecido ao velório, o corpo estava em um quarto sobre uma mesa. A população estava inconformada com o caso.

Corpo de Jesualdo Giordano
Cayetano se misturou aos adultos e diante dos olhos da polícia, entrou no cômodo. Ninguém o notou, estavam muito abalados. Ele olhou por algum tempo para o cadáver, aproximou-se e com a mão puxou o rosto de sua vítima para ver se o prego que ele havia deixado cravado ainda estava lá. Ao ver que o objeto não estava aonde desejado, ficou muito chateado, saindo do local.

Segundo relatos, Cayetano foi visto no meio da multidão enquanto a polícia fazia o horrível trabalho de investigar este caso.

A notícia havia começado a se espalhar. O jornal ‘A imprensa de Buenos Aires’ publicou uma matéria levantando a possibilidade de uma organização criminosa dedicada a sequestrar crianças serem as possíveis culpadas do ocorrido.


O cerco estava se fechando. O caso atingiu proporções inimagináveis, a prisão de Cayetano se aproximava.

A prisão

A polícia havia conectado os casos a Cayetano com ajuda das testemunhas – A atendente da loja de doces e o Roberto Russo, o menino que ele tentou matar – e na manhã seguinte após o velório de Giordano, dois policiais - Pierre Paymaster e Ricardo Bassetti – foram à casa de Cayetano e o prenderam. Não havia dúvidas que ele era um garoto cheio de perversão e disposto a desrespeitar a lei. Foram encontrados restos da corda utilizada para estrangular Jesualdo Giordano e o artigo de jornal em seu bolso. Sua irmã contou sobre o sangue encontrado em suas roupas após o crime. Não havia mais escapatória e Cayetano acabou sendo preso.

Durante os interrogatórios Cayetano não demorou a assumir seus crimes, não demonstrando qualquer sentimento de culpa. O inquérito inclusive afirmava que o assassino parecia se vangloriar de seus atos.

Julgamento

Cayetano foi acusado por três homicídios e 11 agressões. A população estava revoltada e gritavam por pena capital. Devido sua pouca idade, apenas 15 anos na época, os dois juízes decidiram e manda-lo para um hospital psiquiátrico, onde Cayetano ficou durantes dois anos.

Durante o período que ficou internado, peritos criminais o visitaram para obter entrevistas. As conclusões que eles tiveram foram que sua degeneração veio da falta de afeto, a limitação da inteligência, o seu impulso destrutivo e o problema que seu pai tinha antes de ele nascer. Os peritos concluíram que Cayetano estava predestinado ao mundo do crime.

Hoje em dia acredita-se que o pequeno orelhudo ele era um deficiente mental e não tinha consciência de seus atos. No hospital psiquiátrico ele tentou matar um inválido acamado e uma pessoa presa a uma cadeira de rodas. Tais atos acabaram levando o tribunal a mudar de ideia enviando-o para a Penitenciaria Nacional, em Ushuaia também conhecida como ‘A prisão do juízo final’.


Solitário e frequentemente maltratado pelos outros detentos, Cayetano foi estuprado frequentemente.

A sua família havia o abandonado, não recebia visitas e nem cartas. O pequeno orelhudo nunca imaginara que sofreria tanto assim.

Em 1933, ele estrangulou um gato que circulava pela prisão e jogou o corpo no fogo. Os detentos ficaram revoltados com o mal que Cayetano havia feito à mascote da prisão, dando-lhe uma surra que resultara em 20 dias de hospital.

Após a incidência do gato, Cayetano foi entrevistado por um jornalista. A matéria foi publicada em uma revista chamada “Caros e Máscaras”.

"Ele é um idiota com um instinto hereditário degenerado, perverso, extremamente perigoso para aqueles em torno dele", disse o relatório psiquiátrico categoricamente quando Cayetano teve o seu pedido de liberdade negada em 1936.


Morte do Petiso Orejudo

No dia 15 de novembro de 1944, foi encontrado morto em sua cela. A causa oficial foi relatada como uma hemorragia interna causada por um surto de gastrite, que foi supostamente o resultado de espancamentos e abuso sexual contínuo que recebeu de outros internos.

A prisão é agora um museu com figuras de cera de todos os presos famosos que já tive. Cayetano Godino está incluído entre eles.



Fontes: Evidência Criminal, Murderpédia e Escena del Crime

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2 Comentários
Comentários
2 comentários:
  1. Excelente texto Adm, apesar de ser uma história de dor.
    O filme tem no "Youtube". Não entendo português, quanto mais castelhano, mas dá para assistir o filme.

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  2. Esse aí pelo menos pagou um pouco do mal em vida.Pra mim doido é quem taca pedra ou rasga dinheiro,esse aí premeditava tudo,tinha prazer no sofrimento de suas vítimas,etc.Por isso pra mim ele de doido não tinha nada

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